terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Nova Temporada das Flores

"...preparando o campo e a alma pras flores... "


Fim de ano, início de ano é sempre o mesmo ritual: é a loucura das provas finais, é o alívio das férias, é a frustração por ver o ano acabando na dúvida de que talvez você não vá atingir todos os seus objetivos e se tornar exatamente a pessoa que você gostaria de ter se tornado; e sempre tem aquele poderoso sentimento de esperança que chega com os ares do novo ano e nos enche de sonhos e expectativas.

É incrível o poder que o ano novo tem. Logicamente falando, é só um dia depois do outro com uma noite no meio. Mas, lá no fundo, parece que tem um paviozinho que acende e vai tomando conta do corpo, do ambiente, até encher todo o universo de esperança, de sonhos e de fantasias de que o ano que vai nascer será incrível.  

Parece que depositamos, ainda que involuntariamente, todas as nossas frustrações no ano que passou e nos predispomos a ser diferentes, e a fazer tudo diferente, ou algumas coisas diferentes para que tudo seja perfeito.

É mágico o poder do recomeçar e do renascer que o Ano Novo tem.

Se formos fazer a retrospectiva do meu 2011, ele não foi dos piores.

Me formei em Letras logo no início do ano, um curso que me ensinou muito e me tornou uma pessoa mais crítica em relação a vida e mais segura com relação as pessoas. Tecnicamente não engoli um dicionário como me disseram pra fazer um dia, caso eu quisesse continuar com meu sonho tosco de escrever. Mas me tornei amante e eterna companheira das palavras, redescobri um talento guardado e retirei o véu do medo e da insegurança. Sinto um certo orgulho quando as pessoas me chamam de intelectual ou enviam seus textos para que eu dê minha opinião. De certo modo sinto que elas confiam em mim. Um dos dias mais incríveis do meu 2011 foi quando fui devolver alguns livros na biblioteca da faculdade e a bibliotecária chegando meu nome no sistema disse: “Marina Mundim?! É você que tem um blogue legal?!” Fiquei tão abobalhada e tão feliz que nem soube o que responder. Só disse: “eu tenho um blogue,mas não sei se ele é legal.” E ela disse: “ é você sim, adoro seu blogue!” Essas palavras me fizeram perceber que a minha escolha tinha valido a pena e que eu estava no caminho certo.

Depois de formada, resolvi começar a estudar Direito. Um curso que decidi entrar de cabeça. Não foi uma frustração com o curso anterior, como muitos pensam, e nem é mais uma tentativa de “saber o que eu quero da vida!” Foi um curso decidido por vontade e por vocação. Eu amo o que eu faço e acho que quando eu terminar este “cursinho pra concurso” vou ser uma excelente advogada. Ingressando neste novo curso, conheci pessoas incríveis e fiz alguns amigos de infância. Pessoas que se mostraram indispensáveis em muito pouco tempo de convivência e que conquistaram, sem muito esforço, o meu carinho, a minha admiração e a minha amizade.

Por falar em amigos. Fico muito feliz de ter os meus velhos amigos de guerra, entra ano, sai ano, sempre aqui comigo. Quem tem amigos de verdade nesta vida, sabe que não há distância, desavença e tempo que consiga destruir sentimentos. Ainda que esta distância não seja palpável, nem mensurável; ainda que ela seja além da vida.

No meio de coisas novas e de conquistas, meu 2011 também veio carregado de perdas. Perdi um dos meu melhores amigos em um trágico acidente e  perdi um tio pelo qual tinha enorme admiração e carinho.
Em 2011, também tive que aprender a conviver com a perda da sanidade, e com limitações que eu jamais pensei que pudesse ter.  Tive que aprender a andar na corda bamba, de quada-chuva fechado, rezando pra não cair. Tive que reaprender a ter fé e tive que reaprender a acreditar.

Minha vida se tornou um inverno sem flores e eu tive que reaprender a semear. Tive que reaprender a escolher o que plantar e tive que reaprender a esperar a hora certa de colher. Tive que aprender a me dominar, tive que amadurecer. Tive que aprender a enfrentar cada dor, cada medo, cada pânico com a firmeza de um adulto e não com as lágrimas de uma criança. Tive que lembrar a mim mesma que as sombras na parede são só sombras; e que o barulho ensurdecedor da sirene  passando na avenida escura, não significava que eu estava perdendo alguém que eu amo. (Como eu disse eu tive que aprender a lidar com limitações que eu jamais pensei que eu pudesse ter, mas isso é tema para futuras publicações)

Em 2011, eu me rendi ao velho amor de sempre. Amei e fui amada. Fui feliz e triste e feliz e triste até que pus, definitivamente, um fim a esta palhaçada.

Conheci três homens perfeitos. Talvez um mais perfeito que os outros, mas todos perfeitos. Me apaixonei por todos eles [risos], me despi de corpo e alma e tive a certeza de que seria feliz. E fui muito feliz. Realização de sonhos, materialização de fantasias, não importa. Por um dia, um mês ou uma noite. Era eu ali, cálida, em meio a sussurros, resplendor e sorrisos.

Fechando 2011, a minha vida caiu nos eixos. Em outubro, arrumei dois empregos maravilhosos, e acabei me rendendo ao que me proporcionava melhores condições e melhor salário. Depois de ficar com medo de bombar por falta nas aulas de “Cultura e Sociedade” passei em tudo com média superior a 80% . Não estou saindo com ninguém “importante”, mas estou aproveitando bastante a minha carreira solo, e tenho gostado muito das minhas escolhas para participações especiais. De fato, depois de outubro a minha vida caiu nos eixos, não sei se havia previsões astrológicas para isto, mas, sinto como se tivesse encontrado o meu caminho de volta.

Embora, se for analisar os detalhes, 2011 não tenha sido um ano ruim. Eu, sinceramente, o detestei. E estou cheia daquela mágica esperança que me dá o ano novo. Podem pensar: “que egoísta.” Com um ano tão maravilhoso ela está aí reclamado. Mas é como se eu sentisse que dei voltas em torno de mim mesma, que não saí do lugar; é como se eu tivesse “passado um tempo andando no escuro, procurando achar as respostas, e eu era a causa e a saída de tudo”. Mas, de uma forma inexplicável, ou devido a uma força resgatada lá fundo, sinto que agora “eu cavei como um túnel o meu caminho de volta” e estou pronta pro ano que vai começar e para tudo que vier com ele, e vou entrar de cabeça erguida, de mãos postas, de olhos abertos, de ouvido atento e  vestindo (sempre) o meu melhor sorriso.

É como naquela postagem “de volta para a terra do Sol” só que desta vez com mais força e com mais certeza de que tudo vai ser diferente. Afinal, 2012 vai ser o melhor ano da minha vida!!

pra combiar com a inspiração ...


sábado, 17 de dezembro de 2011

Sem inspiração pra escrever ...

 
Eu matava quem inventou esta coisa de inspiração pra escrever. Nada a ver vir coisas a sua cabeça, e frases prontas e textos inteiros sobre coisas que não te interessam mais, só porque é isso que te inspira. Queria escrever sobre política e a crise mundial. Talvez algo sobre esporte e religião. Mas aí eu teria que ter conhecimento, estudar um pouco mais e adquirir fundamentação teórica. Falar sobre aquilo que se sabe é bem mais fácil, é bem mais tranquilo e geralmente fica bem mais coerente. 

Vinícius escolheu o amor, Fernando escolheu o amor, Caio escolheu o amor e Clarice escolheu o amor. Muitos deles contaram vitórias e a compatibilidade dos sentimentos, mas estes textos ou poemas nunca fizeram ou inspiraram histórias e muito menos consolaram pessoas. O que sempre ganhou as páginas dos livros, os suspiros dos apaixonados e o entendimento da maioria dos corações, foram os versos trágicos do amor não correspondido e do sofrimento diante do mundo. O sofrimento, a solidão, a carência e a desilusão diante das coisas, das pessoas e  do mundo, são inspiradoras. Momentos de alegria e contentamento, geralmente são coisas que não dá pra  por no papel; não da pra materializar nas palavras: é transcendente demais. É abstrato demais. 

Me dá vontade de escrever com frequência, e as vezes pode ser que me julguem melancólica e mal amada. É o que penso quando leio meus autores preferidos. Sempre os vejo como pessoas caóticas que não entenderam o funcionamento do mundo; que amaram demais e não foram compreendidos. (Aqui, eu não vou falar de correspondência - porque muitas vezes se ama e é correspondido, mas ainda assim não se é compreendido. - Pra compreender o amor de um poeta, só sendo outro. Ou um louco e insensato). Os poetas sempre esperaram mais do mundo e das pessoas, e estes nunca atenderam suas expectativas. 

Não sou melancólica, muito menos mal amada [risos]. Confio no meu taco; "já amei e fui amada, já fui amada e não amei, e também já amei e não fui 'compreendida' =/ ". Só que falar de noites de festa e de ‘pegação’ não é tão inspirador quanto aquela história de quando você se matou por alguém e fez tudo que podia pra poder dar certo. Já publiquei aqui no blogue fatos reais da minha vida e detalhes do meu relacionamento frustrado. Já escrevi sobre o meu medo do fracasso e não ser ninguém na vida, (já escrevi e não publiquei, sobre a minha psicose e a minha necessidade de um analista). Mas agora minha vida está tão nos eixos que eu não tenho mais inspiração pra escrever. Fiz dos meus textos uma mistura da "Tabacaria", da "Hora da Estrela", do " Soneto da separação"... e me recusei a  encontrar o caminho pra "Pasárgada". 

Com vontade de escrever, e totalmente perdida. Alguém tem alguma dica, ou sugestão pras próximas publicações?!
- considerarei todas e ficarei muito agradecida.


quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Preferências

 

dia 14 de Janeiro de 2012 em Patos de Minas *-*
 
Lembra quando eu disse que amava pessoas que sabiam conversar, e discutir, eloquentemente, qualquer assusto?! Quando eu disse que o que me encantava era a inteligência e a sagacidade do ser humano?! Pois é, a cada dia que passa tenho mais certeza sobre as minhas preferências. 

Na vida, a gente cresce e estabelece prioridades. A gente muda de rumo, a gente muda de companhia, a gente evolui... e passa a exigir do mundo a mesma evolução. Nunca deixei de conversar com uma criança por causa da sua "imaturidade", nem exigi a idade certa na hora de sair com alguém. O que sempre valeu pra mim, foi a idade psicológica que cada um tinha e a capacidade de saber lidar com ela. Conversar com uma criança pode ser a experiência mais incrível que se pode ter; conversar com alguém na terceira idade, mas, que conserve a alma de adolescente é encantador. No entanto,  nada me decepciona mais que a ignorância disfarçada. 

É ridículo, tentar conversar com alguém que não tem fundamentos e que mesmo assim, se julga superior e tenta te humilhar. É grotesco, pessoas que tentam rebaixar as outras ao seu nível para que possam tentar dialogar. 

Inimizade declarada: conheci um "carinha" dias atrás (o mesmo das cantadas da postagem anterior) que me disse que eu não seria bem vinda a festa que ele estava organizando porque eu era chata e intelectual, e que ele não gostava deste tipo de pessoa. Eu sei que o real motivo do desgosto é porque eu estou saindo com o amigo dele, mas a vontade que me deu foi de dizer: claro que não! deve gostar de gente estúpida e ignorante como você. Mas seguindo a dica de alguém, preferi não discutir com o idiota, pois eu me rebaixaria ao nível dele e é provável que ele me venceria pela experiência.

Não estou aqui dizendo que quero me casar com um economista, com um historiador, com um advogado, ou com um administrador de empresas, nem que estou fechada apenas para discuções intelectuais. Deus me livre disso! O cara que eu mais amei na minha vida, me fazia rir de trinta em trinta segundos e contava as melhores e as piores piadas do mundo. Ninguém quer uma pessoa rotulada, e ninguém quer ser rotulado, também. Eu não quero ser a namorada do fortão, ou a amiga da bobinha e da boazinha, e da galinha, e da inha, e da inha. Ninguém vive de apenas um esteriótipo: todo CDF tem seu lado de fundão, toda bobinha tem seu lado esperto, toda "galinha" tem seu lado romantico; todo pegador tem seu lado carente e todo carente tem seu lado durão. 





O que tem pra hoje: Seja uma pessoa aberta e receptiva, sempre! Conheça todo tipo de pessoa, e tenha um pouquinho de cada uma delas dentro de você. Seja você mesmo! E seja lá quem for, seja muito FELIZ!

- Marina

domingo, 6 de novembro de 2011


"Uma vez eu disse que a nossa diferença fundamental é que você era capaz apenas de viver as superfícies, enquanto eu era capaz de ir ao mais fundo, você riu porque eu dizia que não era cantando desvairadamente até ficar rouca que você ia conseguir saber alguma coisa a respeito de si própria, mas sabe, você tinha razão em rir daquele jeito porque eu também não tinha me dado conta de que enquanto ia dizendo aquelas coisas eu também cantava desvairadamente até ficar rouco, o que eu quero dizer é que nós dois cantamos desvairadamente até agora sem nos darmos contas, é por isso que estou tão rouco assim, não, não é dessa coisa de garganta que falo, é de uma outra de dentro, entende? Por favor, não ria dessa maneira nem fique consultando o relógio o tempo todo, não é preciso, deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente, você não cresceria se eu a mantivesse presa num pequeno vaso, eu compreendi a tempo que você precisava de muito espaço....

[...]


Não sei, não me interrompa agora que estou quase conseguindo, disponível só, não é uma palavra bonita? Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende? Dolorido-colorido, estou repetindo devagar para que você possa compreender."

Para uma avenca partindo - Caio F. Abreu

Um dia desses, eu brinquei, sentada em uma mesa bar, que eu me parecia muito com os poetas antigos. Não na grandeza no labor com as palavras, mas nas dimensões do amor que eles sentiam. É sério, há textos que são extremamente catárticos pra mim, e  as vezes eu sinto que foram escritos para que eu lesse; ou que foram escritos em situações exatamente idênticas as que eu vivo. Mas, ainda que estranho nesse contexto atual de modernidade superficial, eu gosto desta história de amar demais. Dessa história de amar profundo. Não gosto de amar na superfície, de colocar só o pé na lama. Se é pra me lambuzar, eu me lambuzo por inteiro. E me alegro por inteiro ou morro de tristeza por inteiro. Não gosto de nada que seja pela metade: beijo pela metade, abraço pela metade, sorriso pela metade. Faz assim?! Se for pra sorrir, mostre os dentes. Se for pra abraçar, abraçe apertado. Se for pra beijar, beije demoramente. Gosto muito de um trecho da música da Vanessa da Mata que diz: "quero beijos intermináveis até que os meus olhos mudem de cor".. eu acho que é por aí. É extremo!! O complicado de se viver assim é que sempre se está a beira do risco. Você pode ter a sorte de também ser amada demais e aí sentir que tudo vai dar certo, ou então você pode amar demais, querer demais, sonhar demais, e nunca encontrar alguém que esteja disposto a ser tão demais, quanto você gostaria que fosse. O complicado de se viver assim, é sempre ter menos do que aquilo que se procura, e acabar tendo que se contetar com aquilo que vier.

- Marina
Adoro Caio Fernando Abreu !! =)


segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Interrogação


Uma vez, conheci um rapaz que trocava de chapéu toda vez que trocava de namorada.
Um dia, ele chegou com um chapéu novo para me apanhar depois do colégio. Neste instante, percebi que o nosso relacionamento estava chegando ao fim. Depois deste dia duramos nada mais que alguns abraços e poucos beijos.
Como ele sempre passa no meu caminho,  não pude deixar de notar que ele já trocou de chapéu três vezes. Já foi branco, já foi cinza e agora é preto. Me pergunto se a qualidade dos relacionamentos tem piorado gradativamente.


Encontrei este fragmento enquanto estava lendo meu caderninho de rascunhos. Achei muito engraçado quando reli [risos]. Pude perceber o quanto as mulheres podem ser divertidas quando estão com raiva, ou com ciúmes [risos]. Não pude deixar de postá-lo.

De volta à terra do Sol

            Demorei um pouco para me deslocar da minha comodidade e ir a uma das peças do Festival de Teatro, acho que porque eu sabia que o tapa que eu ia levar na cara ia ser imenso.
            Cheguei cansada de viagem na quinta-feira e não tive ânimo. Na sexta quis ir ao cinema com um amigo do tempo de colégio, e quando fui trocar os alimentos não perecíveis pelos ingressos das peças que queria assistir, muitos deles já haviam acabado. Por sorte consegui ir a uma peça, Deus e o Diabo na terra do Sol, de uma universidade cujos grupos de teatro sempre me encantam. Dessa vez não seria diferente...
            Porém, creio que o efeito devastador teria sido o mesmo, o bofetão teria sido tão forte e tão dolorido como foi,  independente do espetáculo. Como disse, acho que adiei tanto porque sabia exatamente como iria ser.
            Quando entrei no teatro, abriram-se as cortinas e a peça começou, eu estava diante de tudo aquilo que eu fui e não era mais. De todos os meus sonhos, de todas as minhas vontades, de todos os meus gostos e de tudo aquilo que eu amo. Não só o palco e o teatro, mas tudo mesmo, que venho abrindo mão ao longo dos anos. Estava diante de mim, lá atrás, crente e feliz!
            A questão não foi só relembrar o tempo em que a cena também era minha, os gestos eram meus, as caras e bocas faziam parte do jogo e os aplausos também eram pra mim. A questão foi lembrar como tenho deixado que as coisas aconteçam, como tenho permitido a vida passar, como tenho mentido pra mim mesma, como tenho colocado obstáculos pra tudo, como tenho deixado de viver e apenas existido. Existido na esperança de que algo aconteça, de que o roteiro, de alguma forma, talvez seja mudado.
            A questão foi perceber como não tenho me aceitado exatamente como eu sou, e de como tenho me agarrado às perdas e às frustrações da vida e de como tenho deixado as vitórias de lado, como se fossem obrigações, conseqüências e não algo realmente relevante.
            A questão foi redescobrir, ou “reperceber” que eu ainda tenho todos os sonhos do mundo; e que está na hora de virar a página. Mas, não a página dos velhos amores, dos velhos amigos ou das velhas profissões, não é isso! Está na hora de virar a página de mim mesma, de me recriar, de me “redirigir”.

            Reentrar em um lugar onde fui tão feliz, me fez perceber o quanto tenho sido tola. Ver meu sorriso lindo no espelho quando cheguei em casa, fez com que eu me amasse de novo.
            Não tenho gostado do que venho me tornando. Desde o início deste ano acho que tenho querido inverter a ordem das coisas e tenho metido os pés pelas mãos: deixei de confiar nas pessoas e deixei de confiar em mim; ignorei quem eu sempre fui, virei as costas para minhas qualidades e quis exigir do mundo aquilo que nem eu estava me oferecendo: oportunidades.
            Me fechei nas minhas imperfeições e construí o meu mundo: “fechado para visitações”. Mandei quem estava nele ir embora e não permiti que mais ninguém se aproximasse. Passei a me sentir autossuficiente e péssima companhia. Paradoxal. O mundo era meu, mas não me pertencia; caminhava sobre ele feito alguém que anda porque tem pés e pernas, mas, não sabe para onde vai. Mirava algo a anos luz que me traria “a” felicidade, mas ignorava o meu momento feliz. Deixei de curtir o meu momento para fazer outras pessoas felizes, deixei de fazer as minhas escolhas para viver o que escolhiam pra mim, deixei de acreditar que daria certo porque outras pessoas diziam que não daria.
Olhando para trás, acho que há quatro anos não me preocupo mais com o que eu quero e acabo me contentando com o que os outros, ou com o que o “destino” quer pra mim.

            Quando saí na sexta com meu amigo de colégio, depois de muita conversa, ele me disse que eu era a errada da história, embora eu tivesse dificuldades para enxergar e admitir isto.
            Então, eu admito. Estou errada. E tenho errado há anos. Tenho sido ignorante diante de como a vida realmente funciona: não estou no centro do palco e nem vou ser aplaudida sempre; vou esquecer as minhas falas de vez em quando , e vou “quebrar a pena” algumas vezes, mas o que realmente importa é que eu sempre vou ser a melhor atriz, da melhor forma que eu puder ser, da minha peça. Porque o espetáculo é só meu! Pertence apenas a mim. E me apetece fazer o roteiro e saber lidar com os improvisos.
            Está na hora de me aprofundar nos orifícios da minha consciência e de redefinir o meu mundo. Que venha a vida real, com todos os meus medos e apreensões...

            Virei a página e comecei a me reescrever. Espero que agora eu use as cores certas e dê o tom quem de fato deva dar, para que eu volte a me amar, como estou me amando neste momento e como, durante tanto tempo, me amei. 

pra combinar:

sábado, 15 de outubro de 2011

Viagenzinha de início de semana


No início dessa semana, resolvi acompanhar minha mãe em uma viagem ao interior de São Paulo, para visitar meu irmão. Como toda viagem, esta também aconteceu coisinhas intrigantes que vou compartilhar com vocês...

Fazia dias que não chovia por aqui. Saímos logo depois do almoço no domingo e o sol estava de matar, pegamos uma estrada nova que vai para Uberaba e minutos depois o clima começou a mudar. Eu achei muito engraçado porque me veio a cabeça uma lembrança inusitada e eu passei a me sentir parte de uma pintura do Van Gogh [risos]. A estrada estava deserta, a paisagem era composta por capim seco de ambos os lados e o céu estava "preto" de chuva, me senti literalmente dentro do quadro Campo de Trigo (sem corvos) do Van Gogh. Viajei dentro desse quadro por quase uma hora, até que o céu veio a baixo e borrou toda a pintura com a sua chuva torrencial. 

 Chegamos em São Carlos já era noite e eu estava exausta. Meu irmão é estudante universitário e mora em um quartinho de mais ou menos 20 m² muitos sedutores e eu me atirei em um cochãozinho por ali mesmo e "capotei". A noite foi tranquila e com muita chuva. Aproveitei que estava a quilômetros de distância de todos os meus problemas, sem net e sem ninguém conseguir me achar no celular (porque eu estava sem créditos e não dava pra cobrar deslocamento, hehe ), para hibernar e dormi por horas e horas... Minha mãe resolveu me tirar da cama, assim que a chuva parou, para irmos dar uma voltinha pela cidade. São Carlos é uma cidade muito engraçada, ela é dividida, creio que não intencionalmente, em setores. Se você está na seção loja de roupa, você não vai encontrar farmácias, se você estiver na seção farmácia, você não vai encontrar lojas de calçados, e se você quiser ir a um banco, todos, de todas as agências, estarão na mesma rua. "Batemos pernas" a tarde inteira e fizemos algumas compras - detalhe, Patos de Minas é uma cidade onde compramos coisas a preço de ouro, vá a São Carlos de malas vazias e faça a festa!

Na hora de voltarmos pra casa, meu irmão, sugeriu que passássemos por dentro da Universidade para conhecermos o Campus, ele estava empolgado e queria mostrar cada detalhe. A USP de São Calos é linda - enorme, mas linda - e foi realmente muuito divertido conhecer TODOS os detalhes. Já ouvi dizer que Patos é a cidade das mulheres bonitas, se existe este conceito, definitivamente São Carlos - pelo menos nas imediações universitárias - é a cidade dos homens lindos. Quase desfiz minhas malas e fiquei por ali mesmo. Estatisticamente falando, enquanto aqui há dois homens bonitos para cada dez, lá há sete lindos e três "pegáveis" para cada dez [risos]. Como carne nova no pedaço é sempre carne nova no pedaço, estava me sentindo a última coca-cola do paraíso! [mais risos] 

 De volta ao quartinho do meu irmão hibernei novamente por horas e horas até o dia seguinte. No qual hibernei por mais horas e horas. Estou com serias dificuldades para dormir aqui em casa e acho que queria tirar o atraso, não podia ver um cantinho um pouco chamativo que me acomodava e em minutos estava "roncando" . Só saí de casa na terça-feira, porque choveu o dia todo, para ir até a padaria da esquina tomar um café (bem forte) pra criar vergonha na cara e ficar acordada.
 No dia seguinte era dia das crianças e fomos pro parque da cidade, caminhar debaixo do sol e ver os bichinhos do Zoológico. Achei um máximo! O urso sabia que era estrela e ficava fazendo pose pra platéia, os macacos eram hiperativos, a onça pintada era linda, e eu vi em tempo real o nascimento de uma Ema.  Mas a parte mais legal, foi o cantinho da Patagônia, onde tinha vários animais que eu nunca tinha visto "pessoalmente". Os pinguis estavam com calor ( eu tenho certeza), as Alpacas estavam com vergonha e não apareceram, já as Lhamas estavam sem vergonha e aproveitaram para dar uma demonstração de sexo selvagem [ muitos, muitos risos] !! As gaivotas estavam estressadas e os Guanacos estavam na deles, acho que pelo fato de que ninguém conseguiu compreender a real diferença entre um Guanaco e uma Lhama. 

Fim do dia divertido começou a choradeira da minha mãe, inconsolada de deixar o filho pra trás. Pegamos o ônibus para Ribeirão Preto as oito da noite. Antes de embarcar, lá na rodoviária mesmo, já havia notado a presença uma menina muito escandalosa a uns dois metros da gente, quando a criatura entrou no ônibus, o mesmo que o meu, pude perceber que ela estava completamente drogada - ela não parava de rir nenhum minuto,  conversava, muito alto,  com sua amiga de poltrona e eu tive que ouvir ela contar umas três vezes a piada do pintinho maconheiro que não estava " tintindo nada " . 

 Daqui pra frente não aconteceu nada de mais na minha viagem. Chegamos em Ribeirão as 21:30 mais ou menos, e ficamos esperando o ônibus até as 00:40. Na rodoviária não tinha nada de divertido pra fazer e eu fui ensinar minha mãe a jogar Sudoku no celular [foi hilário]. Chegamos a Patolândia umas nove horas da manhã, e adivinhem, não consegui mais dormir direito...

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Encargo

foto: http://saltonanoite.blogspot.com/

"Pois assim penso: que cada um tem uma missão na vida, que cada um nasceu para uma coisa diferente, um encargo que um dia ele saberá qual é. Uns para amar, outros para serem amados, outros para viver apenas e cumprir o que a natureza nos pede, outros para nos fazer sofrer, e outros ainda não para viver, mas para dedicar a alguns a sua vida, mesmo que esta não tenha valor algum, mesmo que se seja para carregar uma lamparina somente, mas que seja com tão imenso amor, que ela se torne o Sol a todas as montanhas. " 

A Lanterna Mágica de Jereminas - Luís André Nepomuceno

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Diferente de Steve Jobs, eu sempre fiz as escolhas erradas..

a UFRJ me quer !!! 

Hoje quando entrei no e-mail havia cinco, 5 , e-mails da UFRJ que dizia: 

"No próximo dia 11/10/2011 ( terça- feira), às 18:30, na sala 407, será realizada prova de monitoria para a disciplina Direito do Trabalho. Os interessados deverão comparecer na referida data para a realização da prova, não sendo necessária prévia inscrição. "

# Se a UFRJ não parar de me mandar e-mails com propostas de uma "vida melhor", eu vou pular da ponte do Rio Paranaíba! ..

- Como hoje a primeira coisa que fiz na hora que entrei na net foi assistir ao discurso do Steve Jobs para os recem formados em Stanford, ainda estou com a esperança de que os pontos sejam ligados lá na frente ... =/

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Barco furado


"Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também.Tá me entendendo? Eu sei que sim. Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também! Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade! Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica. Aprendo a pescar, se precisar. Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena.
Remar.
Re-amar.
Amar. "

- Caio F. Abreu 

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Conselhos ..

 hahahaha.. texto informalíssimo, escrito a pedidos! É, agora faço textos por encomenda! =)

Pra começar é bom que algo fique bem claro: as mulheres são extremistas, ou 8 ou 80, mas não esperam dos homens a mesma atitude. É aquela coisa do meio termo, que eu não gosto tanto, mas que quase sempre é o ideal. Deixa eu explicar: mulheres não gostam de caras que correm atrás, mas também não gostam de caras que desaparecem. Mulheres não gostam de homens sem atitude, mas abominam homens que não respeitam os limites, entenderam mais ou menos a ideia?!

Pra conquistar uma mulher é muito simples. Eu já disse isso aqui em textos anteriores, 'tudo o que as mulheres querem são homens inteligentes, que saibam ser divertidos com frequência, sérios quando conveniente, sistemáticos quase nunca, discretos quase sempre e brutos quando necessário'. As mulheres admiram homens inteligentes, divertidos e discretos. E as mulheres, sem generalizar, não gostam de tomar a iniciativa. E homens, estejam certos disso: as vezes você já fez tudo o que devia fazer e  a garota já está na sua, ainda que você não saiba. Então, não se sinta rejeitado antes de agarrá-la pelo braço encostá-la na parede e dizer: (bom, você não precisa dizer nada se não quiser!^^). Seja corajoso, ainda que não esteja certo da reciprocidade da vontade. Se você acha que vale a pena tentar, o que é um tabefe na cara ??

Toda aquela bobajada de romantismo também é sempre muito válida. Flores, chocolates e demonstrações públicas de carinho abalam qualquer coração enrijecido. A mulher gosta de pensar que é a única mulher do mundo; então, demonstração pública de carinho vai convencê-la de que ela é especial, em relação as outras, e de que você não tem problema nenhum em demonstrar "pro mundo" o que você sente por ela.

Outra coisa: as mulheres gostam de saber onde estão pisando, e geralmente, gostam de chão firme. Elas quase nunca trocam o certo pelo duvidoso.

A estrada pode ser um pouco longa, mas não é complicada. Conquistar uma mulher é muita fácil, basta querer. Se sentir que vale a pena, vá em frente.. os degraus estão aí ...