E aí a princesa estraga tudo depois do felizes para sempre!
Talvez esta seja, hoje, a melhor forma de começar o nosso conto de fadas. Mas, vou nos permitir um tempo e esperar um pouco mais... quem sabe eu encontre uma citação do Fernando Pessoa ou algo assim?!
Te amo!
domingo, 16 de agosto de 2015
domingo, 3 de maio de 2015
sábado, 14 de março de 2015
Da série: texto que eu gostaria de ter escrito
Ah, Ziraldo, eu te entendo!
Daria o "braço" para ter escrito isso...
"Às vezes me flagro imaginando um homem hipotético que descreva assim a mulher dos seus sonhos:
“Ela tem que trabalhar e estudar muito, ter uma caixa de e-mails sempre lotada. Os pés devem ter calos e bolhas porque ela anda muito com sapatos de salto, pra lá e pra cá.
Ela deve ser independente e fazer o que ela bem entende com o próprio salário: comprar uma bolsa cara, doar para um projeto social, fazer uma viagem sozinha pelo leste europeu. Precisa dirigir bem e entender de imposto de renda.
Cozinhar? Não precisa! Tem um certo charme em errar até no arroz. Não precisa ser sarada, porque não dá tempo de fazer tudo o que ela faz e malhar.
Mas acima de tudo: ela tem que ser segura de si e não querer depender de mim, nem de ninguém.”
Pois é. Ainda não ouvi esse discurso de nenhum homem. Nem mesmo parte dele. Vai ver que é por isso que estou solteira aqui, na luta.
O fato é que eu venho pensando nisso. Na incrível dissonância entre a criação que nós, meninas e jovens mulheres, recebemos e a expectativa da maioria dos meninos, jovens homens, homens e velhos homens.
O que nossos pais esperam de nós? O que nós esperamos de nós? E o que eles esperam de nós?
Somos a geração que foi criada para ganhar o mundo. Incentivadas a estudar, trabalhar, viajar e, acima de tudo, construir a nossa independência. Os poucos bolos que fiz na vida nunca fizeram os olhos da minha mãe brilhar como as provas com notas 10. Os dias em que me arrumei de forma impecável para sair nunca estamparam no rosto do meu pai um sorriso orgulhoso como o que ele deu quando entrei no mestrado. Quando resolvi fazer um breve curso de noções de gastronomia meus pais acharam bacana. Mas quando resolvi fazer um breve curso de língua e civilização francesa na Sorbonne eles inflaram o peito como pombos.
Não tivemos aula de corte e costura. Não aprendemos a rechear um lagarto. Não nos chamaram pra trocar fralda de um priminho. Não nos explicaram a diferença entre alvejante e água sanitária. Exatamente como aconteceu com os meninos da nossa geração.
Mas nos ensinaram esportes. Nos fizeram aprender inglês. Aprender a dirigir. Aprender a construir um bom currículo. A trabalhar sem medo e a investir nosso dinheiro. Exatamente como aconteceu com os meninos da nossa geração.
Mas, escuta, alguém lembrou de avisar os tais meninos que nós seríamos assim? Que nós disputaríamos as vagas de emprego com eles? Que nós iríamos querer jantar fora, ao invés de preparar o jantar? Que nós iríamos gostar de cerveja, whisky, futebol e UFC? Que a gente não ia ter saco pra ficar dando muita satisfação? Que nós seríamos criadas para encontrar a felicidade na liberdade e o pavor na submissão?
Aí, a gente, com nossa camisa social que amassou no fim do dia, nossa bolsa pesada, celular apitando os 26 novos e-mails, amigas nos esperando para jantar, carro sem lavar, 4 reuniões marcadas para amanhã, se pergunta “que raio de cara vai me querer?”.
“Talvez se eu fosse mais delicada… Não falasse palavrão. Não tivesse subordinados. Não dirigisse sozinha à noite sem medo. Talvez se eu aparentasse fragilidade. Talvez se dissesse que não me importo em lavar cuecas. Talvez…”
Mas não. Essas não somos nós. Nós queremos um companheiro, lado a lado, de igual pra igual. Muitas de nós sonham com filhos. Mas não só com eles. Nós queremos fazer um risoto. Mas vamos querer morrer se ganharmos um liquidificador de aniversário. Nós queremos contar como foi nosso dia. Mas não vamos admitir que alguém questione nossa rotina.
O fato é: quem foi educado para nos querer? Quem é seguro o bastante para amar uma mulher que voa? Quem está disposto a nos fazer querer pousar ao seu lado no fim do dia? Quem entende que deitar no seu peito é nossa forma de pedir colo? E que às vezes nós vamos precisar do seu colo e às vezes só vamos querer companhia pra um vinho? Que somos a geração da parceria e não da dependência?
E não estou aqui, num discurso inflamado, culpando os homens. Não. A culpa não é exatamente deles. É da sociedade como um todo. Da criação equivocada. Da imagem que ainda é vendida da mulher. Dos pais que criam filhas para o mundo, mas querem noras que vivam em função da família.
No fim das contas a gente não é nada do que o inconsciente coletivo espera de uma mulher. E o melhor: nem queremos ser. Que fique claro, nós não vamos andar para trás. Então vai ser essa mentalidade que vai ter que andar para frente. Nós já nos abrimos pra ganhar o mundo. Agora é o mundo tem que se virar pra ganhar a gente de volta."
Ruth Manus
sábado, 31 de janeiro de 2015
Nietzsche e a importância desapercebida do sofrimento
Viver, sofrer e sobreviver: O que não nos mata, nos fortalece.
Repostado de Obvious ; Publicado em Recortes por Gisele Gonçalves
“A todos com quem realmente me importo, desejo sofrimento, desolação, doença, maus-tratos, indignidades, o profundo desprezo por si, a tortura da falta de autoconfiança e a desgraça dos derrotados.”. Nietzsche
"Para entender o que Nietzsche queria dizer podemos escalar sua montanha preferida nos Alpes Suíços. Ao chegarmos no topo da montanha a vista é maravilhosa, o ar é puro, a nossa sensação é de total bem-estar e ficamos deslumbrados com tanta beleza. A partir daí entendemos porque Nietzsche gostava tanto de montanhas. Era do ápice que contemplava-se a vista mais bonita. Mas para chegar até lá, existem muitos obstáculos ao longo do caminho. Pedras, solos íngremes, é preciso fazer um grande esforço físico para subir e em certos momentos o desgaste é tão grande que dá até vontade de desistir. Nietzsche metaforicamente falava da existência humana como sendo uma caminhada. Ao escalarmos montanhas tínhamos uma clara compreensão do que é a vida.
Nietzsche, não era do tipo que "atira-se do prédio", aceitando a derrota definitiva. Assim como outros pensadores existencialistas, Nietzsche não acreditava na felicidade eterna ou em uma vida sem sofrimento e nem escrevia para tentar amenizar nossas dores. Pelo contrário, acreditava que sem a angústia e a dor não há realizações humanas. Nossa cultura hoje parece nos ensinar a evitar falar de nossas falhas e dores. Em uma era de tecnologia, consumo exacerbado e busca constante por tudo que oferece prazer, por tudo que é fácil, confortável, rápido e que exige menos esforço, o vazio, o sofrimento e a falta de sentido da vida se tornam aspectos difíceis de serem vividos e aceitos. Nossos ombros suportam o mundo, a solidão, a dor e a angústia porque fazem parte da nossa condição enquanto seres humanos. Quando estamos cansados de sofrer, começamos a lutar contra o sofrimento, procurando formas de aliviá-lo, somos obrigados a esforçarmos para achar um caminho melhor, reconhecemos nossas vulnerabilidades, limites e adquirimos autoconhecimento. A angústia passa a ser vista não como algo depressivo e paralisador, mas sim como um impulso para a vida, para a percepção da nossa existência, do nosso despertar, da nossa possibilidade de nascer e renascer. Saímos do comodismo e procuramos outros modos de pensar e agir. Durante todo nosso caminho, passamos pela dor de renunciar algo que gostamos, mas esquecemos que toda perda nos liga a outros ganhos. É esse sofrimento que nos oferece uma oportunidade de mudança, ainda que seja algo doloroso, não há renovação, crescimento e libertação sem dor. Se nós optarmos pelo prazer do crescimento, podemos nos prepararmos para sofrer. Só assim adquirimos autoconhecimento e nos sentimos mais sábios e seguros, não temendo o encontro com nós mesmos e nos preparando para os inúmeros e inevitáveis momentos de solidão que a vida nos reserva.
Em 8 de março de 1884 Nietzsche revela a seu amigo: " (...) tive que buscar dentro de mim coragem, pois de todos os lados só vinha desânimo: a coragem de carregar meu pensamento. " A filosofia de Nietzsche é consequência de sua própria vida. Perdeu o pai aos 5 anos de idade. Contraiu sífilis e muitas outras doenças durante toda sua vida, por isso mudava de cidade regularmente em busca de ar puro e bem-estar. Foi um filósofo só, não foi compreendido pela maioria de seus colegas e suas obras só foram reconhecidas depois de sua morte. Com o tempo Nietzsche teve um colapso nervoso, pensou ser Napoleão, Deus e Buda. Ficou internado em um sanatório e morreu depois de um tempo, aos 56 anos de idade.
Sua vida foi uma luta
longa e heroica consigo mesmo. Assim como o filósofo, não basta a nós
sofrermos, é necessário aprendermos a reagirmos diante dos nossos sofrimentos.
Eles são desagradáveis mas podemos reinterpretá-los de uma maneira mais
construtiva, eles podem nos obrigar a superamos e a recomeçarmos de uma maneira
diferente, assim levamos a vida de forma mais leve. Como os alpinistas ao subir
uma montanha, somos desafiados a superar nossas dificuldades, afinal, todos nós
temos fases ruins na vida. Lutemos fortemente e fiquemos prontos para a vida. O
essencial é viver."
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
Queria que você voltasse a ser só meu, diário!
Da série: de mim ou pra mim?
"Ela é solteira. Não sozinha. Ela pinta as unhas de vermelho
quando quer. Mas, também, sabe deixar as unhas em cacos quando dá
vontade. Esbanja esquisitices ao falar dos seriados prediletos e se cala
quando o assunto é sobre o porquê dela não ter namorado.
Ela usa vestido de tricô, daqueles clichês para tomar chá quando o
tempo é frio. E bebe cervejas em canecas como homens pré-históricos. Ela
ri de palavrões e de piadas de humor negro. Mas, também, se derrete
mais do que picolé em frigideira quando recebe um SMS romântico de
madrugada. Mas por que não namora?
Ela acorda, escova os dentes de quem já usou aparelho, toma chocolate
quente, se arruma e vai trabalhar. Prefere usar preto. Mas desbanca
qualquer havaiana bonita quando inova em alguma vestimenta cheia de
flores coloridas, sabe? Ela é linda e desconversa. Fala do tempo, do
futebol, da novela, da mãe, da crise do Paraguai e do Joseph
Gordon-Levitt. Mas por que cê não namora?
Quando o assunto é sexo, ela fala menos do que escuta. Escuta com os
ouvidos, com os olhos, com a boca e com os pelos da coxa. Transa menos
do que deseja. E sabe esconder alguma aspirante a Sônia Braga dentro
daquele decote comportado. Ela curte os Beatles, os Novos Baianos,
Caetano e o Cícero. E fala que eu tenho péssimo tom de voz. Lê Caio,
Keroauc, Fante e Gabito. Mas diz que, também, gosta das minhas
histórias.
É estranha, também. Assumo. Corta o cabelo de acordo com as fases da
lua e gosta de comer macarrão com feijão. Gosta de umas bandas que
ninguém conhece e chora com as histórias do Nicholas Sparks. Liga o ar
condicionado porque gosta de dormir sentindo frio e acaba repousando
feito uma esquimó com meias e edredom. Uma linda esquimó, por sinal. Não
sabe usar o celular. Costuma atender as ligações somente após a quarta
tentativa de chamada. Não, ela não ignora. Ela perde tempo procurando o
celular na bolsa, debaixo da cama ou pia na banheiro. Mas, vez em
quando, ela sabe ignorar, também. Não sabe dançar. Recusa os convites,
mas adora ser convidada. Odeia batom e gosta de brincos de pena.
Mas por que ninguém conseguiu ultrapassar esse muro de Berlim que
você ergueu no teu peito? Ela desconversa. Ri de canto de boca e me
pergunta se eu fumo tentando desviar o assunto pra longe. Eu insisto.
Falo coisas demodês e jogo no ar o fato de que eu a acho perfeita demais
para não andar com algum sortudo lado-a-lado. Ela empina o nariz o
fino, me lança teus olhos verdes escuro e ajeita-se sobre a mesa. Muda o
tom e me fala: “Porque eu não quero”. E eu rio sem graça da minha
maldita ideia de achar que todo mundo quer ter alguém para dividir os
brownies."
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| Pra descontrair!!! hahahahahahahahaha |
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
Adeus ano velho. A Deus ano novo!
O dia amanheceu em calmaria, hoje. Mal ouvia os transeuntes
passarem pela rua lá em baixo, quando acordei. Devia ser 6 e pouco, como de
costume. Tateei o criadinho ao lado da cama e peguei meu smartphone (não
Iphone) para verificar o que de novo poderia ter acontecido depois das 4 da
manhã, última vez que ele havia feito companhia à minha insônia: celebridades,
dicas de makeup e look para o réveillon; praia, festas e fim 2014. A luz da
tela, tão próxima aos meus olhos, os deixavam semicerrados, e aos poucos ia levando o restinho de vontade de ficar ali manhosa e aconchegada aos travesseiros,
para bem longe.
O telefone tocou logo cedo. Talvez a minha insônia se
preparasse pra isso. No susto, respondi às perguntas da recepcionista da UTI
com um nó na garganta: "Filha; Sim; Já vou buscá-lo; Obrigada!" E
aquela angustia que se arrastara por duas semanas, cedeu lugar a um sorrisinho
maroto de alivio no peito.
Desci as escadas correndo, peguei meu carro, e dirigi até
ao Hospital. Poucos minutos depois, ele já estava comigo, para entrar com o pé
direito 2015.
(...)
Tive que te esperar até agora, 2014. Para te fechar. E
confesso que ainda tenho receio de que você me pregue alguma peça, e eu tenha
que voltar aqui para fazer remendos de última hora...
2014 foi meu ano maluquinho (melhor adjetivo, pois não
quero ser excêntrica em ter que defini-lo como "o" melhor ou "o" pior. Até mesmo
porque seria só uma questão de ponto de vista. Uma vez que, coisas boas e ruins
aconteceram em proporções similares ou por consequências uma das outras). Mas,
mesmo sem pejorá-lo, nunca ansiei tanto por esta magia toda que o ano novo e
seus fogos de artifício trazem.
Diferente do final de 2013, meu 2014 não continuou apenas
colhendo bons frutos. Foram necessárias novas plantações. E junto ao trato das
novas sementes, vieram novos desafios e muitas provações.
Em 2014, eu aprendi a
perdoar. Não, eu não sabia. Passamos por cima de muitas coisas; colocamos panos
quentes; esquecemos até alguém tocar no assunto. Mas perdoar? Perdoar é um
verbo que exige um pouco mais que isso.
Em 2014 eu aprendi a
enxergar o ser humano como um universo particular próprio. Cada um traz em sim
uma construção singular para ser o que é. Fatores biológicos, hormonais,
históricos e culturais. O certo e o errado. Educação. Espaço familiar; vivencia
de mundo. Escolhas. E quem somos nós para julgar?
O que a sociedade exige
de nós? Melhor dizendo: o que o pequeno espaço social ao qual pertencemos exige
de nós? Você já saiu lá fora? Já viu o quanto o mundo é vasto, lindo e cheio de
coisas interessantes? Você já viu que lá fora as pessoas têm opiniões
diferentes das suas? Que acreditam em outras verdades e até brigam por elas?
Para quê julgar antes de ouvi-las? O que faz de você mais certo o menos certo?
Diga! Ouça! Converse.
Sobre conversar, eu
descobri que para este verbo podem haver variações e divergências (hoje eu estou
toda ligada na gramática), e tenho aversão a elas. O que você faz quando está
no Whats App? Você está "whatsapando", teclando, dedilhando, conversando? No ano
das selfies e do Whats App, eu descobri que diálogos sinceros pouco existem. A
tecnologia barateou e facilitou o contato humano, porém o tornou mórbido e
frio. A variação de emoticons e o volume deles tem deixado você cada vez menos
verdadeiro. Pense nisso.
Eu sou da época em que
se falava “de 3 segundos” para não cobrar a chamada, porque a ligação era cara.
E que luxo era ter plano com pacotes de mensagens, ou chip que você escolhia 3
números para falar de graça. Qual foi a última vez que você ligou para alguém?
E sentiu o ofegar da respiração antes da pessoa atender? E pensou em desligar e
mentir que havia ligado errado? Hoje relacionamentos acabam porque alguém
visualizou e não respondeu no mesmo instante. Queria cartas que chegavam em
meses. Queria aquele lance de tempo, de espera e de saudade.
Sobre o amor, eu
descobri em 2014 que ele vai continuar existindo. Ainda que precisem de 8 meses
de terapia para isso. E ele pode vir disfarçado em um garoto loirinho da sua infância
ou em um príncipe encantado que você pode conhecer em uma viagem qualquer, do
outro lado do mundo.
Sobre viagens?! Ah,
viagens! Viaje, viaje e viaje!! Viajar te torna rico, sábio, dono mundo e te
transforma em um eterno contador de histórias. Comece por qualquer lugar
(cachoeiras, lagoas, cidades, castelos, mares), mas, comece. E não pare mais.
Porque para viajar não precisa ter idade especifica, só um coração cigano e
aventureiro que sabe que fomos feitos com pés e não raízes.
O único problema desta
utopia acima descrita é que eu ainda não tenho um cartão de crédito ilimitado e
é exatamente por isso que estou aqui escrevendo para vocês e não estou em Paris
para esperar o ano novo.
Ainda!
Em 2014 eu fui
promovida! 3 anos de Banco, segunda promoção. É assustador e ainda estou
absorvendo a ideia, mas a satisfação profissional se faz imensurável. Quando
comecei, jamais imaginei que estaria aqui, hoje. Gratidão, aprendizado e muita,
muita felicidade, seriam 3 boas palavras que definiriam meu ano profissionalmente.
Já academicamente...
Direito é o curso da
minha vida. E, indiscutivelmente, não é um curso que se faz na barriga. Porém,
que me perdoem os ilustres doutores de notório saber jurídico, em 2014, eu fui medíocre.
Não vou me justificar, nem me martirizar. Para “cada escolha, uma renuncia,
isto é a vida”, disse, certa vez, um poeta, não é?! Em 2015 já estarei mais habituada
ao novo cargo e faço aqui minha única promessa de ano novo: levarei minha vida
com mais equilíbrio.
Em 2014 eu continuei
perdendo heróis. No entanto, a maturidade tem me ensinado a lidar com a morte
com mais fé e menos questionamentos. Não pertence a mim, a vida das pessoas que
amo; cabe a Deus, lhes traçar destinos. O agora não pode ser visto como o estritamente
finito. Há muito mais, além. E eu creio nisto.
2014 foi um ano de
muito amadurecimento.
Se 2013 foi um ano de
realizações, 2014 de provações, acredito que 2015 será um ano de espera: OAB,
TCC, Formatura. Futuro incerto. Escolhas certas. Será necessário, além da
maturidade paulatinamente construída, muito discernimento. Para isso, deixo
neste ano todas as minhas angustias, aflições e ansiedades, para colocar meu
2015 nas mãos de Deus. Nem sempre os planos que fazemos são os melhores nós, e
Deus nos prova isso nas curvas do caminho. Não só com decepções, mas, nos
surpreendendo com o acaso e com novas possibilidades.
Vem logo, 2015!
- Marina
domingo, 16 de novembro de 2014
(...) Ela, ainda, se acomodava manhosa em um ombro há
pouco conhecido. Ele era firme, mas, macio. Tinha um cheiro gostoso de lar ou de
casa de vó em dia de domingo. E isso fazia com que a timidez da primeira vez
ficasse de lado, e ela fosse se aconchegando cada vez mais como se fosse morar
ali.
Ao fundo, os Guns and Roses tocava Sweet Child O' Mine e ela se perguntava
“where do we go now?”. Ah se ela pudesse permanecer ali, ou dar replay toda vez
que música ameaçasse acabar!
Ele a beijou docemente,
quando ela levantou um pouco o rosto para olhar-lhe nos olhos. Uma tentativa
de que ele enxergasse por eles tudo aquilo que lhe passava na alma. Duas
borboletas voaram serelepes no seu estomago – que tola – pensou; e o beijou
veemente, para esmagar nos lábios aquela sensação ridícula de felicidade.
domingo, 3 de agosto de 2014
Por muitas vezes achei que a vida
era feito um círculo: uma caminhada de progresso, mas, que hora ou outra, me
remeteria de volta aos mesmos lugares. Hoje enxergo a vida mais retilínea do
que jamais enxerguei.
Não sou eu tão boa pra falar de
geometria, talvez eu me perca na metáfora enquanto escrevo, e para as minhas confusões
eu peço licença e perdão, meu caro leitor. Peço que talvez releia do começo, e que
coloque em ti, olhos de quem vê, pouco a pouco, pequenos círculos se fecharem atrás
de si.
Não que o ponto final de uma
etapa seja sempre ruim. De alguns círculos, porém, sentirei uma eterna saudade.
Várias vezes na vida sentimos que
etapas se encerram, que barreiras são vencidas e que o horizonte se torna convidativo
e instigante para novas batalhas e novas conquistas. Algumas vezes saímos destas
batalhas heróis, mas em outras, no entanto, nós saímos derrotados. Nestas duas últimas semanas passei
por duas guerras: de uma saí em glória, na outra, tiraram um pedaço de mim.
Os almoços de domingo não serão
mais os mesmos, nem as violas emitirão o mesmo som. Aquele “beijinho doce” vai
ficar cada vez mais tristonho, ao perceber que agora falta um anjo de mãos postas
em frente ao altar singelo da sala pequena. E talvez, em preces, eu me perca,
ao me dar conta de que paulatinamente vai se esvaindo de mim, o meu destino regresso.
É tão gostoso saber pra onde ir. Mais
gostoso ainda é saber pra onde voltar. Acontece que chegará um dia que o destino
da volta não será mais o mesmo da partida e, então, você perceberá que a única
coisa que lhe restará será seguir em frente.
- Marina
sexta-feira, 11 de julho de 2014
A Filha do Carrasco
da série: leiga crítica.
Oliver Pötzsch foi no mínimo audacioso. Nascido em 1970, e
roteirista de TV por muitos anos, o alemão Oliver Pötzsch me surpreendeu com a
mera realização de um “sonho adolescente”. A Filha do Carrasco é, até então, a
sua única publicação (já com 474 páginas); um romance singular e biográfico.
Singular pois difere da maioria das coisas que já li. Embora
a história seja contextualizada no século XVII, tempo de reis e rainhas, Oliver não se
prende a enredos de ducados e palácios, pelo contrário, a história se passa na
pequena cidade de Schongau, na Baviera alemã, e tem como protagonista Jacob
Kuisl, o carrasco da cidade. Aqueles que nós nos acostumamos a ver nos filmes
só de passagem, geralmente musculosos, de peitoral a mostra, com a cara tapada
por panos sujos com dois buracos na região dos olhos, ou próximos às guilhotinas,
ou próximo às forcas, no Romance de Pötzsch ganha história: vida, filhos,
família, coragem e sonhos.
Embora a trama seja envolvida por contos de bruxas e pactos demoníacos,
nos quais você se deixa perder até determinado ponto do livro, sem saber se a
história penderá para realidade ou fantasia, o enredo questiona a ignorância de um povo,
que, por questões culturais, ainda prefere se prender a um universo mitológico e
imaginário para resolver problemas políticos e sociais. As poucas pessoas que
pensam distintamente e que não se deixam envolver por “histórias de bruxaria”, precisam encarar uma minuciosa corrida contra o
tempo para encontrar o verdadeiro culpado por uma série de assassinatos e
livrar da tortura e da morte iminente uma mulher inocente.
Ouso dizer que o livro é biográfico pois, Oliver Pötzsch é
descendente da família Kuisl, famosa dinastia de carrascos alemã. Para a construção do seu primeiro livro, Pötzsch
realizou diversas pesquisas, não só na sua árvore genealógica, mas também
históricas e culturais. Embora fictício, A filha
do Carrasco traz diversos dados históricos e reais, inclusive seu
protagonista, que talvez não tenha sido um herói, mas que de fato existiu.
“Esse livro é um romance, não um trabalho científico. Tentei manter-me o mais próximo possível dos fatos. Não obstante, por razões dramatúrgicas, foram necessárias frequentes simplificações”. Oliver Pötzsch, maio de 2007.
Para ajudar na imaginação, algumas imagens da cidade de
Schongau, da localidade da Baviera e do rio Lech, respectivamente:
A leitura é recomendadíssima. O livro é muito bem escrito,
embora seja fácil perceber a evolução literária que o autor vai adquirindo ao
longo das páginas. Por ter sido roteirista de TV, Oliver faz com que seu leitor
se sinta preso a um filme de suspense, cujas cenas vão passando astutamente por
sua frente; cada interrupção ou reviravolta da “cena” faz com que você devore
as páginas seguintes até descobrir o que de fato está acontecendo.
![]() |
| Capa Nacional |
![]() |
| Oliver Pötzsch |
Uma observação: ainda estou confusa com relação ao desfecho do livro, mas me recuso a classificar A Filha do Carrasco no meu conceito de histórias boas e finais ruins. Estou saindo de duas leituras de características semelhantes: Morte Súbita e O chamado do Cuco; histórias de enredos monótonos (mas bons) e finais surpreendentes. Talvez eu tenha esperado aquele ápice final que me deixasse boquiaberta. Por isso peço: Leiam, leiam!! E venham discutir comigo este livro!
Marina
terça-feira, 1 de julho de 2014
Hasta luego, Cancún!
Achei super importante visitar sites e blogues com dicas de turismo antes de embarcar para Cancún. Assim foi possível programar os passeios que não estavam incluídos no pacote, organizar um "roteiro" com uma programação bacana para que aproveitássemos todos os dias, sem perca de tempo, e, até mesmo, ter uma previsão de quanto em dólares seria o mínimo necessário para a viagem. No texto de hoje, mesclarei um diário de bordo de uma das viagens mais incríveis que já fiz, com pequenas dicas para quem pretende fazê-la. Bora lá?
Eu definiria Cancún como um local completo, e indicaria esta viagem para qualquer tipo de pessoa: casal em lua de mel, família com crianças, apaixonados por história, baladeiros de plantão; enfim, qualquer pessoa. Localizada na península de Yucatán, Cancún é banhada pelo Mar do Caribe - calmo, de tonalidades exuberantes, e de uma limpidez inenarrável - o que torna esta cidade um dos lugares mais paradisíacos que eu já conheci (tá que eu não conheço tantos lugares assim).
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| Diferentes tonalidades do Mar do Caribe vistas ainda do avião |
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| Difícil acordar com esta vista todos os dias! |
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| "Lá nesse lugar o amanhecer é lindo!" |
A beleza de Cancún torna a cidade
um destino perfeito para uma viagem a dois - encontramos diversos casais em lua
de mel, que recomendaram muito o passeio; e o mar calmo, raso e sem ondas é um paraíso
para viagens em família, principalmente quando ainda há criança em fase de “boinhas”
(diminutivo de boias em mineirês) rs .
Ficamos hospedadas no Oasis Palm
Beach, resort all inclusive, acoplado ao Grand Oasis Palm, pelos quais você
pode transitar livremente; usufruir de ambas as piscinas, serviços e restaurantes.
Juntos, possuem duas grandes piscinas de água morna, e diversos restaurantes
(não me lembro o número exato), quase todos incluídos no pacote all inclusive,
com pequenas exceções.
A comida... Bom! (risos) – Eu voltei
mais magra! Não que seja ruim, mas, eu não me adaptei a ela. Não sou muito fã
de peixe, nem da variedade vasta de frutos do mar, e, como boa brasileira,
preciso de arroz com feijão! A carne
vermelha era raridade, o arroz era quase sempre risoto e o feijão eles
faziam levemente adocicado. Além do mais, o tempero é mais forte e bem diferente
do que estamos acostumados (ou do que eu estou acostumada). Como alternativa,
nos quiosques da praia (lembrando que estamos falando de um resort all
inclusive) eles serviam hambúrguer e batata frita.
Recomendo os serviços e as
instalações do Oasis Palm! Fomos muito bem atendidas e recebidas nos dias em
que estivemos por lá. No entanto, Cancún tem uma vasta zona hoteleira com hotéis
mais baratos, ou, dependendo do interesse, muito mais luxuosos. Ficamos
hospedadas no Oasis Palm por 8 dias, mas não nos prendemos muito às atrações do hotel, visto que era necessário “rebolar” para conseguir visitar todos os
locais incríveis que a cidade tem e ainda ir às compras – Claro!
Antes de falar dos passeios,
primeira dica: Compras! Qualquer lugar do mundo que você for “sair às compras” será
mais barato que no Brasil, nem que seja por poucos reais após a conversão. No
entanto, por ser cidade turística e pelo câmbio correr principalmente em dólar,
não vá à Cancún com a ilusão de que está indo para a 5ª Avenida em NY. Nem tudo
vai valer a pena comprar; nem sonhe com eletrônicos. O que compensa comprar em
Cancún são: óculos de sol (últimos modelos de ray ban variando entre 150,00 e
200,00 dólares), perfumes (diferentes marcas de importado variando entre 70,00 e
100,00 dólares) e bolsas (dependendo da marca). Obs: as etiquetas vem em Pesos
Mexicanos, então, não se assuste caso aprece um óculos de sol por 3.000,00
Pesos (risos). 1,00 dólar = 12,00 em média.
Passeios:
Cancún, cidade ascendente apenas
nos últimos 40 anos, se tornou turística não apenas pelas belas praias, mas,
também, por ser um dos berços da civilização Maya. A cidade respira cultura! Há
diversos parques arqueológicos e também parques aquáticos que exploram esta
riqueza histórica.
1 – Xcaret
Xcaret significa em língua Maya “pequena
baía” e foi durante mais de um milênio um dos portos e centros cerimoniais mais
importantes da civilização Maya. Lugar sagrado, este porto, era usado para a “travessia”.
Quem fosse Maya tinha que ir até o Xcaret pelo menos uma vez na vida, de lá partiria
de canoa até a localidade de Cozumel, outro local sagrado para os Mayas. Esta “travessia”
conotava “passagem”, “transcendência”. (descrição contida no folder do Xcaret e
explicação de um funcionário do parque, após ser questionado por nós sobre as
ruínas do local: se eram reais, ou criadas para a exploração turística.)
Atrações:
- Mergulho em rios naturais subterrâneos.
- Aquário. (Nadar com golfinhos e
tubarões são atrações adicionais não incluídas no pacote. Nadar com os
Golfinhos 129,00 dólares por 30 minutos e nadar com os tubarões 59,00 dólares,
também por 30 minutos).
- Zoológico. (Onças, araras,
flamingos, anta, cervos)
- Pavilhão das borboletas.
- Aldeias Mayas (rituais de
purificação – atração adicional).
O parque é belíssimo. Há apenas
praias e piscinas naturais de aguas cristalinas, no entanto é um passeio que
demanda o dia todo, é bastante cansativo e tem que ter pique para conseguir
andar por todo o parque que é enorme. Vale a pena! O funcionamento do parque se
inicia às 9:00 e se encerra às 21:00. Das 19:00 às 21:00 os visitantes do
parque são convidados a assistir, no teatro, um show imperdível. Duas horas de
espetáculo que engloba desde a história Maya e a colonização espanhola até apresentações
típicas com as riquezas culturais regionais mexicanas.
Para ter direito a todas as
atrações mencionadas acima e o almoço, é necessário a aquisição do Xcaret Plus
que pode variar de 120,00 a 159,00 dólares, dependendo da agência de turismo na qual você o adquire. Obs: Vale a pena
conferir os preços em agências de turismo locais.
2 – Chichén Itzá.
A Cidade Maya de Chichén Itzá é considerada uma das 7
maravilhas do mundo. Um parque arqueológico com diversos templos, a Pirâmide de
Kukulkan, um observatório e um campo do jogo de pelotas. A cidade de Chichén
Itzá fica há 3 horas de Cancún. Compramos o passeio por 30,00 dólares com almoço
incluído e o translado de ida e volta.
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| Pirâmide de Kukulkan |
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| Templo dos Guerreiros ou das Mil Pilastras |
Além das duas qualidades já mencionadas da belíssima Cancún,
esta cidade possui uma vida noturna badaladíssima. Vale a pena ir em todas as
boates e bares que conseguir. Fomos em 3:
- Coco Bongo
A Coco Bongo é uma boate que foge de tudo aquilo que se está
costumado a ver, ficou mais conhecida após ter sido cenário de um dos filmes do
Máscara, e traz diversos números artísticos que entretém o público até as 2:30
da manhã: cover de diversos artistas
clássicos e contemporâneos, números circenses, espetáculos de dança,
personagens cinematográficos e muito mais. O preço varia de 60,00 a 80,00
dólares dependendo do dia da semana, este valor é para open bar.
O fato de eu ter sido arrastada pelos garços e ter dançado em cima do palco foi só um detalhe! (vê-se aqui aquele macaquinho do WhatsApp com a mão no rosto!)
| Não tirem foto com o Máscara! Ele é brasileiro e me cobrou 10,00 dólares depois que a foto já estava batida! |
- Mandala
A Mandala é uma boate clássica, e perfeita para quem gosta de
muita música eletrônica. 60,00 dólares open
bar
- Senõr Frogs
Um barzinho que ninguém que vá a Cancun deve deixar de
conhecer. Animadíssimo! Diferente dos barzinhos típicos brasileiros, o Senõr
Frogs convida a todos os seus frequentadores a não ficarem inertes a conversas
e rodadas de cerveja. Não sei se é efeito da tequila, das doses grátis de
marguerita distribuídas a todo momento, mas é inevitável não subir nas cadeiras
e dançar como se o mundo fosse acabar em segundos. Há concursos de animação, de
quem canta a música, de dança e o prêmio, claro, doses de tequila e marguerita.
![]() |
| Brasileiro que é brasileiro sobe na cadeira!! |
Espero que tenham gostado desta viagem que eu amei! Estou à
disposição para esclarecer qualquer dúvida e para dar mais dicas para quem deseje
conhecer este lugar maravilhoso!
![]() |
| Companheiras! - Kênia e Fernanda |
Marina
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Atrasado. Meia boca. Em tempo?
Bom,
acho que estou um pouco atrasada para cumprir o ritual. Mas, para falar a
verdade, nem percebi o passar da hora, porque, como já disse antes, é apenas um
dia depois do outro, uma noite no meio e alguns fogos de artifício...
Sem
querer justificar o atraso, Dezembro foi um mês imenso, sem fim! Corri como se
o dia fosse acabar com apenas 12 horas e dormi querendo que a noite fosse interminável, mas acordava com a
sensação de que ela havia durado apenas 5 minutos. O final do semestre letivo
não foi surpreendente; pra variar, excesso de pontos distribuídos nas duas
semanas finais. Tensão pré prova, tensão pós prova! PI, Avin e Fim! No
trabalho, fui duas (descobri que cobrir as férias de alguém pode ser uma das
escolhas mais cansativa que você pode fazer na sua vida). Fora isso... meu ano
foi uma caixinha de surpresas...
Ele
começou mais calmo e mais tranquilo do que todos os outros, afinal de contas,
não era mais um ano de buscas e expectativas, era um ano de desfrutar das
conquistas e caminhar sobre o destino que eu havia escolhido pra mim. Um ano de esperar
na sombra da comodidade a hora certa de dar mais um passo.
A
espera durou menos do que eu imaginava e a comodidade foi amedrontada pelo peso
das escolhas. Em 2013 eu descobri que maturidade é isto: saber escolher. E na
vida, escolhas significam renuncias.
Logo
em Abril recebi a proposta de ser contratada na empresa onde era estagiária. Passaria
a ganhar um pouco mais que o dobro da bolsa que eu tinha até então, por duas
horas a mais de serviço diário. Irrecusável, não?! Só que as duas horas a mais
(tão sorrateiras e despercebidas ao longo do dia), me valeriam todas as horas
dos meus finais de semana se eu realmente quiser me formar em Direito algum
dia...
A
ganancia de ver meu cofrinho transbordando, e o sonho de conquistar finalmente
uma independência financeira, me fizeram dizer sim! Sempre acreditei naqueles
ditados que dizem: “galo apertado é que canta” e “ a rapadura é doce mais não é
mole não!” (rsrs desnecessário isso aqui!), por isso acreditei que seria capaz.
E fui!
No
final do primeiro semestre, confesso que quis me esconder debaixo da cama,
cobrir minha cabeça com um cobertor bem pesado e só sair dali quando tudo
estive acabado, e não existisse absolutamente nada a mais para resolver. No
entanto, me agarrei às amarras das escolhas e descobri que eu era muito mais
forte do que eu jamais imaginei que seria.
Um
parêntese:
(Meu pai decidiu escrever um livro sobre a
minha avó materna que havia falecido em maio de 2012, o livro era um presente
para a minha mãe e por isso era segredo para ela e para toda a família. Apenas
eu e mais umas dez pessoas sabíamos da existência do livro. Eu era revisora,
digitadora e nas últimas semanas também fui editora: título, capa, registro,
parecer jurídico e tudo mais para que o sonho saísse do papel. A gráfica tinha
nos dado 10 dias para que tudo ficasse pronto, do contrário não conseguiria
manter o preço da licitação. Esta primeira bomba chegou na primeira semana do
mês se Junho, a segunda viria três dias depois.
Meu pai é
gerente de uma loja de móveis aqui na cidade onde moramos e em uma manhã, não
tão bela assim, o dono da loja a ofereceu ao meu pai: ou ele a comprava, ou
estaria desempregado. A intensão dos donos seria fechá-la.
Eu estava no último mês do semestre,
e ainda faltavam setenta pontos para serem distribuídos. Precisei dos dias dos
meus finais de semana para terminar o livro (e das madrugadas também). O livro
ficou pronto. O semestre acabou. E em menos de um mês meu pai foi desempregado,
dono, desempregado e gerente outra vez.)
Quando
o furacão acabou me senti pronta para qualquer coisa que estivesse por vir. Mas,
ainda bem, que depois da tempestade sempre vem a calmaria; o segundo semestre
foi tempo de colher bons frutos.
...
Resumindo,
eu diria que o meu 2013 foi um ano 13! Para muitos isso pode parecer azar, mas,
aqueles que carregam a fé em cada canto da alma, ou qualquer um que tenha uma
leve simpatia pelo Zagalo, poderia vislumbrá-lo, com um pouco de boa vontade, como
um ano de muita sorte...
Levei
ao meu lado neste ano de 2013 os melhores amigos que alguém pode ter. Amigos
que se fizeram base, pilar e escudo. Que me sustentaram ou que me ergueram
quando precisei. Amigos que ficaram do meu lado do início ao fim. Amigos de
sempre, os velhos de guerra; ou amigos de batalha, que se agregaram a mim para
me fortalecer. Amigos que somaram e se multiplicaram e que fizeram (fazem) dos
meus dias mais belos e cheios de luz.
(Amigos
de um jeito genérico de dizer, pois, reporto à minha família cada palavra do
parágrafo acima – o pilar mais forte de uma estrutura, quase sempre, vacilante).
Em
2013 o Galo foi campeão da Libertadores!! O que me fez perceber que, ou milagres
acontecem aos 48 minutos do segundo tempo com alguma frequência, ou, então,
Deus é atleticano!! :D
Além
de tudo isso, 2013 foi um ano de realizar sonhos. De “extravasar” o que
explodia por dentro: no corpo, no sorriso, na pele, no olhar, no coração, na
alma. (Primeira tatuagem. Primeira de duas, talvez! E ah! Eu estou loira agora, embora ninguém pareça perceber isto. :/ )
No
amor, meu ano foi um ano de despedidas... mas, também, foi um ano de encontros
e de reencontros.
...
2013
acabou com os mesmos 365 dias dos demais, mas me deixou com a sensação de ter vivido
décadas. Fico feliz de olhar para trás e perceber que aproveitei cada segundo.
Fico com a sensação de que o fechei com chave de ouro, e uma vozinha,
insistente aqui de pé de ouvido, teima em me lembrar que talvez eu tenha
iniciado este novo ano com uma chave mais preciosa ainda. Que as páginas deste
blogue se tornem pequenas para tudo que haverá para se contar e para tudo que
há de se realizar!!
Seja
muito bem-vindo 2014!!!
Marina
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Ele continuava preso lá no alto.
Inatingível. Ela sacudia o pé da estante com toda a força que detinha e orava
em silêncio pedindo que ele despencasse de lá.
Parece que foi ontem que, da
janela, ela o viu chegar. O caminhão estacionou do outro lado da praça e
gastaram dois homens fortes para retirar a caixa lá de dentro e levar para o
interior da loja. A caixa era enorme, feita com um mogno branco desnecessário
para esconder um brinquedo. Embora a Brincarte
fosse a maior loja de brinquedos da cidade e não existisse nada mais comum do
que receber novas remessas ao longo do mês, ela ficou atônita com o que viu. A
maioria dos brinquedos chegavam em embalagens comuns, alguns deles nem vinham
embalados e ela adorava ficar na janela a espiar quais eram as novidades que
desembarcavam; enamorava-os um a um e mergulhava em uma difícil tarefa de
escolher qual gostaria de ganhar, naquele ano, de Natal.
Nem sempre ganhava aquilo que
pedia. Mas, tinha o dom de, com jeitinho, conseguir a maioria das coisas; Já tinha ganhado bonecas de todas as cores,
pelúcias de todas as formas e tamanhos, mas o que ela mais gostara, de todos,
sem comparação, fora um carrossel que ganhara de presente de aniversário depois
de uma luta para fazer por merecê-lo. Ele era bem grande, e muito luxuoso.
Tinha cavalos coloridos e girava sem parar, tocava uma música gostosa de ouvir que a colocava para ninar todas as noites. Seus
olhos de menina, sonolentos e semicerrados, admirava-o, antes de se fecharem
definitivamente. As luzes e o brilho que vinha daquele objeto animado em cima
da escrivaninha, fazia com que ela, gloriosa, se sentisse a dona do mundo!
Mas agora, sem carrossel, ela queria
aquele que estava lá no alto em cima da estante. Lhe disseram que não era a
hora ainda, que ela tinha que ser paciente, faltavam dois meses ainda para a
Natal...
Mas ela queria ele! Com pressa...
agora! Só que ele continuava preso lá no alto. Inatingível. Ela sacudia o pé da
estante com toda a força que detinha e orava em silêncio pedindo que ele
despencasse de lá e caísse em seus braços.
...
Até que um dia perdeu a graça,
ela deu uma bicuda no pé da estante, ele despencou de lá e se espatifou em mil
pedaços.
(melhor final para uma história
sem começo)
... Por que disseram que era
dela, sendo que ela não podia tê-lo?
Marina
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