Uma vez, conheci um rapaz que trocava de chapéu toda vez que trocava de namorada.
Um dia, ele chegou com um chapéu novo para me apanhar depois do colégio. Neste instante, percebi que o nosso relacionamento estava chegando ao fim. Depois deste dia duramos nada mais que alguns abraços e poucos beijos.
Como ele sempre passa no meu caminho, não pude deixar de notar que ele já trocou de chapéu três vezes. Já foi branco, já foi cinza e agora é preto. Me pergunto se a qualidade dos relacionamentos tem piorado gradativamente.
Encontrei este fragmento enquanto estava lendo meu caderninho de rascunhos. Achei muito engraçado quando reli [risos]. Pude perceber o quanto as mulheres podem ser divertidas quando estão com raiva, ou com ciúmes [risos]. Não pude deixar de postá-lo.
Demorei um pouco para me deslocar da minha comodidade e ir a uma das peças do Festival de Teatro, acho que porque eu sabia que o tapa que eu ia levar na cara ia ser imenso.
Cheguei cansada de viagem na quinta-feira e não tive ânimo. Na sexta quis ir ao cinema com um amigo do tempo de colégio, e quando fui trocar os alimentos não perecíveis pelos ingressos das peças que queria assistir, muitos deles já haviam acabado. Por sorte consegui ir a uma peça, Deus e o Diabo na terra do Sol, de uma universidade cujos grupos de teatro sempre me encantam. Dessa vez não seria diferente...
Porém, creio que o efeito devastador teria sido o mesmo, o bofetão teria sido tão forte e tão dolorido como foi, independente do espetáculo. Como disse, acho que adiei tanto porque sabia exatamente como iria ser.
Quando entrei no teatro, abriram-se as cortinas e a peça começou, eu estava diante de tudo aquilo que eu fui e não era mais. De todos os meus sonhos, de todas as minhas vontades, de todos os meus gostos e de tudo aquilo que eu amo. Não só o palco e o teatro, mas tudo mesmo, que venho abrindo mão ao longo dos anos. Estava diante de mim, lá atrás, crente e feliz!
A questão não foi só relembrar o tempo em que a cena também era minha, os gestos eram meus, as caras e bocas faziam parte do jogo e os aplausos também eram pra mim. A questão foi lembrar como tenho deixado que as coisas aconteçam, como tenho permitido a vida passar, como tenho mentido pra mim mesma, como tenho colocado obstáculos pra tudo, como tenho deixado de viver e apenas existido. Existido na esperança de que algo aconteça, de que o roteiro, de alguma forma, talvez seja mudado.
A questão foi perceber como não tenho me aceitado exatamente como eu sou, e de como tenho me agarrado às perdas e às frustrações da vida e de como tenho deixado as vitórias de lado, como se fossem obrigações, conseqüências e não algo realmente relevante.
A questão foi redescobrir, ou “reperceber” que eu ainda tenho todos os sonhos do mundo; e que está na hora de virar a página. Mas, não a página dos velhos amores, dos velhos amigos ou das velhas profissões, não é isso! Está na hora de virar a página de mim mesma, de me recriar, de me “redirigir”.
Reentrar em um lugar onde fui tão feliz, me fez perceber o quanto tenho sido tola. Ver meu sorriso lindo no espelho quando cheguei em casa, fez com que eu me amasse de novo.
Não tenho gostado do que venho me tornando. Desde o início deste ano acho que tenho querido inverter a ordem das coisas e tenho metido os pés pelas mãos: deixei de confiar nas pessoas e deixei de confiar em mim; ignorei quem eu sempre fui, virei as costas para minhas qualidades e quis exigir do mundo aquilo que nem eu estava me oferecendo: oportunidades.
Me fechei nas minhas imperfeições e construí o meu mundo: “fechado para visitações”. Mandei quem estava nele ir embora e não permiti que mais ninguém se aproximasse. Passei a me sentir autossuficiente e péssima companhia. Paradoxal. O mundo era meu, mas não me pertencia; caminhava sobre ele feito alguém que anda porque tem pés e pernas, mas, não sabe para onde vai. Mirava algo a anos luz que me traria “a” felicidade, mas ignorava o meu momento feliz. Deixei de curtir o meu momento para fazer outras pessoas felizes, deixei de fazer as minhas escolhas para viver o que escolhiam pra mim, deixei de acreditar que daria certo porque outras pessoas diziam que não daria.
Olhando para trás, acho que há quatro anos não me preocupo mais com o que eu quero e acabo me contentando com o que os outros, ou com o que o “destino” quer pra mim.
Quando saí na sexta com meu amigo de colégio, depois de muita conversa, ele me disse que eu era a errada da história, embora eu tivesse dificuldades para enxergar e admitir isto.
Então, eu admito. Estou errada. E tenho errado há anos. Tenho sido ignorante diante de como a vida realmente funciona: não estou no centro do palco e nem vou ser aplaudida sempre; vou esquecer as minhas falas de vez em quando , e vou “quebrar a pena” algumas vezes, mas o que realmente importa é que eu sempre vou ser a melhor atriz, da melhor forma que eu puder ser, da minha peça. Porque o espetáculo é só meu! Pertence apenas a mim. E me apetece fazer o roteiro e saber lidar com os improvisos.
Está na hora de me aprofundar nos orifícios da minha consciência e de redefinir o meu mundo. Que venha a vida real, com todos os meus medos e apreensões...
Virei a página e comecei a me reescrever. Espero que agora eu use as cores certas e dê o tom quem de fato deva dar, para que eu volte a me amar, como estou me amando neste momento e como, durante tanto tempo, me amei.
No início dessa semana, resolvi acompanhar minha mãe em uma viagem ao interior de São Paulo, para visitar meu irmão. Como toda viagem, esta também aconteceu coisinhas intrigantes que vou compartilhar com vocês...
Fazia dias que não chovia por aqui. Saímos logo depois do almoço no domingo e o sol estava de matar, pegamos uma estrada nova que vai para Uberaba e minutos depois o clima começou a mudar. Eu achei muito engraçado porque me veio a cabeça uma lembrança inusitada e eu passei a me sentir parte de uma pintura do Van Gogh [risos]. A estrada estava deserta, a paisagem era composta por capim seco de ambos os lados e o céu estava "preto" de chuva, me senti literalmente dentro do quadro Campo de Trigo (sem corvos) do Van Gogh. Viajei dentro desse quadro por quase uma hora, até que o céu veio a baixo e borrou toda a pintura com a sua chuva torrencial.
Chegamos em São Carlos já era noite e eu estava exausta. Meu irmão é estudante universitário e mora em um quartinho de mais ou menos 20 m² muitos sedutores e eu me atirei em um cochãozinho por ali mesmo e "capotei". A noite foi tranquila e com muita chuva. Aproveitei que estava a quilômetros de distância de todos os meus problemas, sem net e sem ninguém conseguir me achar no celular (porque eu estava sem créditos e não dava pra cobrar deslocamento, hehe ), para hibernar e dormi por horas e horas... Minha mãe resolveu me tirar da cama, assim que a chuva parou, para irmos dar uma voltinha pela cidade. São Carlos é uma cidade muito engraçada, ela é dividida, creio que não intencionalmente, em setores. Se você está na seção loja de roupa, você não vai encontrar farmácias, se você estiver na seção farmácia, você não vai encontrar lojas de calçados, e se você quiser ir a um banco, todos, de todas as agências, estarão na mesma rua. "Batemos pernas" a tarde inteira e fizemos algumas compras - detalhe, Patos de Minas é uma cidade onde compramos coisas a preço de ouro, vá a São Carlos de malas vazias e faça a festa!
Na hora de voltarmos pra casa, meu irmão, sugeriu que passássemos por dentro da Universidade para conhecermos o Campus, ele estava empolgado e queria mostrar cada detalhe. A USP de São Calos é linda - enorme, mas linda - e foi realmente muuito divertido conhecer TODOS os detalhes. Já ouvi dizer que Patos é a cidade das mulheres bonitas, se existe este conceito, definitivamente São Carlos - pelo menos nas imediações universitárias - é a cidade dos homens lindos. Quase desfiz minhas malas e fiquei por ali mesmo. Estatisticamente falando, enquanto aqui há dois homens bonitos para cada dez, lá há sete lindos e três "pegáveis" para cada dez [risos]. Como carne nova no pedaço é sempre carne nova no pedaço, estava me sentindo a última coca-cola do paraíso! [mais risos]
De volta ao quartinho do meu irmão hibernei novamente por horas e horas até o dia seguinte. No qual hibernei por mais horas e horas. Estou com serias dificuldades para dormir aqui em casa e acho que queria tirar o atraso, não podia ver um cantinho um pouco chamativo que me acomodava e em minutos estava "roncando" . Só saí de casa na terça-feira, porque choveu o dia todo, para ir até a padaria da esquina tomar um café (bem forte) pra criar vergonha na cara e ficar acordada.
No dia seguinte era dia das crianças e fomos pro parque da cidade, caminhar debaixo do sol e ver os bichinhos do Zoológico. Achei um máximo! O urso sabia que era estrela e ficava fazendo pose pra platéia, os macacos eram hiperativos, a onça pintada era linda, e eu vi em tempo real o nascimento de uma Ema. Mas a parte mais legal, foi o cantinho da Patagônia, onde tinha vários animais que eu nunca tinha visto "pessoalmente". Os pinguis estavam com calor ( eu tenho certeza), as Alpacas estavam com vergonha e não apareceram, já as Lhamas estavam sem vergonha e aproveitaram para dar uma demonstração de sexo selvagem [ muitos, muitos risos] !! As gaivotas estavam estressadas e os Guanacos estavam na deles, acho que pelo fato de que ninguém conseguiu compreender a real diferença entre um Guanaco e uma Lhama.
Fim do dia divertido começou a choradeira da minha mãe, inconsolada de deixar o filho pra trás. Pegamos o ônibus para Ribeirão Preto as oito da noite. Antes de embarcar, lá na rodoviária mesmo, já havia notado a presença uma menina muito escandalosa a uns dois metros da gente, quando a criatura entrou no ônibus, o mesmo que o meu, pude perceber que ela estava completamente drogada - ela não parava de rir nenhum minuto, conversava, muito alto, com sua amiga de poltrona e eu tive que ouvir ela contar umas três vezes a piada do pintinho maconheiro que não estava " tintindo nada " .
Daqui pra frente não aconteceu nada de mais na minha viagem. Chegamos em Ribeirão as 21:30 mais ou menos, e ficamos esperando o ônibus até as 00:40. Na rodoviária não tinha nada de divertido pra fazer e eu fui ensinar minha mãe a jogar Sudoku no celular [foi hilário]. Chegamos a Patolândia umas nove horas da manhã, e adivinhem, não consegui mais dormir direito...
"Pois assim penso: que cada um tem uma missão na vida, que cada um nasceu para uma coisa diferente, um encargo que um dia ele saberá qual é. Uns para amar, outros para serem amados, outros para viver apenas e cumprir o que a natureza nos pede, outros para nos fazer sofrer, e outros ainda não para viver, mas para dedicar a alguns a sua vida, mesmo que esta não tenha valor algum, mesmo que se seja para carregar uma lamparina somente, mas que seja com tão imenso amor, que ela se torne o Sol a todas as montanhas. "
A Lanterna Mágica de Jereminas - Luís André Nepomuceno
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Diferente de Steve Jobs, eu sempre fiz as escolhas erradas..
a UFRJ me quer !!!
Hoje quando entrei no e-mail havia cinco, 5 , e-mails da UFRJ que dizia:
"No próximo dia 11/10/2011 ( terça- feira), às 18:30, na sala 407, será realizada prova de monitoria para a disciplina Direito do Trabalho. Os interessados deverão comparecer na referida data para a realização da prova, não sendo necessária prévia inscrição. "
# Se a UFRJ não parar de me mandar e-mails com propostas de uma "vida melhor", eu vou pular da ponte do Rio Paranaíba! ..
- Como hoje a primeira coisa que fiz na hora que entrei na net foi assistir ao discurso do Steve Jobs para os recem formados em Stanford, ainda estou com a esperança de que os pontos sejam ligados lá na frente ... =/
"Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também.Tá me entendendo? Eu sei que sim. Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também! Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade! Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica. Aprendo a pescar, se precisar. Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena.
Remar.
Re-amar.
Amar. "
hahahaha.. texto informalíssimo, escrito a pedidos! É, agora faço textos por encomenda! =)
Pra começar é bom que algo fique bem claro: as mulheres são extremistas, ou 8 ou 80, mas não esperam dos homens a mesma atitude. É aquela coisa do meio termo, que eu não gosto tanto, mas que quase sempre é o ideal. Deixa eu explicar: mulheres não gostam de caras que correm atrás, mas também não gostam de caras que desaparecem. Mulheres não gostam de homens sem atitude, mas abominam homens que não respeitam os limites, entenderam mais ou menos a ideia?!
Pra conquistar uma mulher é muito simples. Eu já disse isso aqui em textos anteriores, 'tudo o que as mulheres querem são homens inteligentes, que saibam ser divertidos com frequência, sérios quando conveniente, sistemáticos quase nunca, discretos quase sempre e brutos quando necessário'. As mulheres admiram homens inteligentes, divertidos e discretos. E as mulheres, sem generalizar, não gostam de tomar a iniciativa. E homens, estejam certos disso: as vezes você já fez tudo o que devia fazer e a garota já está na sua, ainda que você não saiba. Então, não se sinta rejeitado antes de agarrá-la pelo braço encostá-la na parede e dizer: (bom, você não precisa dizer nada se não quiser!^^). Seja corajoso, ainda que não esteja certo da reciprocidade da vontade. Se você acha que vale a pena tentar, o que é um tabefe na cara ??
Toda aquela bobajada de romantismo também é sempre muito válida. Flores, chocolates e demonstrações públicas de carinho abalam qualquer coração enrijecido. A mulher gosta de pensar que é a única mulher do mundo; então, demonstração pública de carinho vai convencê-la de que ela é especial, em relação as outras, e de que você não tem problema nenhum em demonstrar "pro mundo" o que você sente por ela.
Outra coisa: as mulheres gostam de saber onde estão pisando, e geralmente, gostam de chão firme. Elas quase nunca trocam o certo pelo duvidoso.
A estrada pode ser um pouco longa, mas não é complicada. Conquistar uma mulher é muita fácil, basta querer. Se sentir que vale a pena, vá em frente.. os degraus estão aí ...
Ela estava sentada no canto esquerdo, no fundo da sala escura a admirar a lareira mais adiante. O fogo ardia dolorosamente tentando irradiar calor e deixar o local mais aconchegante. Ela se enrolou em si mesma buscando uma posição confortável. Passou os braços pelos joelhos, puxou a colcha para cima dos ombros e ficou a observar o fogo. Ele flamejava como se fosse o ser mais importante do universo, como se fosse o início e o fim de tudo – e soubesse disso. A lenha havia sido colocada há bastante tempo, mas as chamas ainda eram fortes e onipotentes.
Ela se espremeu ainda mais contra a parede buscando calor. Sentiu suas costas baterem no concreto em estado de congelamento e se encolheu como um aracnídeo perto da morte. Fechou os olhos com dor, mas se recusou a ir em frente. Espremeu-se ali o máximo que pode, até ficar totalmente encoberta pela escuridão da sala. Enrolou-se na colcha como se fizesse um casulo. Sentiu-se protegida. Tendo apenas os olhos a mostra, voltou a admirar o fogo.
Logo, logo sentiu a comodidade que a segurança trazia, esqueceu-se do fogo, que agora soltava labaredas azuis e quase alcançava o topo da lareira, e adormeceu.
Teve sonhos tumultuados. Sonhou que caminhava por uma gigantesca estrada sem fim e sem pessoas, onde as laterais pareciam abismos e onde todas as bifurcações – ou atalhos para o nada – levam-na até um colossal labirinto de fogo. Não teve medo. Quando se viu diante de algo tão grandioso e sublime foi tomada por um enorme contentamento. Teve vontade de se atirar às chamas e se entregar ao brilho e ao calor que dali emanava. Colocou nas chamas, em primeiro momento, as mãos; ao sentiu algo gostoso percorrer seus dedos, colocou os pés, as pernas, os lábios e o corpo inteiro. Sentiu-se fogo, como se a partir daquele momento fossem um único ser. Seus sentimentos vacilaram e foram se transformando a medida que o fogo ia rompendo a pele e dominando seu íntimo. Sentiu primeiro, exultação, depois confiança. Talvez algo parecido com fervor, e por último – antes do fim – sentiu amor.
Nunca se sentira tão feliz e tão amada. Pensou que o dominaria. Não havia mais ninguém ali, e o fogo, de agora e em diante, seria só dela.
Porém, antes que pudesse repetir este pensamento, algo aconteceu. As coisas já não eram mais tão seguras quanto antes; sentiu o fogo condensar e começar a queimar seu corpo. Já não havia mais pés nem mãos, o seu peito ardia flamejante e a fumaça começou a sufocá-la. Lutou para sair dali, mas estava tão envolvida pelas chamas que todo esforço foi em vão.
Minutos depois, despedaçada em pó e cinzas, perdeu os sentidos.
Acordou de volta na sala escura debatendo-se contra o chão, retirando as colchas em busca de ar. Estava tendo este pesadelo de forma tão freqüente que nem se sentiu aliviada ao se perceber ali. Sem demoras voltou-se ao trabalho de se manter aquecida.
Viu-se ali, presa e sem saída. A sala não tinha portas, nem janelas. Não havia nada ali a não ser ela, a lareira, a escuridão e o medo. Permaneceu trancada naquele mundo por meses, talvez anos. O inverno se tornava cada vez mais rigoroso e apenas os trapos velhos que a cobriam já não a mantinham mais aquecida... Então, lutou contra a definição que fizera antes, teve uma briga ferrenha com seu orgulho e teve que decidir entre a vida afortunada e a morte gradativa e inevitável.
Libertou-se do seu casulo e da sua fortaleza, retirou as armaduras e abriu o peito; ergueu a cabeça e foi adiante. Um pé de cada vez, uma superação de cada vez, até que chegou ao pé da lareira. Ao sentir o calor, percebeu seu coração se inquietar e uma aconchegante onda percorrer seu corpo. Hesitou por um momento, ainda na dúvida, decidiu dar mais um passo. Sentiu-se salva. Mesmo diante do perigo sentiu-se protegida. Entendeu, finalmente, que o fogo estaria sempre ali, numa materialização de abrigo: das coisas, do cheiro e do abraço. Jurou não se aproximar demais, nem tentar dominá-lo. O deixaria livre, alimentaria as chamas e não fugiria dele. Nunca mais!
Na maioria dos dias, quando levanto a tempo, gosto de assistir o Bom Dia Brasil. Uma porque na hora do Jornal Nacional estou na faculdade e outra, porque acho as reportagens desse mais interessantes e menos sensacionalistas. Mas, hoje, eu fiquei muito chateada quando fizeram a chamada para os Esportes e o âncora responsável disse:
“E ontem na final da Copa América de Basquete, a Argentina não deu chances para o Brasil e venceu por 80 a 75. Ambos já estavam classificados
para as Olimpíadas de 2012”.
Enquanto ele narrava esta pequena ‘manchete’, as imagens do jogo iam passando ao fundo. Depois de terminar ele disse: “E nessa quarta-feira tem amistoso, Brasil e Argentina” chamada esta para uma imensa reportagem, com entrevistas com os jogadores que estavam chegando no hotel em Córdoba e tudo mais.
Eu olhei pra TV e pensei: meu Deus! Fico muito indignada de pertencer, de forma tão taxativa, ao país do futebol.
Sem desmerecer todo o mérito que, no passado, a Seleção Brasileira de Futebol tinha, e toda a alegria que já deram para o nosso país, mas já está passando da hora de perceberem que o Brasil também já se tornou o país do Volei, do Basquete, da Natação, do Judô, do Salto com varas, do Atletismo e de tantos outros.
Ontem nada mais era que a final da Copa América de Basquete, e o jornalista tirou todo o mérito de uma seleção que, mesmo sem incentivo, lutou até o final para ser campeã! Não teve nada disso de que a Argentina não deu chances pro Brasil. O Brasil, sim, que apertou de mais a Argentina.
Como as coisas, de verdade, aconteceram:
Como a seleção brasileira estava em festa, depois de conseguirem a classificação para as Olimpíadas, todos os jogadores chegaram ao jogo com a sensação de dever cumprido. De visual novo (e eu me recuso a dizer que é à la Neymar, porque não foi o Neymar que inventou o moicano) não levaram o primeiro quarto muito a sério, e deixaram a Argentina abrir dez pontos de vantagem. Depois, porém, o Brasil resolveu jogar. Chegou a virar o jogo e disputou ponto a ponto com a Argentina até o último quarto. O final do jogo foi realmente emocionante (gente, eu vi o jogo!), o Brasil teve chances reais de ganhar, e fizeram tudo que podiam; aproveitando dos erros argentinos e fazendo valer o talento dessa nova geração do basquetebol brasileiro. - Quem entende de basquete sabe que cinco pontos de diferença não é nada. E a seleção brasileira saiu realmente vencedora desse jogo!
Hoje, diante de uma situação tão inusitada, cheguei à conclusão de que só existem duas explicações plausíveis: ou o mundo é muito cruel e perverso, e Deus tem muita pena das pessoas boas que aqui vivem e resolve levá-las primeiro, ou está faltando anjos no céu, e Deus resolveu convocar as pessoas mais maravilhosas que existem para completar essa falta, e assim, fazer delas nossos anjos protetores para que ficasse mais fácil a tarefa de olhar por nós.
Em menos de seis meses eu perdi duas das pessoas mais integras que já conheci na vida. Pessoas admiráveis que me ensinaram bastante do que sei, e que sempre estiveram tão presentes que eu jamais pensei que fossem partir. Quando perdi meu amigo, há pouco mais de quatro meses, senti uma verdadeira revolta contra Deus. Achei que não era justo levar uma pessoa tão boa e tão pura; pensei em castigo e achei que era mais sensato levar pessoas ruins e cruéis. Ontem, porém, percebi que Deus resolveu foi buscar os anjos que ele mandou para cá. O mundo está cada vez mais atroz e Deus está precisando de ajuda lá em cima...
Tenho certeza de que tenho dois anjos olhando e intercedendo, a Deus, por mim!
O blogue do Pablo publicou ontem um texto super irreverente de Fernanda Wenceslau que eu acho que todas as pessoas, principalmente as mulheres deveriam ler. Não vou falar muito, nem vou falar do que se trata, mas só pelo título do texto acho que já da pra ter uma idéia. - Vale a pena, é muito bom! Fica aí a dica ..