"Meu namorado imaginário tem mais ou menos a mesma idade que eu, não fuma, gosta de filosofia (pode não entender nada, mas tem que achar lindo!rs), não tem história mal-resolvida com ninguém, gosta de cinema, domingo em casa, passeio no parque, e é absolutamente encantado pela beleza das coisas pequenas.... um cheiro, um beijo, um carinho, um jasmim. Sem motivos. A gente tem um cachorro (que pode morar na casa dele, já que meu apartamento é MUITO pequeno), planos compartilhados de visitar o Oriente, plantar flores num jardim e passar férias longas em um país estrangeiro. Desses bem esquisito. A gente se entende pelo olho, pele, saliva, coração. Nosso tesão começa é na alma. Só que explode.
Meu namorado imaginário tem o sorriso mais bonito do planeta terra. E quando sorri de cantinho (disfarçando pra eu não ver que ele não gostou do meu sapato cor de melancia), eu finjo que fico brava mas na verdade eu acho lindo. E ele me abraça de um jeito que me faz sentir mais perto de Deus. E a gente se encontra naquele intervalo entre as coisas que são ditas e as coisas que as palavras não alcançam... e se transubstancia... em galáxias, cores, cometas, estrelas, incandescências... tudo ao mesmo tempo.... (imanências).
Meu namorado imaginário, às vezes vai comprar pão quentinho de manhã bem cedo, mas às vezes fica na cama ronronando feito um gatinho, cheio de manha, até tarde enquanto pede mais um dengo emburrado. E a gente se embola num aconchego gostoso de quem esqueceu que segunda é dia de trabalho... e as histórias de domingo estampam sorrisos mudos que nos escorrem pelos olhos. E a gente chora sem lágrimas. E se sente meio como numa história de cinema. Francês.
Meu namorado imaginário apóia meus sonhos, mesmo que não concorde com eles. É um homem que admiro muito mais do que consigo expressar com palavras. Tem manias tão irritantes quanto lindas que nos rendem as mais inusitadas histórias. Como ter medo de escuro ou não lavar a camisa em dia de jogo contra o Palmeiras. Ele me ensina a ser uma pessoa melhor. E me entende quando eu não consigo. Porque ninguém consegue às vezes. Nem ele.
Com meu namorado imaginário cada dia é um mergulho. E eu não preciso ter medo, porque nosso desejo é enternecer nosso universo. De um jeito que a gente não entende, mas que vibra e de repente faz tudo parecer que tem sentido. E a gente entende, como naquele texto da Marla, que encontramos leveza nas emoções que nos transbordaram porque estávamos prontos.... e escrevemos um dicionário de palavras distraídas. Adentramos no corpo de um poema recente, ainda disforme e falamos de amor usando a metáfora mais inocente... E então agradecemos profundamente por esta outra pessoa inteira, que jamais será uma metade e que, para a soma, com todas as alternativas que teve, preferiu seguir ... "ti a mim, me a ti, e tanto"...
Quando? Onde? Quem? Eu não sei. Mas talvez, como numa metáfora de cinema, o mais importante seja mesmo a jornada e não a meta.... Um dia a gente se encontra e ele me reconhece. Tenho fé em Deus."
Perto do riacho, no terceiro jatobá depois da mangueira, em um galho nem tão alto, nem tão baixo, nasceu um passarinho. Ele era pequeno, gosmento e necessitava de cuidados como todas as criaturas recém-nascidas. Era o primeiro de uma ninhada que futuramente seriam três. E por isso, a mamãe passarinho lhe dedicava todo carinho e atenção que poderia lhe dedicar.
Os dias passaram e o passarinho começou a crescer; já dava os seus primeiros passos, se alimentava sozinho e já se arriscava a dar voltas nos galhos que ficavam pertos do ninho. Hora ou outra se desequilibrava nas próprias pernas e voltava correndo para as asas da mãe, que dizia:
- Filho, não tenhas medo. Você foi feito pra voar. Quando sentir que lhe falta o equilíbrio, se jogue no vento, bata as assas e voe.
O pequeno, ainda indefeso, escondeu seu minúsculo rosto nas asas da mãe e se estremeceu de medo.
Os irmãos do passarinho, que vieram depois dele, também começaram a crescer. E também tiveram vontade de se arriscar para fora do ninho. O mais velho já conseguia se aventurar até o quinto galho, e os mais novos sagazes como eram, cada dia, também iam mais longe.
Em um dia ensolarado de verão, o pai passarinho decidiu que seria o grande dia para ensinar seus filhos a voar. A meta proposta era de que eles fossem até o topo do jatobá e de lá soltassem para um vôo libertador até o galho mais próximo da árvore vizinha. Para espanto de todos o mais velho se recusou a ir. Ficou parado, estacionado, como se alguma coisa tivesse prendido suas pequenas patas à madeira firme da árvore.
O do meio, destemido, saltou primeiro e de forma majestosa pousou na árvore seguinte. A mãe passarinho achou que a bela desenvoltura do que fora, deixaria o mais velho encorajado, mas ele de olhos lacrimosos e abaixados disse:
- Não estou pronto.
O mais novo se animou bastante e quase pulou. Mas, ainda indeciso, pediu ao pai que continuassem no outro dia.
No dia seguinte, bem cedo, a mãe tirou os três passarinhos do ninho e os levou para o galho mais alto da árvore. O do meio deu o seu vôo perfeito até a mangueira vizinha e ficou esperando a coragem dos demais. O mais velho estava se sentindo animado e disse que ia logo em seguida, mas foi o mais novo que veio de um impulso assustar e levantou vôo. Bateu, apressado, as asas, com medo de cair, mas pousou eufórico ao lado do irmão do meio. Diante da cena o mais velho se recuou, deu uma boa olhada a sua volta e saiu.
A mãe passarinho sabia, de alguma forma, que havia algo errado com o filho mais velho mas, quando foi ampará-lo ele apenas disse que sonhava em voar, porém ainda não se sentia preparado para isto.
O tempo passou e os irmãos mais novos do passarinho decidiram se aventurar pelo mundo e foram embora. O mais velho, porém ficou esperando a tal coragem brotar em seu peito. Dia ou outro, subia até a copa do jatobá e de lá ficava observando todas as árvores que haviam na mata e passava horas a imaginar o dia que conheceria todas elas. Toda semana recebia notícia dos irmãos; de como eles estavam felizes e te quantas coisas eles haviam conquistado. Sua vontade de bater as assas e voar era cada vez maior, mas mesmo assim não se sentia preparado. Achava que só a vontade não bastava, faltava algo a mais! E temia que a idade, agora, avançada já não lhe permitiria sair.
Frustrado e confuso decidiu subir mais uma vez no jatobá para decidir seu futuro. Resolveu pular. Ali, naquele ato, seria traçado seu destino: ou ele batia asas e ganhava o mundo ou ele se estatelava no chão e punha fim aquela vida medíocre de pássaro covarde. Se afastou da ponta do galho, correu para pegar impulso, mas antes de soltar, desistiu do seu ato de bravura. Teve medo, muito medo de cair.
Deste modo, voltou ao ninho. Pegou suas tralhas e se mudou para o galho de cima. Construiu uma pequena casinha e se acomodou por lá. Estava decidido: esperaria a coragem chegar, não atropelaria o tempo, esperaria a oportunidade certa de sair; mas, enquanto isto, tentaria se tornar o melhor pássaro que aquele jatobá já viu. Seria inteligente e esperto, teria o melhor ninho da região e desenvolveria técnicas para subir em árvores que, não fosse voando. Tudo que queria era não se sentir menor, nem mais fraco, nem humilhado. Queria se sentir igual e tão capaz, quanto os outros eram. E queria continuar torcendo para que algo acontecesse e mudasse tudo, para que suas assas coçassem e batessem, involuntárias, sem ele se dar conta, para que ele pudesse voar e fazer aquilo que ele veio ao mundo para fazer: viver.
Há umas duas semanas, conheci um blogue que se chama "Entenda os Homens", e achei a idéia muito legal. O autor do blogue escreve textos bem elaborados, que dizem como os homens enxergam as mulheres, como estas devem se comportar em determinadas situações e como o homem interpreta o seu próprio mundo e o universo feminino. E eu fiquei realmente tentada a criar um outro blogue, cujo título seria: "entenda as mulheres".
Não que eu queira plagiar, nem roubar a idéia. Mas, CARAMBA! Os homens de hoje precisam de ajuda! Cada dia que passa tenho mais certeza de que faço uma ótima escolha em estar solteira e de que provavelmente eu vou morrer assim. Tirando meu menino perfeito, que é imaculado, da postagem anterior, o que é que está acontecendo com os seres que se dizem do sexo masculino??!
Onde foi parar o labor com as palavras; o cuidado na hora de se aproximar; o tato; o saber conduzir?!
1° lugar: letra de funk não é poesia! Não se refira a mim como gostosa, potranca, poposuda, ou quero te comer!
2º lugar: Já estamos no século 21 e não ache que, se me tratar mal, eu vou continuar aqui! ( e ah, eu estou pouco ligando se existem mais mulheres que homem no mundo. Eu não vou me agarrar ao que eu tenho, porque está faltando exemplares no mercado!!)
3° lugar: Se você tem namorada e mesmo assim quer sair comigo; eu posso até sair! E não vou me sentir uma "meretriz" por isto. Se você não se importa com ela, quem sou eu para me importar?! (aqui, eu presto e você não, então as coisas vão ser do meu jeito!)
4°lugar: Homem tem que ser cheiroso e ter tempo pra mim. Não vem com aquela de: " passo pra te ver rapidinho depois do trabalho, não vou ter tempo outra hora!". Não venha !! Vá pra casa, tome um banho e descanse. A gente sai no sábado!
- e tão ruim, e desanimador quanto o "depois do trabalho" é o "vou correr na lagoa e depois passo aí pra te ver!" Quando eu saio da academia, eu tenho nojo até de mim. Imagina se eu não vou ter de você?!
Encerrando a parte do não faça assim, umas dicas do que fazer:
No momento "a gente está se conhecendo" dos tempos de hoje, com muito olho no olho e jogada de cabelo: quando aquela menina que você está a fim entrar no msn ou no bate-papo do face, discuta músicas; pergunte do que ela gosta (isto ainda funciona!), e não fique perguntando o tamanho da marca de biquíni dela, nem a cor da lingerie que ela está usando. Isto se faz em salas de pate-papo pornôs!!! Não que não se deva falar de sexo, ainda que de modo implícito, longe de mim querer ser uma mulher "careta", mas isso a gente fala pessoalmente, quando dá pra falar no ouvido. Quando dá pra falar brincando. Quando dá/há mais pra se fazer do que dizer...
Mas calma, colega! Ainda dá tempo de mudar e fazer algumas coisas direito! Agora, se você se enquadrou em tudo o que eu disse até o momento, a coisa ta preta! E é provável que não tenha mais chances. Mas vai a dica: quando for conversar com ela de novo, fale um pouco sobre você; e queira de fato conhecê-la (como ela é, os gostos, os desgostos e as preferências), e quando for sair com ela. Saia com ELA! Tire um tempo para vocês (vá cheiroso!), leve uma flor (pode ser roubada, não tem problema!) e diga que ficou o tempo todo esperando por aquele momento. Mulheres preferem cavalheirismo com uma pitada de mentira, do que a falta total dele! Vai por mim...
Era uma manhã azul de sábado. Se era outubro ou setembro eu não me lembro bem. Me lembro apenas, de vê-la se levantando arrastada e com preguiça de se entregar ao sol e ao cheiro doce da dama da noite que acabava de adormecer. Abriu a janela e se despiu. Deixou que a água do chuveiro a despertasse e se preparou para o dia que seria longo.
Ele devia estar em algum canto da cidade que ela não sabia. Provavelmente já devia estar desperto há horas. Devia estar com um largo sorriso no rosto, que ela ainda não conhecia, e se ocupando de coisas que são realmente importantes nesta vida.
Ela se animou depois do café. Vestiu uma roupa comum e saiu. Tinha um compromisso logo pela manhã e não podia se atrasar. Caminhou apressada até o local do evento. No caminho, se distraiu observando as crianças que alimentavam os peixes na beira do lago, e quase perdeu a hora. Quando finalmente chegou, desejou que os segundos passassem ligeiros para que ele pudesse voltar logo para casa. Levantar cedo, em um sábado, por mais que ele fosse lindo e ensolarado não era das suas preferências. E ansiou muito por mais alguns minutos de sono. Era um evento beneficiente de uma escola da região, e sendo obrigada a estar ali, não foi entusiasmada nem pelos gritos do pipoqueiro e nem pelos palhaços que animavam o grande largo ao lado da rua.
Continuou quieta, no canto que escolheu para se acomodar. Encontrou alguns amigos, conversou com alguns estranhos. No vai e vem das palavras, falou-se sobre tudo, as horas passaram ligeiras e os assuntos se estenderam. Hora ou outra, pessoas a incomodavam: ofereciam balas, rifas, cosméticos, mudas de todas as plantas e animais para a adoção. Tudo era desnecessário e supérfluo até que ele apareceu.
A abordagem foi certeira. Ele tinha lábia como todos os homens. Falou muito, mostrou-se muito. Sorriu bastante. Se não fosse aquela dúvida de interesse que ele deixou no ar, provavelmente ela não o teria olhado de novo. Teria ignorado e deixado para lá como tem feito com todos aqueles que são comumente previsíveis. Mas ele continuou a sorrir e fitá-la de longe. Na hora ela nem percebeu, mas, semanas depois desejou que todos os sorrisos e pelo menos alguns olhares, fossem, de determinada maneira, dedicados a ela.
No momento, apesar da estranheza, o reconheceu como comum a todos os outros. Inteligente, simpático, bem apresentável e galanteador. Como aqueles que sabem usar as palavras e o charme a seu favor e conquistar pessoas e espaços pelo simples prazer de conquistá-los e não com a vontade prendê-los. Por isto, desde o início, não deixou-se prender. Sorriu de leve e manteve seu coração firme, afixado a todas as coisas que já tinha visto e aprendido sobre a vida. Deixou ele ir.
Dias depois o encontrou por acaso. Percebeu-se alguns amigos em comum. E além de amigos muitas outras coisas. Conversavam pouco, quase nada. Todos os dias que se viam (por acaso) ela deixava que somente ele falasse e ficava apenas ouvindo. Gostava da maneira como ele expunha todas as coisas e de como tudo se tornava mais simples quando ele dizia. Gostava do modo como ele falava diretamente pra ela, ainda que não soubesse disso, como se adivinhasse tudo o que ela sentia e precisava ouvir.
Com o tempo, ela passou a perceber como e onde encontrá-lo. O acaso não foi mais necessário e ela passou a fazer com que os tais encontros acontecessem. Ele estaria lá, no mesmo horário. E ela poderia procurá-lo sempre que sentisse que estava pronta, ou quase pronta. Ou precisando de reparos. Para ouvi-lo apenas e se sentir melhor, completa e em paz.
Quando estava com ele, costumava fechar os olhos para ouvi-lo falar. Sentia-se como quando era criança e a mãe vinha lhe contar histórias de anjos para fazê-la dormir.
Após a primeira vez que teve a tal experiência nostálgica de completude, passou a guardá-lo com todo carinho e cuidado no seu coração. Fez questão de escolher calmamente o local onde o deixaria. Não podia permitir que ele ficasse perto demais da saída para que não escapasse na primeira aventura. Nem muito ao fundo para que não pudesse machucá-la. Sabia que certas coisas foram feitas para estar apenas no campo nas ideias, e não para se materializarem em corpos físicos.
Deve ter sonhado com ele uma ou duas vezes enquanto dormia, e se repreendeu por isso. Se permitia sonhar com ele apenas, enquanto estivesse acordada pois, assim, sabia até onde poderia ir. O imaginou algumas vezes: o vestiu com armaduras, o pintou de príncipe encantado; deu a ele uma áurea dourada e vestes de seda branca. Nunca, porém, o tirou do mundo sonhos, e nem o quis tirar. Não interprete mal nossa protagonista, meu caro leitor, ela sabe que tem coisas que são feitas para viver e que outras são feitas para sonhar. E que as vezes o sonho é melhor que a realidade, pois a realidade, na maioria das vezes, destrói a perfeição que o sonho tem.
- Marina
sempre tem uma música pra combinar com a ispiração:
Fim de ano, início de ano é sempre o mesmo ritual: é a loucura das provas finais, é o alívio das férias, é a frustração por ver o ano acabando na dúvida de que talvez você não vá atingir todos os seus objetivos e se tornar exatamente a pessoa que você gostaria de ter se tornado; e sempre tem aquele poderoso sentimento de esperança que chega com os ares do novo ano e nos enche de sonhos e expectativas.
É incrível o poder que o ano novo tem. Logicamente falando, é só um dia depois do outro com uma noite no meio. Mas, lá no fundo, parece que tem um paviozinho que acende e vai tomando conta do corpo, do ambiente, até encher todo o universo de esperança, de sonhos e de fantasias de que o ano que vai nascer será incrível.
Parece que depositamos, ainda que involuntariamente, todas as nossas frustrações no ano que passou e nos predispomos a ser diferentes, e a fazer tudo diferente, ou algumas coisas diferentes para que tudo seja perfeito.
É mágico o poder do recomeçar e do renascer que o Ano Novo tem.
Se formos fazer a retrospectiva do meu 2011, ele não foi dos piores.
Me formei em Letras logo no início do ano, um curso que me ensinou muito e me tornou uma pessoa mais crítica em relação a vida e mais segura com relação as pessoas. Tecnicamente não engoli um dicionário como me disseram pra fazer um dia, caso eu quisesse continuar com meu sonho tosco de escrever. Mas me tornei amante e eterna companheira das palavras, redescobri um talento guardado e retirei o véu do medo e da insegurança. Sinto um certo orgulho quando as pessoas me chamam de intelectual ou enviam seus textos para que eu dê minha opinião. De certo modo sinto que elas confiam em mim. Um dos dias mais incríveis do meu 2011 foi quando fui devolver alguns livros na biblioteca da faculdade e a bibliotecária chegando meu nome no sistema disse: “Marina Mundim?! É você que tem um blogue legal?!” Fiquei tão abobalhada e tão feliz que nem soube o que responder. Só disse: “eu tenho um blogue,mas não sei se ele é legal.” E ela disse: “ é você sim, adoro seu blogue!” Essas palavras me fizeram perceber que a minha escolha tinha valido a pena e que eu estava no caminho certo.
Depois de formada, resolvi começar a estudar Direito. Um curso que decidi entrar de cabeça. Não foi uma frustração com o curso anterior, como muitos pensam, e nem é mais uma tentativa de “saber o que eu quero da vida!” Foi um curso decidido por vontade e por vocação. Eu amo o que eu faço e acho que quando eu terminar este “cursinho pra concurso” vou ser uma excelente advogada. Ingressando neste novo curso, conheci pessoas incríveis e fiz alguns amigos de infância. Pessoas que se mostraram indispensáveis em muito pouco tempo de convivência e que conquistaram, sem muito esforço, o meu carinho, a minha admiração e a minha amizade.
Por falar em amigos. Fico muito feliz de ter os meus velhos amigos de guerra, entra ano, sai ano, sempre aqui comigo. Quem tem amigos de verdade nesta vida, sabe que não há distância, desavença e tempo que consiga destruir sentimentos. Ainda que esta distância não seja palpável, nem mensurável; ainda que ela seja além da vida.
No meio de coisas novas e de conquistas, meu 2011 também veio carregado de perdas. Perdi um dos meu melhores amigos em um trágico acidente e perdi um tio pelo qual tinha enorme admiração e carinho.
Em 2011, também tive que aprender a conviver com a perda da sanidade, e com limitações que eu jamais pensei que pudesse ter. Tive que aprender a andar na corda bamba, de quada-chuva fechado, rezando pra não cair. Tive que reaprender a ter fé e tive que reaprender a acreditar.
Minha vida se tornou um inverno sem flores e eu tive que reaprender a semear. Tive que reaprender a escolher o que plantar e tive que reaprender a esperar a hora certa de colher. Tive que aprender a me dominar, tive que amadurecer. Tive que aprender a enfrentar cada dor, cada medo, cada pânico com a firmeza de um adulto e não com as lágrimas de uma criança. Tive que lembrar a mim mesma que as sombras na parede são só sombras; e que o barulho ensurdecedor da sirene passando na avenida escura, não significava que eu estava perdendo alguém que eu amo. (Como eu disse eu tive que aprender a lidar com limitações que eu jamais pensei que eu pudesse ter, mas isso é tema para futuras publicações)
Em 2011, eu me rendi ao velho amor de sempre. Amei e fui amada. Fui feliz e triste e feliz e triste até que pus, definitivamente, um fim a esta palhaçada.
Conheci três homens perfeitos. Talvez um mais perfeito que os outros, mas todos perfeitos. Me apaixonei por todos eles [risos], me despi de corpo e alma e tive a certeza de que seria feliz. E fui muito feliz. Realização de sonhos, materialização de fantasias, não importa. Por um dia, um mês ou uma noite. Era eu ali, cálida, em meio a sussurros, resplendor e sorrisos.
Fechando 2011, a minha vida caiu nos eixos. Em outubro, arrumei dois empregos maravilhosos, e acabei me rendendo ao que me proporcionava melhores condições e melhor salário. Depois de ficar com medo de bombar por falta nas aulas de “Cultura e Sociedade” passei em tudo com média superior a 80% . Não estou saindo com ninguém “importante”, mas estou aproveitando bastante a minha carreira solo, e tenho gostado muito das minhas escolhas para participações especiais. De fato, depois de outubro a minha vida caiu nos eixos, não sei se havia previsões astrológicas para isto, mas, sinto como se tivesse encontrado o meu caminho de volta.
Embora, se for analisar os detalhes, 2011 não tenha sido um ano ruim. Eu, sinceramente, o detestei. E estou cheia daquela mágica esperança que me dá o ano novo. Podem pensar: “que egoísta.” Com um ano tão maravilhoso ela está aí reclamado. Mas é como se eu sentisse que dei voltas em torno de mim mesma, que não saí do lugar; é como se eu tivesse “passado um tempo andando no escuro, procurando achar as respostas, e eu era a causa e a saída de tudo”. Mas, de uma forma inexplicável, ou devido a uma força resgatada lá fundo, sinto que agora “eu cavei como um túnel o meu caminho de volta” e estou pronta pro ano que vai começar e para tudo que vier com ele, e vou entrar de cabeça erguida, de mãos postas, de olhos abertos, de ouvido atento e vestindo (sempre) o meu melhor sorriso.
É como naquela postagem “de volta para a terra do Sol” só que desta vez com mais força e com mais certeza de que tudo vai ser diferente. Afinal, 2012 vai ser o melhor ano da minha vida!!
Eu matava quem inventou esta coisa de inspiração pra escrever. Nada a ver vir coisas a sua cabeça, e frases prontas e textos inteiros sobre coisas que não te interessam mais, só porque é isso que te inspira. Queria escrever sobre política e a crise mundial. Talvez algo sobre esporte e religião. Mas aí eu teria que ter conhecimento, estudar um pouco mais e adquirir fundamentação teórica. Falar sobre aquilo que se sabe é bem mais fácil, é bem mais tranquilo e geralmente fica bem mais coerente.
Vinícius escolheu o amor, Fernando escolheu o amor, Caio escolheu o amor e Clarice escolheu o amor. Muitos deles contaram vitórias e a compatibilidade dos sentimentos, mas estes textos ou poemas nunca fizeram ou inspiraram histórias e muito menos consolaram pessoas. O que sempre ganhou as páginas dos livros, os suspiros dos apaixonados e o entendimento da maioria dos corações, foram os versos trágicos do amor não correspondido e do sofrimento diante do mundo. O sofrimento, a solidão, a carência e a desilusão diante das coisas, das pessoas e do mundo, são inspiradoras. Momentos de alegria e contentamento, geralmente são coisas que não dá pra por no papel; não da pra materializar nas palavras: é transcendente demais. É abstrato demais.
Me dá vontade de escrever com frequência, e as vezes pode ser que me julguem melancólica e mal amada. É o que penso quando leio meus autores preferidos. Sempre os vejo como pessoas caóticas que não entenderam o funcionamento do mundo; que amaram demais e não foram compreendidos. (Aqui, eu não vou falar de correspondência - porque muitas vezes se ama e é correspondido, mas ainda assim não se é compreendido. - Pra compreender o amor de um poeta, só sendo outro. Ou um louco e insensato). Os poetas sempre esperaram mais do mundo e das pessoas, e estes nunca atenderam suas expectativas.
Não sou melancólica, muito menos mal amada [risos]. Confio no meu taco; "já amei e fui amada, já fui amada e não amei, e também já amei e não fui 'compreendida' =/ ". Só que falar de noites de festa e de ‘pegação’ não é tão inspirador quanto aquela história de quando você se matou por alguém e fez tudo que podia pra poder dar certo. Já publiquei aqui no blogue fatos reais da minha vida e detalhes do meu relacionamento frustrado. Já escrevi sobre o meu medo do fracasso e não ser ninguém na vida, (já escrevi e não publiquei, sobre a minha psicose e a minha necessidade de um analista). Mas agora minha vida está tão nos eixos que eu não tenho mais inspiração pra escrever. Fiz dos meus textos uma mistura da "Tabacaria", da "Hora da Estrela", do " Soneto da separação"... e me recusei a encontrar o caminho pra "Pasárgada".
Com vontade de escrever, e totalmente perdida. Alguém tem alguma dica, ou sugestão pras próximas publicações?!
Lembra quando eu disse que amava pessoas que sabiam conversar, e discutir, eloquentemente, qualquer assusto?! Quando eu disse que o que me encantava era a inteligência e a sagacidade do ser humano?! Pois é, a cada dia que passa tenho mais certeza sobre as minhas preferências.
Na vida, a gente cresce e estabelece prioridades. A gente muda de rumo, a gente muda de companhia, a gente evolui... e passa a exigir do mundo a mesma evolução. Nunca deixei de conversar com uma criança por causa da sua "imaturidade", nem exigi a idade certa na hora de sair com alguém. O que sempre valeu pra mim, foi a idade psicológica que cada um tinha e a capacidade de saber lidar com ela. Conversar com uma criança pode ser a experiência mais incrível que se pode ter; conversar com alguém na terceira idade, mas, que conserve a alma de adolescente é encantador. No entanto, nada me decepciona mais que a ignorância disfarçada.
É ridículo, tentar conversar com alguém que não tem fundamentos e que mesmo assim, se julga superior e tenta te humilhar. É grotesco, pessoas que tentam rebaixar as outras ao seu nível para que possam tentar dialogar.
Inimizade declarada: conheci um "carinha" dias atrás (o mesmo das cantadas da postagem anterior) que me disse que eu não seria bem vinda a festa que ele estava organizando porque eu era chata e intelectual, e que ele não gostava deste tipo de pessoa. Eu sei que o real motivo do desgosto é porque eu estou saindo com o amigo dele, mas a vontade que me deu foi de dizer: claro que não! deve gostar de gente estúpida e ignorante como você. Mas seguindo a dica de alguém, preferi não discutir com o idiota, pois eu me rebaixaria ao nível dele e é provável que ele me venceria pela experiência.
Não estou aqui dizendo que quero me casar com um economista, com um historiador, com um advogado, ou com um administrador de empresas, nem que estou fechada apenas para discuções intelectuais. Deus me livre disso! O cara que eu mais amei na minha vida, me fazia rir de trinta em trinta segundos e contava as melhores e as piores piadas do mundo. Ninguém quer uma pessoa rotulada, e ninguém quer ser rotulado, também. Eu não quero ser a namorada do fortão, ou a amiga da bobinha e da boazinha, e da galinha, e da inha, e da inha. Ninguém vive de apenas um esteriótipo: todo CDF tem seu lado de fundão, toda bobinha tem seu lado esperto, toda "galinha" tem seu lado romantico; todo pegador tem seu lado carente e todo carente tem seu lado durão.
O que tem pra hoje: Seja uma pessoa aberta e receptiva, sempre! Conheça todo tipo de pessoa, e tenha um pouquinho de cada uma delas dentro de você. Seja você mesmo! E seja lá quem for, seja muito FELIZ!
- Marina
domingo, 6 de novembro de 2011
"Uma vez eu disse que a nossa diferença fundamental é que você era capaz apenas de viver as superfícies, enquanto eu era capaz de ir ao mais fundo, você riu porque eu dizia que não era cantando desvairadamente até ficar rouca que você ia conseguir saber alguma coisa a respeito de si própria, mas sabe, você tinha razão em rir daquele jeito porque eu também não tinha me dado conta de que enquanto ia dizendo aquelas coisas eu também cantava desvairadamente até ficar rouco, o que eu quero dizer é que nós dois cantamos desvairadamente até agora sem nos darmos contas, é por isso que estou tão rouco assim, não, não é dessa coisa de garganta que falo, é de uma outra de dentro, entende? Por favor, não ria dessa maneira nem fique consultando o relógio o tempo todo, não é preciso, deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente, você não cresceria se eu a mantivesse presa num pequeno vaso, eu compreendi a tempo que você precisava de muito espaço....
[...]
Não sei, não me interrompa agora que estou quase conseguindo, disponível só, não é uma palavra bonita? Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende? Dolorido-colorido, estou repetindo devagar para que você possa compreender."
Para uma avenca partindo - Caio F. Abreu
Um dia desses, eu brinquei, sentada em uma mesa bar, que eu me parecia muito com os poetas antigos. Não na grandeza no labor com as palavras, mas nas dimensões do amor que eles sentiam. É sério, há textos que são extremamente catárticos pra mim, e as vezes eu sinto que foram escritos para que eu lesse; ou que foram escritos em situações exatamente idênticas as que eu vivo. Mas, ainda que estranho nesse contexto atual de modernidade superficial, eu gosto desta história de amar demais. Dessa história de amar profundo. Não gosto de amar na superfície, de colocar só o pé na lama. Se é pra me lambuzar, eu me lambuzo por inteiro. E me alegro por inteiro ou morro de tristeza por inteiro. Não gosto de nada que seja pela metade: beijo pela metade, abraço pela metade, sorriso pela metade. Faz assim?! Se for pra sorrir, mostre os dentes. Se for pra abraçar, abraçe apertado. Se for pra beijar, beije demoramente. Gosto muito de um trecho da música da Vanessa da Mata que diz: "quero beijos intermináveis até que os meus olhos mudem de cor".. eu acho que é por aí. É extremo!! O complicado de se viver assim é que sempre se está a beira do risco. Você pode ter a sorte de também ser amada demais e aí sentir que tudo vai dar certo, ou então você pode amar demais, querer demais, sonhar demais, e nunca encontrar alguém que esteja disposto a ser tão demais, quanto você gostaria que fosse. O complicado de se viver assim, é sempre ter menos do que aquilo que se procura, e acabar tendo que se contetar com aquilo que vier.
Uma vez, conheci um rapaz que trocava de chapéu toda vez que trocava de namorada.
Um dia, ele chegou com um chapéu novo para me apanhar depois do colégio. Neste instante, percebi que o nosso relacionamento estava chegando ao fim. Depois deste dia duramos nada mais que alguns abraços e poucos beijos.
Como ele sempre passa no meu caminho, não pude deixar de notar que ele já trocou de chapéu três vezes. Já foi branco, já foi cinza e agora é preto. Me pergunto se a qualidade dos relacionamentos tem piorado gradativamente.
Encontrei este fragmento enquanto estava lendo meu caderninho de rascunhos. Achei muito engraçado quando reli [risos]. Pude perceber o quanto as mulheres podem ser divertidas quando estão com raiva, ou com ciúmes [risos]. Não pude deixar de postá-lo.
Demorei um pouco para me deslocar da minha comodidade e ir a uma das peças do Festival de Teatro, acho que porque eu sabia que o tapa que eu ia levar na cara ia ser imenso.
Cheguei cansada de viagem na quinta-feira e não tive ânimo. Na sexta quis ir ao cinema com um amigo do tempo de colégio, e quando fui trocar os alimentos não perecíveis pelos ingressos das peças que queria assistir, muitos deles já haviam acabado. Por sorte consegui ir a uma peça, Deus e o Diabo na terra do Sol, de uma universidade cujos grupos de teatro sempre me encantam. Dessa vez não seria diferente...
Porém, creio que o efeito devastador teria sido o mesmo, o bofetão teria sido tão forte e tão dolorido como foi, independente do espetáculo. Como disse, acho que adiei tanto porque sabia exatamente como iria ser.
Quando entrei no teatro, abriram-se as cortinas e a peça começou, eu estava diante de tudo aquilo que eu fui e não era mais. De todos os meus sonhos, de todas as minhas vontades, de todos os meus gostos e de tudo aquilo que eu amo. Não só o palco e o teatro, mas tudo mesmo, que venho abrindo mão ao longo dos anos. Estava diante de mim, lá atrás, crente e feliz!
A questão não foi só relembrar o tempo em que a cena também era minha, os gestos eram meus, as caras e bocas faziam parte do jogo e os aplausos também eram pra mim. A questão foi lembrar como tenho deixado que as coisas aconteçam, como tenho permitido a vida passar, como tenho mentido pra mim mesma, como tenho colocado obstáculos pra tudo, como tenho deixado de viver e apenas existido. Existido na esperança de que algo aconteça, de que o roteiro, de alguma forma, talvez seja mudado.
A questão foi perceber como não tenho me aceitado exatamente como eu sou, e de como tenho me agarrado às perdas e às frustrações da vida e de como tenho deixado as vitórias de lado, como se fossem obrigações, conseqüências e não algo realmente relevante.
A questão foi redescobrir, ou “reperceber” que eu ainda tenho todos os sonhos do mundo; e que está na hora de virar a página. Mas, não a página dos velhos amores, dos velhos amigos ou das velhas profissões, não é isso! Está na hora de virar a página de mim mesma, de me recriar, de me “redirigir”.
Reentrar em um lugar onde fui tão feliz, me fez perceber o quanto tenho sido tola. Ver meu sorriso lindo no espelho quando cheguei em casa, fez com que eu me amasse de novo.
Não tenho gostado do que venho me tornando. Desde o início deste ano acho que tenho querido inverter a ordem das coisas e tenho metido os pés pelas mãos: deixei de confiar nas pessoas e deixei de confiar em mim; ignorei quem eu sempre fui, virei as costas para minhas qualidades e quis exigir do mundo aquilo que nem eu estava me oferecendo: oportunidades.
Me fechei nas minhas imperfeições e construí o meu mundo: “fechado para visitações”. Mandei quem estava nele ir embora e não permiti que mais ninguém se aproximasse. Passei a me sentir autossuficiente e péssima companhia. Paradoxal. O mundo era meu, mas não me pertencia; caminhava sobre ele feito alguém que anda porque tem pés e pernas, mas, não sabe para onde vai. Mirava algo a anos luz que me traria “a” felicidade, mas ignorava o meu momento feliz. Deixei de curtir o meu momento para fazer outras pessoas felizes, deixei de fazer as minhas escolhas para viver o que escolhiam pra mim, deixei de acreditar que daria certo porque outras pessoas diziam que não daria.
Olhando para trás, acho que há quatro anos não me preocupo mais com o que eu quero e acabo me contentando com o que os outros, ou com o que o “destino” quer pra mim.
Quando saí na sexta com meu amigo de colégio, depois de muita conversa, ele me disse que eu era a errada da história, embora eu tivesse dificuldades para enxergar e admitir isto.
Então, eu admito. Estou errada. E tenho errado há anos. Tenho sido ignorante diante de como a vida realmente funciona: não estou no centro do palco e nem vou ser aplaudida sempre; vou esquecer as minhas falas de vez em quando , e vou “quebrar a pena” algumas vezes, mas o que realmente importa é que eu sempre vou ser a melhor atriz, da melhor forma que eu puder ser, da minha peça. Porque o espetáculo é só meu! Pertence apenas a mim. E me apetece fazer o roteiro e saber lidar com os improvisos.
Está na hora de me aprofundar nos orifícios da minha consciência e de redefinir o meu mundo. Que venha a vida real, com todos os meus medos e apreensões...
Virei a página e comecei a me reescrever. Espero que agora eu use as cores certas e dê o tom quem de fato deva dar, para que eu volte a me amar, como estou me amando neste momento e como, durante tanto tempo, me amei.
No início dessa semana, resolvi acompanhar minha mãe em uma viagem ao interior de São Paulo, para visitar meu irmão. Como toda viagem, esta também aconteceu coisinhas intrigantes que vou compartilhar com vocês...
Fazia dias que não chovia por aqui. Saímos logo depois do almoço no domingo e o sol estava de matar, pegamos uma estrada nova que vai para Uberaba e minutos depois o clima começou a mudar. Eu achei muito engraçado porque me veio a cabeça uma lembrança inusitada e eu passei a me sentir parte de uma pintura do Van Gogh [risos]. A estrada estava deserta, a paisagem era composta por capim seco de ambos os lados e o céu estava "preto" de chuva, me senti literalmente dentro do quadro Campo de Trigo (sem corvos) do Van Gogh. Viajei dentro desse quadro por quase uma hora, até que o céu veio a baixo e borrou toda a pintura com a sua chuva torrencial.
Chegamos em São Carlos já era noite e eu estava exausta. Meu irmão é estudante universitário e mora em um quartinho de mais ou menos 20 m² muitos sedutores e eu me atirei em um cochãozinho por ali mesmo e "capotei". A noite foi tranquila e com muita chuva. Aproveitei que estava a quilômetros de distância de todos os meus problemas, sem net e sem ninguém conseguir me achar no celular (porque eu estava sem créditos e não dava pra cobrar deslocamento, hehe ), para hibernar e dormi por horas e horas... Minha mãe resolveu me tirar da cama, assim que a chuva parou, para irmos dar uma voltinha pela cidade. São Carlos é uma cidade muito engraçada, ela é dividida, creio que não intencionalmente, em setores. Se você está na seção loja de roupa, você não vai encontrar farmácias, se você estiver na seção farmácia, você não vai encontrar lojas de calçados, e se você quiser ir a um banco, todos, de todas as agências, estarão na mesma rua. "Batemos pernas" a tarde inteira e fizemos algumas compras - detalhe, Patos de Minas é uma cidade onde compramos coisas a preço de ouro, vá a São Carlos de malas vazias e faça a festa!
Na hora de voltarmos pra casa, meu irmão, sugeriu que passássemos por dentro da Universidade para conhecermos o Campus, ele estava empolgado e queria mostrar cada detalhe. A USP de São Calos é linda - enorme, mas linda - e foi realmente muuito divertido conhecer TODOS os detalhes. Já ouvi dizer que Patos é a cidade das mulheres bonitas, se existe este conceito, definitivamente São Carlos - pelo menos nas imediações universitárias - é a cidade dos homens lindos. Quase desfiz minhas malas e fiquei por ali mesmo. Estatisticamente falando, enquanto aqui há dois homens bonitos para cada dez, lá há sete lindos e três "pegáveis" para cada dez [risos]. Como carne nova no pedaço é sempre carne nova no pedaço, estava me sentindo a última coca-cola do paraíso! [mais risos]
De volta ao quartinho do meu irmão hibernei novamente por horas e horas até o dia seguinte. No qual hibernei por mais horas e horas. Estou com serias dificuldades para dormir aqui em casa e acho que queria tirar o atraso, não podia ver um cantinho um pouco chamativo que me acomodava e em minutos estava "roncando" . Só saí de casa na terça-feira, porque choveu o dia todo, para ir até a padaria da esquina tomar um café (bem forte) pra criar vergonha na cara e ficar acordada.
No dia seguinte era dia das crianças e fomos pro parque da cidade, caminhar debaixo do sol e ver os bichinhos do Zoológico. Achei um máximo! O urso sabia que era estrela e ficava fazendo pose pra platéia, os macacos eram hiperativos, a onça pintada era linda, e eu vi em tempo real o nascimento de uma Ema. Mas a parte mais legal, foi o cantinho da Patagônia, onde tinha vários animais que eu nunca tinha visto "pessoalmente". Os pinguis estavam com calor ( eu tenho certeza), as Alpacas estavam com vergonha e não apareceram, já as Lhamas estavam sem vergonha e aproveitaram para dar uma demonstração de sexo selvagem [ muitos, muitos risos] !! As gaivotas estavam estressadas e os Guanacos estavam na deles, acho que pelo fato de que ninguém conseguiu compreender a real diferença entre um Guanaco e uma Lhama.
Fim do dia divertido começou a choradeira da minha mãe, inconsolada de deixar o filho pra trás. Pegamos o ônibus para Ribeirão Preto as oito da noite. Antes de embarcar, lá na rodoviária mesmo, já havia notado a presença uma menina muito escandalosa a uns dois metros da gente, quando a criatura entrou no ônibus, o mesmo que o meu, pude perceber que ela estava completamente drogada - ela não parava de rir nenhum minuto, conversava, muito alto, com sua amiga de poltrona e eu tive que ouvir ela contar umas três vezes a piada do pintinho maconheiro que não estava " tintindo nada " .
Daqui pra frente não aconteceu nada de mais na minha viagem. Chegamos em Ribeirão as 21:30 mais ou menos, e ficamos esperando o ônibus até as 00:40. Na rodoviária não tinha nada de divertido pra fazer e eu fui ensinar minha mãe a jogar Sudoku no celular [foi hilário]. Chegamos a Patolândia umas nove horas da manhã, e adivinhem, não consegui mais dormir direito...