terça-feira, 9 de agosto de 2011

Projeção


Naquele dia ela acordou desejando freneticamente que alguém munido de uma supra inteligência tivesse desenvolvido uma tecnologia que a possibilitasse voltar no tempo. Levantou-se apressada, ligou a TV, assistiu o noticiário, e nada. Voltou ao seu quarto, abriu uma das gavetas da cômoda na qual guardava seus diários, escolheu um deles aleatoriamente, abriu uma página e leu alguns trechos. Fechou os olhos apertando ligeiramente as pálpebras esperando que alguma coisa acontecesse, mas nada aconteceu. Então, reabriu os olhos e se viu ali, uma mulher estúpida de vinte e poucos anos, sentada em uma cama pequena de um quarto pequeno, de uma casa pequena em uma rua pequena, de uma cidade pequena de um mundo gigante. Sentiu que era apenas uma mulher estúpida querendo voltar a ser criança.
“Que saudade de mim, de quando tinha nove anos” - pensou. “Quando eu tinha esta idade, sabia exatamente o que estava fazendo e tinha certeza de onde eu iria chegar. Quando eu tinha nove anos, me sentia forte e madura, havia um brilho estranho no meu olhar e um sorriso entusiasmado no meu rosto. Hoje sou apática e fraca, minhas pernas mal suportam o peso do meu copo e há  qualquer coisa com o peso de um mundo instalado nas minhas costas. Hoje eu não faço a menor idéia de pra onde estou indo e tenho sérias dúvidas se vou conseguir chegar em algum lugar.” - Depois de um ou dois minutos olhando pros retratos que ficavam sobre a escrivaninha, ela colocou a mão sobre os olhos e esperou que acontecesse. Logo, logo vieram os soluços e a respiração ficou ofegante, várias lágrimas despencaram e molharam os dedos que tentavam esconder aquele rosto gélido e sofrido de uma criança que acordara de repente e percebera que havia um universo lá fora, com pessoas e seres estranhos que exigiam dela algo muito além do que ela estava preparada para oferecer. Quis se esconder. Debaixo da cama talvez fosse o melhor lugar. Entretanto, apenas se virou, deitou-se e ficou a admirar o teto por alguns segundos.  
Sentiu falta  de quando o seu maior medo era o escuro.  Sentiu saudade de quando os desafios eram nadar até a grade da lagoa ou atravessar a piscinona do clube. Sentiu saudade do tempo que  não tinha responsabilidades e de quando ficava a tarde inteira de pernas pro ar vendo Pica-pau, Tom e Jarry, Pateta e Max, Mickey e Donald, comendo fandangos,  e aquilo não lhe trazia uma imensa sensação de culpa.  Sentiu saudade de pensar ‘no que seria quando crescesse’ e desejou, por um momento, esquecer que havia crescido.
Sentiu saudades de quando as pessoas confiavam nela, de quando era uma das primeiras da turma, certamente premiada no final do ano pelas boas notas. Sentiu saudade de quando a cidade era pequena demais, e de quando ela acreditava que tinha asas e que poderia voar. Sentiu saudade do tempo em que lhe denominavam ‘a artista’, ‘a cheia de talentos e a de futuro brilhante’. Sentiu saudade dos palcos, da criatividade e dos sorrisos. Sentiu falta dos amigos que deixara lá atrás, em algum lugar. Sentiu falta do que era e repugnou aquilo que havia se tornado.
Ergueu-se lentamente, como se fosse uma rocha e alguém estivesse a guinchá-la. Foi até o banheiro, jogou um pouco de água no rosto e viu sua imagem refletida no espelho.  “Cadê a arte que estava em mim?”  - pensou. “O gato comeu ou o tempo levou? Não me reconheço mais quando me olho no espelho. Ques olhos sem brilho são estes que me fitam? Onde foi parar aquela criança que acreditava que tudo era possível?” - Magicamente a imagem se mexeu e foi se dissolvendo paulatinamente até que ela percebeu que alguém com um sorriso tímido a admirava. Era uma criança de nove ou dez anos, pele clara, cabelos cacheados que escorriam pelos ombros, um ar de autoestima elevado e confiança. A imagem mais uma vez se dissolveu, e aos poucos, com certa dificuldade, outra foi se formando. Desta vez uma senhora de uns sessenta anos, cabelos curtos e mal pintados, com um olhar triste e frustrado, olhou para ela. Quando a percebeu ali, a mulher cerrou os olhos e havia raiva neles, como se culpassem a jovem de alguma coisa. Ela tentou dizer “sinto muito”, “não foi minha culpa”, mas a mulher se fora, a imagem havia sumido, e tudo que ela viu diante de si foram seus olhos cheios de medo - sentimento este, aliás, era o único que sabia sentir há dias – novamente no espelho.

 - Marina


Pra combinar:


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Fragmento

'(...)Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. E é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria - e não o que é. É porque ainda não sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele. É também porque eu me ofendo à toa. é porque talvez eu precise que me digam com brutalidade, pois sou muito teimosa. É porque eu sou muito possessiva e então me foi perguntado com alguma ironia se eu também queria o rato pra mim.' 
( Clarice Lispector - Felicidade Clandestina; conto: Perdoando Deus -  p.43,44 )


terça-feira, 5 de julho de 2011

Estatística Solidária

             Na última quinta-feira, dia 30,  Arthur Domâcio de 5 anos faleceu vítima de leucemia, no Hospital das Clínicas de São Paulo. O garoto havia se tornado símbolo da campanha ‘ 5ml de esperança’ que comoveu todo o estado de Minas Gerais e atingiu números recordes no cadastramento de doadores de medula óssea. Só em Patos de Minas, cidade natal do pequeno Arthur, foram feitos 1700 cadastros em um único dia.
            Em pouco mais de três meses foram feitos 30 mil cadastros no estado de Minas Gerais sendo 4 mil na cidade de Patos de Minas. Estatística histórica.
            Porém, se partirmos do princípio que de acordo com os dados do IBGE – Censo 2010 a população brasileira atual é de 190.732.694 habitantes, que Minas Gerais é o segundo estado mais populoso do Brasil, quase 20 milhões de habitantes e que  Patos de Minas é a 16ª cidade do estado em população com 138.836 habitantes; este número ainda é muito pequeno.
            Encontrar um doador compatível é praticamente impossível. Arthur lutou contra o seu câncer desde os 2 anos de idade, milhares de cadastros foram feitos nestes três anos e mesmo assim ele não conseguiu encontrar um doador. Quanto mais cadastros forem feitos, maior será a chance de encontrar essa ‘agulha no palheiro’.
            O anjinho Arthur se foi, mas a campanha não pode parar. Eu sou doadora de medula óssea, seja você também um doador de esperança! 

 - Marina 

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Preferências

 Nota de explicação:
               Sinceramente, eu não sei explicar como o poema da postagem anterior não foi a primeira postagem deste blog, uma vez que ele é, sem sombra de dúvidas, o meu preferido. Acho que gosto primeiro daquilo que me intriga, depois daquilo que não entendo e por fim daquilo que tento explicar. Este poema mexeu comigo na primeira vez que eu o li, e apesar do tamanho, me lembro que reli umas cinco vezes naquele dia. Cheguei a pedir um professor na Universidade que fizéssemos uma análise sobre ele, mas nunca sobrou tempo. 
            Acho que todo ser humano, se identifica com esse poema em pelo menos um momento de suas vidas. Eu me identifico com ele a todo momento; ora com o poema todo, ora em partes, eu o acho simplesmente magnífico, perfeito! 

'Se eu fosse mulher cada poema de Álvaro de Campos
seria um alarme para a vizinhança. 
Mas sou homem - e nos homens a histeria 
assume principalmente aspectos mentais;
Assim tudo acaba em silêncio e poesia... '

                                          Fernando Pessoa 


Pra quem tem preguiça de ler: 


                                                                                     obs: português de Portugal 

TABACARIA

    Não sou nada.
    Nunca serei nada.
    Não posso querer ser nada.
    À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.


    Janelas do meu quarto,
    Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
    (E se soubessem quem é, o que saberiam?),
    Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
    Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
    Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
    Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
    Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
    Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.


    Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
    Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
    E não tivesse mais irmandade com as coisas
    Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
    A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
    De dentro da minha cabeça,
    E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.


    Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
    Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
    À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
    E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.


    Falhei em tudo.
    Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
    A aprendizagem que me deram,
    Desci dela pela janela das traseiras da casa.
    Fui até ao campo com grandes propósitos.
    Mas lá encontrei só ervas e árvores,
    E quando havia gente era igual à outra.
    Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?


    Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
    Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
    E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
    Gênio? Neste momento
    Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
    E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
    Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
    Não, não creio em mim.
    Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
    Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
    Não, nem em mim...
    Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
    Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
    Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
    Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
    E quem sabe se realizáveis,
    Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
    O mundo é para quem nasce para o conquistar
    E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
    Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
    Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
    Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
    Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
    Ainda que não more nela;
    Serei sempre o que não nasceu para isso;
    Serei sempre só o que tinha qualidades;
    Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
    E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
    E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
    Crer em mim? Não, nem em nada.
    Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
    O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
    E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
    Escravos cardíacos das estrelas,
    Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
    Mas acordamos e ele é opaco,
    Levantamo-nos e ele é alheio,
    Saímos de casa e ele é a terra inteira,
    Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.


    (Come chocolates, pequena;
    Come chocolates!
    Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
    Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
    Come, pequena suja, come!
    Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
    Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
    Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)


    Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
    A caligrafia rápida destes versos,
    Pórtico partido para o Impossível.
    Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
    Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
    A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
    E fico em casa sem camisa.


    (Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
    Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
    Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
    Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
    Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
    Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
    Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
    Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
    Meu coração é um balde despejado.
    Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
    A mim mesmo e não encontro nada.
    Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
    Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
    Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
    Vejo os cães que também existem,
    E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
    E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)


    Vivi, estudei, amei e até cri,
    E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
    Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
    E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
    (Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
    Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
    E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente


    Fiz de mim o que não soube
    E o que podia fazer de mim não o fiz.
    O dominó que vesti era errado.
    Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
    Quando quis tirar a máscara,
    Estava pegada à cara.
    Quando a tirei e me vi ao espelho,
    Já tinha envelhecido.
    Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
    Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
    Como um cão tolerado pela gerência
    Por ser inofensivo
    E vou escrever esta história para provar que sou sublime.


    Essência musical dos meus versos inúteis,
    Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
    E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
    Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
    Como um tapete em que um bêbado tropeça
    Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.


    Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
    Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
    E com o desconforto da alma mal-entendendo.
    Ele morrerá e eu morrerei.
    Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
    A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
    Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
    E a língua em que foram escritos os versos.
    Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
    Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
    Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,


    Sempre uma coisa defronte da outra,
    Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
    Sempre o impossível tão estúpido como o real,
    Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
    Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.


    Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
    E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
    Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
    E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.


    Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
    E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
    Sigo o fumo como uma rota própria,
    E gozo, num momento sensitivo e competente,
    A libertação de todas as especulações
    E a consciência de que a metafísica é uma conseqüência de estar mal disposto.


    Depois deito-me para trás na cadeira
    E continuo fumando.
    Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.


    (Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
    Talvez fosse feliz.)
    Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
    O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
    Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
    (O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
    Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
    Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
    Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.



    - Álvaro de Campos 

      terça-feira, 28 de junho de 2011

      Escolhas


      Quantas vezes nos pegamos em uma encruzilhada sem saber que caminho tomar?!

                   Eu sempre fui daquelas inconformadas com a realidade que queria conquistar o mundo a bordo de um navio pirata, correr todos os riscos e no final olhar pra trás e perceber o quanto eu fui capaz de ir longe na vida.
                Acontece que pode ser que um dia a vida lhe ofereça um navio e  que dependa só de você embarcar ou não, correr os riscos ou não, vencer na vida ou não. A partir de hoje eu tenho apenas mais uma semana pra agarrar uma oportunidade ou deixar o navio partir...

             Hoje eu recebi um e-mail da UFRJ que dizia: "prezado aluno é com prazer que lhe convidamos para a reinauguração do busto de Candido de Oliveira, patrono da CACO e um dos alicerces da Faculdade Nacional de Direito, na praça do largo da CACO do qual foi retirado a mais de três anos."
               Por um momento eu me senti incluida em um meio, fazendo parte da história, como se eu já estivesse lá .. no instante seguinte eu estava aqui denovo, na mesma sala, olhando pela mesma janela, no meu mundinho sem mar e sem navios.

              Eu fiz a minha escolha, correta ou não, estou presa à ela. Há momentos que enxergo o horizonte e por enxergá-lo sei que é este o meu caminho. Porém há outros momentos que sinto que estou onde estou motivada por tantas escolhas erradas, pela simples falta de coragem e de não acreditar em mim mesma... 

      Está decidido!.. 
      Eu vou deixar esse navio partir...
      rezando para que outros ancorem no meu porto.
       
      - Marina 

      
      

      sexta-feira, 24 de junho de 2011

      Somos como cascas de ovos




      Tenho refletido muito sobre a fragilidade do corpo humano, sobre como somos vulneráveis, frágeis e quebradiços.
      Há uma linha que separa o ser e o não ser, o agora e o nunca mais. Somos apenas almas pensantes e sentimentais protegidas por uma casca de ovo. Por que não aço? Ferro ou qualquer metal impenetrável? Viver é um risco!
      Tínhamos que nos levantar todos os dias e nos vestir como se fossemos para uma guerra. Colocar armaduras, coletes a prova de balas e capacetes, ao invés de calça jeans, camisetas e bonés.
      Há três meses eu conversava com um amigo e me queixava de estar perdendo muito tempo na vida e que queria ter tomado decisões diferentes. Ele riu de mim, disse que era pra eu deixar de ser tão tola e me perguntou se eu achava que ia morrer aos 26 anos.
      Menos de uma semana depois meu amigo se foi, aos 20, vítima de um acidente de transito. Meu amigo era forte, devia ter aço nos seus ossos. Ele foi atropelado, não quebrou nada, nenhuma vértebra sequer, mas bateu a cabeça muito forte no chão, feriu seu cérebro, suas idéias, seus pensamentos e seus sonhos... ele não resistiu.
      Se eu pudesse dizer alguma coisa a ele, hoje, eu lhe pediria para levar consigo um capacete, e que usasse todos os dias, ainda que fosse ridículo, só pra poder se lembrar de mim, numa prova festiva da nossa amizade. E assim, eu lhe teria hoje comigo...

      Eu gostaria de vestir todas as pessoas que amo com armaduras ou então colocá-las em um potinho e deixá-las debaixo do braço, sob a minha proteção. Pena que está tão longe de mim tal poder. Sendo assim, tenho me apegado às orações, uma vez que só Deus poderá estar onde eu não estou e proteger quem eu gostaria de proteger. Protegê-las da maldade do mundo e das pessoas. Protegê-las do acaso e do tempo. Protegê-las dos minutos de bobeira e das distrações diárias. Protegê-las de si mesmos, dos seus pensamentos e das suas ações.

      É duro amar as pessoas e ter que perdê-las. Certas coisas tinham que ser pra sempre, é muito triste vê-las partir ...

      - Marina 

      quarta-feira, 22 de junho de 2011

      I said it 'cause I can!


      Meu lema depois de uma semaninha de prova! =)
      .. Cause I CAN ! 

      The Lazy Song

      Today I don't fell like doing anything
      I just wanna lay in my bed
      Don't fell like pickin up my phone
      So leave a message at the tone
      'Cause today I swear I'm not doing anything

      I'm gonna kick my feet up, then stare at the fan
      Turn the TV on, throw my hand in my pants
      Nobody's gonna tell me I can't
      (Naahh)
      I'll be lounging on a couch, just chillin in my snuggie
      Click to MTV so they can teach me how to Douggie,
      'Cause in my castle I'm the freakin man

      Ooooh
      Yes I said it
      I said it
      I said it 'cause I can!

      Today I don't fell like doing anything
      I just wanna lay in my bed
      Don't fell like pickin up my phone
      So leave a message at the tone
      'Cause today I swear I'm not doing anything
      (Nothing at all)

      Huhul, huhuuuul
      (Nothing at all)
      Huhuuul, huhuuul

      Tomorrow I wake up
      Do some P90x
      Meet a really nice girl
      Have some really nice sex
      And she's gonna sream out this is great
      (Oh my God, this is great)

      Yeeaah
      I might mess around
      And get my college dregree,
      I bet my old man will be so pround of me.
      But sorry paps you'll just have to wait

      Ooooh
      Yes I said it
      I said it
      I said it 'cause I can!

      Today I don't fell like doing anything
      I just wanna lay in my bed
      Don't fell like pickin up my phone
      So leave a message at the tone
      'Cause today I swear I'm not doing anything

      No, I ain't gonna comb my hair.
      'Cause I ain't going anywhere
      No, no, no, no, no,
      no, no, no, no, ooooh

      I'll just strut in my birthday suit,
      and let everything hang loose
      Yeah, yeah, yeah, yeah, yeah,
      Yeah, yeah, yeah, yeah, yeeeaaah

      Oooh, today I don't fell like doing anything
      I just wanna lay in my bed
      Don't fell like pickin up my phone
      So leave a message at the tone
      'Cause today I swear I'm not doing anything
      (Nothing at all)

      Huhul, huhuuuul
      (Nothing at all)
      Huhul, huhuuuul
      (Nothing at all)

       

      A Música da Preguiça

      Hoje eu não estou com vontade de fazer nada
      Só quero ficar deitado na cama
      Não quero atender o telefone
      Então deixe o recado na secretária eletrônica
      Pois juro que hoje eu não quero fazer nada

      Vou ficar com os pés pro alto olhando para o ventilador
      Vou ligar a TV, ficar com as mãos no bolso
      Ninguém vai me dizer que não posso fazer isso
      (Não mesmo)
      Vou me jogar no sofá, ficar embaixo das cobertas
      Vou ligar na MTV para eles me ensinarem a dar uma de Douggie,
      Porque no meu castelo quem manda sou eu

      Uuuuh
      Sim, eu disse isso
      Eu disse
      Eu disse porque eu posso!

      Hoje eu não estou com vontade de fazer nada
      Só quero ficar deitado na cama
      Não quero atender o telefone
      Então deixe o recado na secretária eletrônica
      Pois juro que hoje eu não quero fazer nada
      (Absolutamente nada)

      Uhhhhuu, uhuu
      (absolutamente nada)
      Uhuuuu uhuuu

      Amanhã eu vou acordar
      Fazer uns exercícios
      Vou conhecer uma garota bonita
      E fazer muito sexo
      E ela vai gritar e dizer que está ótimo
      (Meu Deus, como isso é bom!)

      É
      Talvez eu saia por aí
      E tire o meu diploma
      Aposto que o meu pai vai ficar orgulhoso
      Mas, desculpa aí pai, você vai ter que esperar um pouco

      Uuuuh
      Sim, eu disse isso
      Eu disse
      Eu disse porque eu posso!

      Hoje eu não estou com vontade de fazer nada
      Só quero ficar deitado na cama
      Não quero atender o telefone
      Então deixe o recado na secretária eletrônica
      Pois juro que hoje eu não quero fazer nada

      Não, eu não vou pentear o cabelo
      Pois eu não vou a lugar algum
      Não, não, não, não, não
      Não, não, não, não, ooooooh

      Eu vou andar peladão por aí
      E deixar tudo à vontade
      É, é, é, é, é
      É, é, é, é, é

      Hoje eu não estou com vontade de fazer nada
      Só quero ficar deitado na cama
      Não quero atender o telefone
      Então deixe o recado na secretária eletrônica
      Pois juro que hoje eu não quero fazer nada
      (Absolutamente nada)

      Uuuuh uhuuu
      (Absolutamente nada)
      Uuuuh uhuuu
      (Absolutamente nada)

       



      terça-feira, 21 de junho de 2011

      Paixão!



      Paixão é uma vontade que vem do nada, te agarra pelos cabelos, sobe quente pelo corpo, desce fria pelas costas e faz o coração disparar. Põe venda nos seus olhos, algodão nos seus ouvidos e mordaças na sua boca. Ninguém fala, ninguém ouve, ninguém vê, apenas sente.
      Diferente do que dizem por aí, o amor não é cego e nem anda de mãos dadas com a loucura. O amor é sublime é grandioso, é gradativo e vem com o tempo. A paixão, sim é maluca, é instável; é grande e pequena ao mesmo tempo, é pra sempre e acaba em uma fração de segundos. A paixão vem da química, da física, da matemática. São necessários hormônios, olho no olho, pele na pele, a dúvida se um mais um são dois ou apenas um e a certeza de que um menos um continua sendo um, inteiro, não fracionado e muito feliz. A paixão pode, ainda, se dissolver devido as desilusões ortográfico-amorosas, mas não se incluem em diretrizes geográficas pois  não reconhece distâncias.

      Eu tenho medo da paixão. Ela é inconsequente..


      Um dia ela me pegou desprevenida; passou por mim e sorriu, eu sorri de volta, desviei o olhar e continuei caminhando. Ela me seguiu, trocou comigo algumas palavras, se fez minha amiga e eu a levei para dar uma volta no parque. A paixão tinha que pegar o trem, estava muito adiantada e eu resolvi lhe fazer companhia. Eu confiei na paixão e a paixão confiou em mim. A paixão se foi, mudou-se para longe, primeiro pra li, depois pra acolá, mas prometeu vir me visitar com freqüência.
      Deste dia em diante a paixão sempre voltou, em cada volta uma aparência e uma intensidade. As vezes demorava, em outras logo ia embora, mas sempre estava a me rondar.
      Um dia, cansada de não saber lidar com a instabilidade eu mandei a paixão ir embora e resolvi me dedicar a coisas sólidas e certeiras. Meu mundo ficou calmo e tranqüilo, mas também ficou vago, frio e vazio.
      Há alguns dias eu lhe enviei uma carta e pedi que ela voltasse, em sua resposta ela me disse que ou estaria ocupada demais ou estaria de férias no Caribe e não poderia me ver. Eu senti o desassossego, o desejo e a coragem se aflorarem dentro de mim. Peguei o primeiro vôo e fui buscá-la.
      Porque paixão é assim, a gente não sabe de onde vem, porque vem, se vai permanecer e para onde vai. Tudo que a gente sabe é que não dá pra viver sem a instabilidade das coisas, a mão suando, o coração batendo, o medo de perder.. e a vontade não permitida de ficar. Tudo que é seguro demais é chato demais..


      É preciso fazer voar, é preciso tirar os pés do chão.. se não vier, 
      não esteja certo, mas um dia eu vou buscar você!

      - Marina

      sábado, 21 de maio de 2011

      Baby, you are a firework!

        Certo dia, em uma entrevista perguntaram à cantora pop dos Estados Unidos, Katy Perry, se ela namoraria alguém que não tivesse pernas ou braços. A cantora prontamente respondeu : 
      - 'Claro, por que não? Já namorei gente até sem coração.. ' 



      Não preciso dizer mais nada.. virei fã dela! =)

      sábado, 14 de maio de 2011

      Qualquer semelhança é mera coincidência


      O signo de Touro representa à manutenção, à determinação, a constância, o instinto de posse, aquisição e a assimilação. Os taurinos são persistentes, cautelosos, leais e pacientes, sensuais, resistentes e tranqüilos. 

      Negativamente podem ser obstinados, preguiçosos, teimosos, possessivos, inertes, lentos, aproveitadores e ciumentos.


      Os taurinos buscam segurança e estabilidade material. São firmes e retentivos, têm necessidade de conservar o que se conquistou e não dispersam sua força. Valorizam as coisas boas e bonitas da vida, amam o conforto e o prazer. Têm o sentido do tato e do paladar bem aguçados. Sua ação é lenta, concentrada e tranqüila, buscando resultados práticos. Assumem as responsabilidades com firmeza e seriedade. A extrema necessidade de segurança faz com que os taurinos tenham grande medo da perda, com isso se tornam avesso às mudanças e às inovações. Na tentativa de manutenção das coisas e valores, o taurino torna-se acomodado para não perder o que conseguiu e alienado nos seus relacionamentos porque só se interessa em continuar adquirindo.


      Pela atitude aplicada e força de vontade o taurino faz planos de longo prazo e se empenha para conquistar seus objetivos. Envolve-se em atividades que lhe dão a sensação de estabilidade e não se interessam muito por ganhos rápidos. São extremamente sensuais gentis e afetuosos, procuram relacionamentos estáveis, mas tendem a se manter num relacionamento apenas para se sentirem seguros.

      Os taurinos, fisicamente, tendem a ser fortes e resistentes.Têm uma forte tendência para engordar e precisam controlar a alimentação.



      A mulher de Touro



      Não toque música estridente perto dela, capriche no hálito e nunca use cores berrantes. Sua comida deve ser bem gostosa; só a leve em lugares onde se come bem. Ela é irrestritamente leal e fiel; se você não lhe der em troca uma completa devoção, ela se recolherá mal-humorada a um canto, triste e ressentida. Não é prudente irritar uma mulher de Touro. Seu ritmo vai do lento ao deliberado e firme; raramente chega ao impulsivo, mas pode atingir o violento, quando ela é muito atormentada. A mulher de Touro trabalha pesado. É capaz de subir numa escada para pintar ou esfregar as paredes com a força de um homem, mas precisa daquele cochilo à tarde, para manter-se em forma. São excelentes companheiras, jamais esperam ser apoiadas sem fazerem a sua parte, e sentem-se infelizes com um homem que não faz a sua. As mulheres de Touro não gostam de nenhum tipo de fraqueza. Jamais permitem que o sentimento interfira com o que é prático.

      Para conquistá-la  é preciso muito romantismo. Todas as atenções devem estar voltadas para ela. Isso não é difícil, já que é sensualíssima e sempre deixa suas intenções bem claras. Não é de perder suas conquistas. Pontualidade é algo que a taurina não dispensa, assim como um relacionamento sólido.

      Usa sensibilidade e sempre arranja tempo para o amor. Mas algo deve ficar claro : ela busca segurança material em suas relações amorosas. Na cama, se for bem seduzida, deixa transparecer um lado irresistível de sua personalidade. Um lado guardado a sete chaves, que só ela é capaz de mostrar.

      Gosta de provocar, de sugerir climas e situações amorosas. Não deve ser instigada a brigar, porque torna-se cruel e fria.

      A taurina tem uma invejável energia sexual. Ela espera um amante paciente  e, acima de tudo, muito gentil. Ela é intensa, insaciável e tira, facilmente , o fôlego de seu parceiro, mesmo que já estejam juntos há um bom tempo. O maior prazer da taurina é viver suas fantasias eróticas, inventando historinhas para extravasar seu erotismo.

      quarta-feira, 4 de maio de 2011

      Outra vez

      Você foi...
      O maior
      dos meus casos
      De todos os abraços
      O que eu nunca esqueci

      Você foi...
      Dos amores que eu tive
      O mais complicado
      E o mais simples pra mim

      Você foi...
      O maior dos meus erros

      A mais estranha história
      Que alguém já escreveu

      E é por essas e outras
      Que a minha saudade
      Faz lembrar
      De tudo outra vez.

      Você foi...
      A mentira sincera
      Brincadeira mais séria

      Que me aconteceu

      Você foi...
      O caso mais antigo
      E o amor mais amigo
      Que me apareceu

      Das lembranças
      Que eu trago na vida
      Você é a saudade
      Que eu gosto de ter

      Só assim!
      Sinto você bem perto de mim
      Outra vez...

       


      Me esqueci!
      De tentar te esquecer

      Resolvi!
      Te querer, por querer
      Decidi te lembrar
      Quantas vezes
      Eu tenha vontade
      Sem nada perder...
      Ah!
      Você foi!
      Toda a felicidade

      Você foi a maldade
      Que só me fez bem
      Você foi!
      O melhor dos meus planos
      E o maior dos enganos
      Que eu pude fazer...

      Das lembranças
      Que eu trago na vida
      Você é a saudade
      Que eu gosto de ter
      Só assim!
      Sinto você bem perto de mim
      Outra vez....