terça-feira, 22 de outubro de 2013


Ele continuava preso lá no alto. Inatingível. Ela sacudia o pé da estante com toda a força que detinha e orava em silêncio pedindo que ele despencasse de lá.

Parece que foi ontem que, da janela, ela o viu chegar. O caminhão estacionou do outro lado da praça e gastaram dois homens fortes para retirar a caixa lá de dentro e levar para o interior da loja. A caixa era enorme, feita com um mogno branco desnecessário para esconder um brinquedo. Embora a Brincarte fosse a maior loja de brinquedos da cidade e não existisse nada mais comum do que receber novas remessas ao longo do mês, ela ficou atônita com o que viu. A maioria dos brinquedos chegavam em embalagens comuns, alguns deles nem vinham embalados e ela adorava ficar na janela a espiar quais eram as novidades que desembarcavam; enamorava-os um a um e mergulhava em uma difícil tarefa de escolher qual gostaria de ganhar, naquele ano, de Natal.

Nem sempre ganhava aquilo que pedia. Mas, tinha o dom de, com jeitinho, conseguir a maioria das coisas;  Já tinha ganhado bonecas de todas as cores, pelúcias de todas as formas e tamanhos, mas o que ela mais gostara, de todos, sem comparação, fora um carrossel que ganhara de presente de aniversário depois de uma luta para fazer por merecê-lo. Ele era bem grande, e muito luxuoso. Tinha cavalos coloridos e girava sem parar, tocava uma música gostosa de ouvir  que a colocava para ninar todas as noites. Seus olhos de menina, sonolentos e semicerrados, admirava-o, antes de se fecharem definitivamente. As luzes e o brilho que vinha daquele objeto animado em cima da escrivaninha, fazia com que ela, gloriosa, se sentisse a dona do mundo!

Mas agora, sem carrossel, ela queria aquele que estava lá no alto em cima da estante. Lhe disseram que não era a hora ainda, que ela tinha que ser paciente, faltavam dois meses ainda para a Natal...

Mas ela queria ele! Com pressa... agora! Só que ele continuava preso lá no alto. Inatingível. Ela sacudia o pé da estante com toda a força que detinha e orava em silêncio pedindo que ele despencasse de lá e caísse em seus braços.

 
...
Até que um dia perdeu a graça, ela deu uma bicuda no pé da estante, ele despencou de lá e se espatifou em mil pedaços.
                       (melhor final para uma história sem começo)



... Por que disseram que era dela, sendo que ela não podia tê-lo?

Marina


quarta-feira, 31 de julho de 2013

Feel!

Algumas coisas foram feitas para durarem uma noite, outras para serem passageiras e outras ainda para durarem a vida inteira. Felizes aqueles que, distinguindo-as, sabem deliciar-se com cada uma delas. Você não sabe o tempo que tem. Viva!


Marina

terça-feira, 9 de julho de 2013

As primeiras luzes do dia começavam a brotar lá fora. A escuridão, pouco a pouco, ia cedendo o lugar aos primeiros raios de Sol que já se espreguiçavam por detrás dos montes ao longe. Ela ainda estava sentada a beira da janela. Olhando por entre as vidraças, admirava as casas ainda de pé com uma sensação de alívio no peito.

Os ventos haviam sido fortes. Alguns deles foram previstos, mas outros não deram tempo de anunciar. Parece que foi ontem que veio a notícia; ela ainda estava se aconchegando diante do sossego que a comodidade trazia, quando anunciaram por toda a cidade que eles chegariam em breve. Não deu tempo de se esconder... as paredes começaram a tremer e paulatinamente as luzes  foram se apagando. De repente, aquilo que era calmo, tranquilo e lindo foi engolido por uma penumbra de dar medo. Ela sentiu frio, mas, não teve muita escolha, sabia que precisava ser forte para manter-se viva. Ficou de pé e, rígida, enfrentou todos eles um a um.  

Os primeiros, apesar da força, foram amenos e ela desvencilhou-se deles. Os outros, porém, vieram bravios; chicoteavam contra as pilastras da casa e faziam com que tudo tremesse. Um dos seus quatro alicerces começou a ceder, os solavancos do vento faziam com que ele vacilasse cada vez mais, ela desesperou-se. “Não, agora não!” pensou. Correu até ele, tentou segurar. Mas já era tarde de mais, bastou que o vento urrasse de novo e que uma leve brisa lhe pesasse o ombro para que ele desmoronasse. Frente aos destroços dele diante de si, ela se fez pó. Reerguer-se manca seria impossível.

Os ventos continuavam gritando lá fora. Impertinentes, arremessavam-se contra os outros três alicerces que ainda estavam ali. Ela teve medo. Quis se esconder, assim como fazem as crianças diante de problemas que não sabem resolver. Talvez debaixo da cama fosse o melhor lugar e sairia dali só quando tudo estive calmo e tranquilo de novo.  Porém, apesar do cansaço, sabia que, para que aquele telhado não lhe caísse sobre a cabeça e para que não fosse esmagada e engolida por aquele inferno que se formava, ela não podia deixar que os outros pilares desabassem – faculdade, emprego e família – e que precisava de força para se postar erguida novamente...

Agora que tudo passou, que os ventos nada mais são que assovios nas soleiras das portas, a sensação que ela tem é de que venceu, sobreviveu talvez, àquilo tudo.

Olhando pela janela, ela podia ver que a maioria das casas estavam de pé, que a maioria das coisas ainda estavam nos mesmos lugares e  que não seria muito complicado recomeçar de novo.

Ela se virou e com lágrimas cadentes nos olhos se permitiu olhar a pilastra agora em pó a sua frente. Sentiu-se fraca e impotente. Como pode não conseguir segurá-la? Uma sensação de incapacidade e frustração tomara-lhe a alma. “Talvez eu não seja lá tão boa pra isso” pensou. “Tenho um pouco de cola, corda e estacadas de madeira lá na despensa” - remoeu por um momento - “talvez eu possa consertar!” Encheu-se de uma esperança equilibrista que vacilou por horas a procura de uma solução para aquela deficiência que ela mesma causara.  Até que, esgotada de culpa, enfim, percebeu que segurara o que conseguira segurar, que salvara aquilo que deu tempo, que fez o que pode, mas que tinham coisas que, agora, já não estavam mais em suas mãos.

Levantou, e manca, foi até a porta que dava para o jardim, sentou-se sobre a soleira e lhe permitiu admirar as flores, o tempo passou sem que ela percebesse e num picar de olhos, sem que se desse conta, adormeceu. Tudo estava calmo agora, ainda que não tenha conseguido reparar todas as rachaduras a tempo, ainda que tenha deixado um pedaço desabar, mas ela ainda estava ali, com pequenos cortes e cicatrizes, mas inteira. 



- Marina



sexta-feira, 29 de março de 2013

Vida nova em 3,2,1...


Sabe aquele momento – que sempre chega -  em que é necessário escolher se jogar na vida ou ficar parado, à beira do caminho, vendo ela passar?!
Vira e meche a gente tem que fazer escolhas, algumas são certeiras e a gente sabe exatamente por que está ali para fazê-la, porém, há outras que você não faz a mínima ideia de onde elas poderão te levar.
Pode ser que essa seja aquela escolha que você esteve a vida toda esperando para fazer, mas, pode ser que essa seja apenas mais uma, que você tem que fazer, para que possa ir além. Como degraus que você tem que subir um a um para te levar onde deseja. Não importa qual destas seja ela, o que importa é que é necessário fazê-la se quiser ir a diante, sem medo!
Toda escolha acarreta sacrifício, acarreta perdas, acarreta renuncias, mas quando se sabe exatamente aonde se quer chegar não há obstáculos, não há cara feia, não há nada que tenha força o bastante para se fazer desistir. Sempre chega aquele momento em que a gente sabe que vai precisar ter coragem. Aquele momento em que a gente veste a armadura e sente que está pronto pra guerra; e sabe que não importa quantas serão as batalhas, vai valer a pena!


quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Retrospectiva antes do Fim do Mundo

Ouvi dizer por aí que o mundo vai acabar daqui dois dias, pelo sim e pelo não, melhor cumprir logo o que vem sendo tradicional e dizer como foi meu ano. Agradecer o que deve ser agradecido, fazer promessas do que irei mudar e fazer uma cruz de macumba na encruzilhada pra deixar tudo que foi de ruim pra trás. 

Meu ano foi comum, desses que começam no dia primeiro de janeiro e só vão terminar no dia 31 depois de 365 longos dias. Diferente dos anos anteriores, meu ano foi  mais de realizações do que de busca: continuei trabalhando no mesmo trabalho, ganhando o mesmo super dinheiro de antes, mas não tão feliz assim; continuei a mesma faculdade, com novas perspectivas e novos sonhos, carregando sempre a sensação de que fiz a melhor escolha que poderia ter feito quando decidi trilhar este caminho. Mantive ao meu lado os mesmos amigos, fieis e companheiros, que me acompanharam em cada instante: em cada sorriso, em cada lágrima, em cada cabelo arrancado de desespero nas vésperas das provas, e em todo alivio e alegria do mérito reconhecido. 

Mantive também, como não podia deixar de ser, os meus velhos amigos "de sempre e pra sempre", ao meu lado, e me sinto a cada ano que passa mais e mais feliz por saber que o que é sincero o tempo não leva e por ver crescer cada dia a amizade e o amor que existe entre nós. 

Mantive a maioria das coisas, mas não sou mais a mesma. Como disse uma vez Heráclito: "um homem não pode entrar duas vezes no mesmo rio" porque quando entrar nele outra vez não será ele o mesmo homem, nem será o rio o mesmo rio; da mesma forma que o tempo e o destino alteraram as curvas do meu ano, uma coisinha que veio lá de Deus pra mim, alterou as curvinhas do meu Eu: "dizem que um grande amor quando é  sincero e verdadeiro move montanhas. Que bom que existem as montanhas, e que bom que existe o amor!"

De longe, em disparado, foi a melhor coisa que me aconteceu. Meu príncipe!, não daqueles altos, loiros e de cavalo branco que beijam a donzela indefesa e salvam-na de monstros terríveis, mas PRÍNCIPE como realmente deve ser e na essência do que realmente é: gentil, cavalheiro, honesto, sedutor [rs], romântico, herói, tantas outras coisas, mas, simplesmente, PRÍNCIPE! Pra quem não sabe, príncipe muito pouco tem a ver com realeza, príncipe vem do Latim e quer dizer primeiro; quando Maquiavel escreveu o livro O Príncipe, ele não o escreveu para um rei, ele o escreveu como um manual para ensinar alguém a se tornar o "primeiro" de seu reino, o mais importante, o mais especial de um país ou de uma nação. Dessa forma, sabendo disso há um tempo, procurei em alguns lugares alguém que pudesse ocupar este posto na minha vida, até que um dia, cansada de não encontrar, ele me encontrou. E pude, enfim, acreditar que eu estava certa em esperar a pessoa perfeita pra fazer TUDO acontecer. 

=)

Falando de heróis, em 2012 nem tudo foi só sorrisos. Perdi uma heroína! Alguém que me segurou nos braços logo depois que nasci, que me ajudou a dar os meus primeiros passos e que estava lá quando aprendi a ler e escrever. Que me contou histórias para dormir, que me acalentou, que cuidou de mim. Alguém que me ensinou a ter fé, que me ensinou a ouvir, que me ajudou a amadurecer, de quem tive ótimos conselhos, e quem muito acreditava em mim. Alguém de quem sinto uma saudade enorme, e com quem não vou, mas que gostaria muito, de compartilhar tudo aquilo que ainda vou conquistar nesta vida: minha avó! =/

...

Em resumo, tirando perdas e uns pormenores,  meu ano foi ótimo e eu o amei muito [risos], mas espero que o ano que vem, venha para ser melhor ainda! Que eu continue mantendo tudo aquilo que há de bom que consegui manter este ano, e que eu mantenha, também, todo o novo que consegui conquistar. E que tudo aquilo que me atormenta e me faz infeliz que fique para trás com este ano que termina. Que 2013 seja um ano de muita luz, muita paz e muito amor para todo o Mundo [que ta precisando!!!!], e que possamos ser cada dia mais felizes!

Encerrei a retrospectiva ano passado falando que eu estava preparando a alma para as flores que iriam vir...  

... o campo está preparado e a alma também, que venham as flores, e os espinhos, se tiverem que vir, estou pronta!

Feliz Ano Novo!



Marina

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

...


É natural que o ser humano passe a vida inteira esperando por alguém. Claro que sempre vão existir uns e outros que vão se julgar durões e dizer que vieram a este mundo para viverem sozinhos, mas, a realidade é que todo mundo passa a vida toda esperando a sua metade da laranja. Esperando alguém pra poder compartilhar a vida, pra contar os sonhos, pra poder chorar nos ombros, pra poder fazer valer a pena uma tarde chocha de domingo, ou, simplesmente, pra deitar no colo, receber um cafuné e acreditar que então tudo faz sentido.

Eu sempre fui daquelas que acreditei que me viraria sozinha nesta vida, ou pelo menos tinha me cansado de procurar por alguém que não viesse com um letreiro brilhante na cabeça dizendo: sou eu. A verdade é que a gente não sabe pelo que procurar; e a busca obsessiva por algo que não existe sempre nos leva a nos perder em nada. Colocamos coisas na cabeça, criamos histórias, passamos grande parte do tempo correndo atrás daquelas cartas marcadas no baralho e nos esquecemos de acreditar na nossa própria sorte. Sorte esta, que vamos precisar e muito pra saber reconhecer e não deixar passar a pessoa brilhante, sem letreiro, quando ela finalmente chegar.

(...) Eu estava distraída na vida, perdida, dando corda ao destino e levando as coisas como um barco sem leme que se entrega à maré. Não corria atrás de quase nada e andava fugindo de muitas coisas. E foi em uma destas fugas, de cabeça baixa e me escondendo do mundo que ele apareceu. Parece que estava lá, esperando por mim, naquele cantinho escondido de tudo pra sussurrar no meu ouvido e me fazer acreditar em possibilidades. 

Foi como se uma luzinha nascesse dentro de mim, feito uma faísca que vai se alastrando pelo corpo inteiro (acho que o letreiro, enfim, havia se acendido). De um daqueles jeitos que a gente lê nos livros românticos e clichês, senti o coração bater mais forte e me faltar um pouco o chão e o ar. Foi instantâneo, senti minha vida virar do avesso e se reorganizar em questão de segundos. Acho que na hora fiquei um pouco confusa, mas hoje, depois de um tempo e olhando as coisas de cima, percebo que ele foi como um raio que caiu na minha vida; daqueles que vem no meio da tempestade pra fazer arder e clarear tudo. Me trouxe luz e encheu a minha vida de alegria e sonhos. Se vou voltar aqui para chorar e escrever minhas desilusões daqui um tempo eu não sei, meu caro leitor. Tudo que sei é que ele já me faz uma mulher muito feliz e que eu agradeço, todos os dias, por ter me perdido pelo caminho e por ele ter me encontrado.

Obs: o seu amor pode estar do seu lado.


- Marina

sábado, 7 de julho de 2012

Eu sempre acho que as pessoas esperam que eu diga alguma coisa. E eu realmente quero dizer. Foram várias as vezes que comecei este texto e não consegui ir em frente. O que fazer quando simplesmente não há palavras com as quais eu consiga me expressar?

Ela sempre tinha a coisa certa pra me dizer e eu sempre procurei escutar, mas, de uns dias pra cá, confesso que já não lhe destinava mais a mesma atenção de antes. Eu fui tão egoísta! Lembro-me como se fosse agora dos dias em que ela me pedia para ficar um pouco mais, de como ela reclamava (incansavelmente) da minha pressa e da minha ausência estendida; dizendo o quanto eu lhe fazia falta e de como ela sentia saudades. 

Estando sempre ocupada, e correndo para dar conta das coisas, achei que meu álibi era plausível e de que eu fazia a coisa certa em me ausentar e me distanciar. Mas hoje vejo que tudo não passou de desculpas (e desculpas e desculpas) - podia ter doado mais de mim!

Quando as pessoas vão ficando mais velhas a gente (de uma forma curiosa) um dia chega a imaginar como elas irão morrer. Cheguei a imaginar algumas vezes. Mas, sempre pensei que Deus teria que ser muito criativo para conseguir levar alguém que tinha tanta vontade de viver. E por mais que a minha imaginação floreasse, não pensei que seria tão rápido assim...

Ainda que com a idade avançada, digo que foi rápido de mais... ela era eterna pra mim!

Ela ainda sonhava. Nas nossas conversas ela sempre me dizia dos planos futuros, não os dela, mas os que ela fazia em projeção a nós, e me perguntava se estaria viva para presenciar todos eles. Eu dizia que sim, ainda que eu soubesse que alguns demorariam muito para acontecer, deseja profundamente que ela ainda estivesse ali. 

Hoje eu sei que faltará alguém quando certas coisas acontecerem. Mas, sei que embora a presença dela não se faça de forma palpável e visível, ela sempre estará perto de mim: vibrando em cada conquista e me protegendo diante das dificuldades. Assim como ela cuidou de mim quando nasci, e como ela me colocou no colo quando precisei, sei que, de onde ela estiver ela continuará cuidando de mim e me acalentando. Ela me criou pra vida (dizem que vó é segunda mãe), ela me ensinou como lutar e como enfrentar o medo, e ainda que seja sem o seu calor, sei que estarei pronta, e que simplesmente o seus ensinamentos e conselhos ressoando ao pé do meu ouvido me fará senti-la aqui (perto de mim) - pra sempre! 

sábado, 12 de maio de 2012

Histórias boas e finais ruins

da série: leiga crítica

Bom, acho que a crítica está vindo um pouco atrasada, mas tá valendo! Há um tempo, vi em cartaz um filme cujo livro inspiração eu queria muito ler, e como tenho tido experiências de que os livros são sempre melhores, me recusei a assistir o filme enquanto eu não tivesse lido o tal livro. Correria da vida, necessidade de ler outras obras primeiro, acabei deixando-o de lado, e postergando a leitura. Uma vez ou outra, o procurei nas bibliotecas que tenho acesso, por não encontrá-lo acabei cedendo ao meu desejo e me dei o livro, com mais outro, de presente de aniversário...

O menino do pijama listrado
de John Boyne

Embasado em histórias da Segunda Guerra Mundial, o autor faz uma abordagem diferente do que se está acostumado a ler sobre este respectivo tema. John Boyne de uma forma inusitada descreve a visão infantil diante da perspetiva nazista e dos horrores da guerra. Escrito em terceira pessoa, a voz do narrador se confunde com a maneira como o jovem Bruno, filho de um comandante do exercito nazista e protagonista da história, interpreta o mundo ao seu redor. A dificuldade em compreender a fonologia do título dado a Hitler e do lugar onde passam a morar, representam essa mistura e confusão utilizada pelo autor para permitir que o leitor compreenda, ainda mais profundamente, a visão da criança. 

Contada sem muitos detalhes, e desvalorizando fatos que em outros livros, com outra abordagem, seriam importantes, a história discorre rápida, fácil de ler e incrível! O jovem Bruno, junto com sua família, por ordem do Führer, são obrigados a se mudar de Berlim para uma outra casa em um país distante.  Longe de casa e dos amigos, Bruno se sente aprisionado e só. Em uma de suas tardes de exploração, porém, conhece aquele que vem a se tornar o melhor amigo de toda a sua viada: Shmuel - um menino judeu que mora do outro lado da cerca, em um campo de concentração, e possui apenas "pijamas listrados" para se vestir.

A amizade se solidificada de forma "aventureira", pois é desconhecida por todos os outros personagens do livro e é embasada pela inocência e pela ignorância das crianças, respectivamente diante dos sentimentos de bondade e do ódio criado pelos alemães em relação aos seus semelhantes. 

- se está gostando do livro e pretende lê-lo, sugiro que pare de ler esta crítica por aqui! -

A história é muito interessante e a abordagem de Boyne me surpreendeu (sugiro que leiam),  porém, o desfecho foi aquém de todas as minhas expectativas  e fiquei com a sensação de que o autor se cansou da história que havia criado e resolveu dar logo um fim aquilo tudo, ou então que foi repreendido pela censura e teve que mascarar aquilo que queria dizer (creio que não, né?! século 21??) - então fico com a primeira hipótese. O final é sem graça e sem emoção; não é exatamente previsível, mas as consequências do desfecho são superficiais e não refletem na estrutura familiar como deveriam refletir (no meu ponto de vista).

"Sem graceza" esta que é completamente posta de lado pelo diretor do filme, que utilizou uma abordagem totalmente diferente. Mark Herman, tirou a visão infantil do filme, porém não o fez hostil e com a mesma ótica dos demais, seguiu, em tese, fielmente a ideia de Boyne mas deu uma melhorada drástica no final - o que eu gostei! Herman atribuiu ao desfecho um suspense que não é perceptível em momento algum do livro e deixa claro para toda a família protagonista o que veio a acontecer com Bruno, e não só para o pai, semanas depois do fato, como ocorre no livro. 

Raridade, mas gostei mais da ótica cinematográfica do que da literária. Não gosto de histórias boas com finais ruins! 

Fica a dica: de leitura e de "filminho" pra esse friozinho bom! Quem quiser ler o livro para depois ver o filme, para poder comparar, eu tenho o livro! Mas, só empresto perante garantia que irei recebê-lo de volta! [risos]

Trailer do filme pra quem ainda não conferiu :

- Marina



segunda-feira, 23 de abril de 2012

Plágio

Sabe quando eu te acho lindo?
 Quando você diz tudo que eu precisava ouvir, mesmo sem saber!

quinta-feira, 5 de abril de 2012

 Patos de Minas, 05 de Abril de 2012

Querido amigo,

Muitos dias já se passaram desde o nosso último encontro, e me perco entre tantas coisas eu tenho pra lhe contar. Eu não me mudei para o Rio de Janeiro como você disse que era pra eu fazer; preferi ficar e continuar estudando aqui mesmo. A faculdade de Direito é boa, mas, confesso que tenho ficado decepcionada com algumas coisas. E vira e meche me pego pensando: e se eu tivesse ido?

Comecei a trabalhar também, e isso foi a melhor coisa que me aconteceu neste último ano. Estou trabalhando na "parte jurídica" de uma Cooperativa de Crédito que fica a quatro quarteirões aqui de casa, além de estar aprendendo muito, ainda me pagam bem! Não, não, eu não quis dar aula. Até peguei algumas designações de inglês lá no Tiradentes (acredita?) e fiquei uma semana dando aula para crianças no CCAA, mas, depois surgiu este emprego melhor e eu estou muito feliz!

O namorado ainda não apareceu, não [risos], acho que estou esperando ele cair do céu. Também, nem estou saindo muito, e as festas que ando indo não são do tipo onde se encontra coisa séria. E pra falar a verdade, nem sei se quero coisa séria por agora. Pra variar, eu sou uma das poucas da turminha que está solteira, e sempre sobro nas festinhas [risos]. No aniversário da Amanda, em janeiro, eu lembrei muito de você, senti sua falta lá, sabia que se você estivesse presente provavelmente estaríamos discutindo sobre as coisas intrigantes desta vida. Mas sabe que eu não me desespero?! Sempre lembro daquilo que você me disse; aquilo sobre quando a "minha pessoa" chegar, de que ela vai ser a melhor de todas, pois eu mereço a melhor pessoa do mundo.

...

Sabe amigo, muita coisa nessa vida a gente supera com o tempo. Umas a gente passa por cima, de outras a gente vira a página e muitas a gente apaga com borracha e finge que nem lembra mais. Mas, do mesmo jeito que tem coisa que são efêmeras, tem aquelas que por mais que o tempo passe, corra e voe, jamais sairão de dentro da gente.

Hoje eu não queria conversar com você sobre perda. Queria lhe escrever algo que falasse sobre momentos de alegria, que falasse de todos os momentos que tive você aqui comigo e de como eles foram especiais pra mim. Queria falar da confiança que sentia no seu abraço e da força que tinha a nossa amizade. Queria falar das nossas conversas sem segredo e de todos os sonhos que foram confidenciados. Queria falar da pureza que tinha no seu coração único e de como eu torci para que as coisas dessem certo pra você, como eu sei que você  também queria que dessem pra mim. Só que quando algo é arrancado da gente, seja de forma esperada ou inesperada, não tem como não se falar de perda, não tem como não se falar de dor, não tem como não se falar de saudade.

Quando alguém que a gente ama muito se vai, parece que fica um buraco dentro da gente. Parece que uma parte do coração explode e ele fica oco, e nada do que você faça ou tenta fazer parece funcionar. Não tem como você tapar o que está vazio, nem tentar preenche-lo com outras coisas... É como quando você perde peças do seu quebra cabeças, não adianta você recortar o molde em folha de papel sulfite, nunca vai ser a mesma coisa, não é a peça verdadeira e é a peça verdadeira que deixava tudo perfeito e é ela que vai fazer falta quando você achar que está tudo completo.

...

Amigo, nem acredito que já faz um ano. Sinto muito a sua falta. 



P.S: Queria realmente poder lhe enviar esta carta. Mas vou guardá-la junto com todas aquelas que escrevi e não mandei, naquela caixinha laranja que fica na prateleira mais alta da "biblioteca" do meu quarto. E vou ir acrescentando as novidades pra poder lhe contar e não esquecer de nenhum detalhe quando lhe encontrar de novo. 

Te amo muito, saudades ...

- Marina

domingo, 25 de março de 2012

Bicho de sete cabeças

Não, não tente entender as mulheres, você não vai conseguir. Elas seguem sua própria lógica sem lógica que nem elas mesmas conseguem definir. Não perca seu tempo. Não as rotule, não as defina, não queira generalizá-las, muito menos padronizá-las; você vai se perder nos seus próprios caminhos.

 Tem mulheres que precisam de carinho, outras não. Tem mulheres que ficam sentadas a beira do caminho esperando milagres e tem mulheres com vão a luta para conseguirem o que querem. Tem mulheres que sabem pelo que lutar, e tem aquelas que lutam por qualquer coisa.  Tem mulheres que se submetem a qualquer tipo de situação para conseguirem o que querem e tem mulheres que  sabem até onde podem ir.

Tem aquelas que vão achar você lindo com a sua barba mal feita e com seu cheiro de cansado depois do trabalho, e vão esperar você com um belo jantar, uma boa massagem e uma boa noite de amor. Mas, vão ter aquelas que não vão se importar com aquilo que você sente ou como você está, e vão repudiar a sua falta de zelo e o seu desleixo com a vida.

Tem mulheres que vão achar que você vale à pena. Outras não.

Tem aquelas que vão morrer de ciúmes dos seus amigos e vão ter outras que vão compreender perfeitamente que você precisa de um pouco de espaço. Tem aquelas que não vão aceitar seus beijos e abraços no meio das pessoas, mas, vão ter aquelas que irão se engrandecer com demonstrações públicas de carinho. Tem aquelas que vão vir fácil até você e tem aquelas que vão requerer insistência.

Tem aquelas que vão aceitar tudo aquilo que você disser ou fizer, mas, vão ter aquelas que não vão perdoar fácil seus deslizes. Tem mulheres que vão estar sempre pronta pra você, a qualquer hora do dia, esperando o estalar de dedos para se moverem. Mas, vão ter mulheres que, por mais que queiram, vão esperar que você esteja disposto a se mover até elas.

Cada mulher vai agir da sua determinada maneira particular em todas as situações comuns da vida. Então, não espere delas sempre a mesma reação. Esteja certo de que elas são um bicho de sete cabeças com mil pensamentos diferentes e de milhões de definições indefinidas.

- Eu tenho oito (eu acho), e no momento as indefinições estão chegando a casa dos bilhões. Não tenho sentado a beira do caminho e nem tenho corrido atrás de muita coisa. Se eu tenho parado e me calado, talvez não seja por medo, comodidade, ou mesquinharia, talvez, eu simplesmente não tenha sabido como agir. Ou, talvez, seja porque eu tenha aprendido que tudo que me pertence um dia chega; devagar, com paciência e sem pressa.

- Marina

domingo, 18 de março de 2012

Depois de uma noite longa de sono profundo e de sonhos mirabolantes, nada como acordar em um domingo nublado e frio; e me permitir ficar horas a ler um livro debaixo das colchas antes de me levantar da cama. Eu amo dias quentes e ensolarados, mas confesso que tenho minha paixão por dias assim acinzentados. Me traduzem um certo sentimento indecifrável e me remetem um certo desejo prolongado de deslocamento deste Novo Mundo para o mundo de lá. Não que eu ache que tenha nascido na época errada, ou no mundo errado. Mas sou loucamente vislumbrada pela história dos povos e de todas as nações; e se pudesse entraria agora em um avião e sairia por aí conhecendo cantinho por cantinho do mundo. 


Começaria pela Europa (o mundo de lá). Desembarcaria em Londres, conheceria quatro ou cinco castelos, passaria por Stratford-upon-Avon para ler algumas poesias, depois seguiria de trem até a Escócia para poder me sentir dentro de uma viagem nostálgica. Passaria brevemente pela Irlanda, e partiria para a França. Sem tempo determinado, sem roteiro, e sem muito dinheiro conheceria todos os países que já foram palcos de grandes acontecimentos. Alemanha, Rússia, Itália, se desse tempo, um pulinho na Grécia para visitar o Monte Olimpo antes de começar a viagem de volta. Passaria rapidinho na Espanha pra visitar alguns amigos e, de lá, partiria para a famosa Coimbra em Portugal. De Lisboa, pegaria uma nau e voltaria para redescobrir o Brasil. 



Os outros países da Europa ficariam para uma segunda viagem. Na terceira viagem, confesso que ficaria em dúvida entre a Ásia e a África, mas acho que acabaria preferindo as regiões montanhosas do Japão, os templos budistas e as sessões de Yôga. Nada de Tóquio e de movimento e nem de moda colorida! Depois de realizado esses sonhos, acho que deixaria o resto do mundo para os sonhos que vierem, e as outras vontades que forem surgindo.

Se eu fosse sozinha, na primeira viagem, arrumaria um amor em cada porto (ou aeroporto), e não voltaria pra contar história! Se eu fosse acompanhada, ou se ficasse perdidamente apaixonada por um estrangeiro com cara de 007 ou de herói de filme espanhol, aproveitaria todas as lareiras e todos os vinhos de Florença.

Que vontade de viajar!!!

Se tivesse um dia de calor infernal, provavelmente, eu estaria aqui sonhando com as praias do nordeste e com as cachoeiras das serras mineiras, tenho quase certeza que tenho a alma cigana, e que não me contendo com o mesmo lugar o tempo todo. Mas, como o dia está gostoso e eu estou morrendo de frio no dedinho do pé enquanto escrevo isso, quero ir imediatamente para Londres! Aproveitar que já é primavera e curtir todos os campos floridos da Europa. Confundir o brilho dos meus olhos com o brilho dos vitrais de todos os castelos e de todos os museus e realizar todos os meus sonhos de menina!