segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Como jornalista frustrada que sou, deveria viver de escrever livros e não de justiça. O amor dói menos.

domingo, 7 de agosto de 2016

12 kg over

Não sou dessas que sobe na balança todos os dias e, sinceramente, já aprecei uma na Internet esta manhã.

Há mais ou menos um mês, entrei desapercebida em uma farmácia para tentar entender por que minha calça antiga não abotoava e quase tive uma AVC ao perceber que tinha engordado 12kg.

"Como não vi isso acontecer?"

Aí comecei a traçar as desculpas: problemas no trabalho, casa nova, problemas no trabalho, cidade nova, problemas no trabalho, ansiedade, problemas no trabalho.

Mas, nada justifica 12kg. "Como não vi isso acontecer? 12kg em 6 meses????"

6 meses sem sair de casa. 6 meses sem vestir nada além do velho moleton rasgado e 12kg a mais.

Quando falo, ninguém acredita. Só minha mãe: "você tá muito gorda!"

Aí eu falo e ninguém acredita... Porque apesar da desgraça fui abençoada por Deus em ser uma gordinha distribuída.

Aí eu falo e ninguém acredita! Mas, é porque não estão no meu quarto para ver o quanto tem que rebolar para aquela calça subir e porque não conhecem aquela sensação de "graças a Deus não rasgou" depois q vc tira aquela blusa que entalou nos seus peitos.

Aí eu falo "chega vou emagrecer"!! Mas, saí para beber e comer pizza ontem.

Ainda não comprei a balança na Internet e estou aproveitando do álibi de domingo pra justificar o porquê de não estar na academia,  mas, estou aqui contando pro mundo a minha disgraceira e malhando meu dedo no teclado do meu smartphone (não IPhone)  pra ver se me dá uma vergonhazinha e eu crio brilho na cara, ou melhor, nestas bochechas gordas que vos escreve.

Será que se eu tivesse um blogue fitness eu emagraceria?

Amocês!

Beijo da gorda! 😘

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Se você não conseguir ler, Saramago leria

Ela já não é mais a mesma, e faz uns anos que venho observando isso. Tinha um quê de amor agora no peito. Faz dias eu a vi chorando por ter fechado a porta e não conseguir abri-la.

Ela vê tanta gente passar. 

Lá vem a bailarina. Olha lá como é bela e desenvolta, parece pluma. A porta se abriu com tapete vermelho e ladrilhos. A Bailarina passou e a porta se fechou.

Teve um dia que ficou de espreita na beira da porta que eu vi. Tentou pegar o resquício de brisa que soprava do lado de lá. Sentiu o cabelo se mexer apenas. Já se alegrou.

Outro dia tentou se esconder atrás da Margarida, filha linda do serralheiro que vinha vindo de vestido rodado. Mas, Margarida passou em um passo só. E a porta se fechou depressa.

Um dia desses, bem me lembro. Quando chegou, a bela morena já havia passado. A porta estava a se fechar, quando o sol piscou pra ela pela fresta entreaberta e sorriu. Este dia foi só mais um que ela se atrasou e perdeu a hora.

Me parte coração ver esta flor assim. Mas tem hora que me pergunto se é castigo. A porta já se abriu tantas vezes pra ela e ela bailou serelepe sorrindo se recusando a entrar. Sou nova demais, dizia. Não conheci o mundo inteiro ainda, ela me disse uma vez no meio de uma gargalhada gostosa.

Bateu a porta tantas vezes. Ignorou. Recusou. Brincou com quem lhe esperava lá do outro lado e foi conhecer o mundo e virar gente importante, igual ela dizia que queria ser.

Continuou fechando portas no caminho.


Agora, quando eu a vejo aí sentada esperando a vez dela chegar, me dói a alma. Me dói porque vejo que ela se cansa, levanta e vai pro mundo outra vez. A vida dela é voar. E quando ela sai com esse espírito livre lá fora, ela sai de coração fechado, para fechar mais e mais portas outra vez. 

Nina

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Pequena Alice,

"Acho que, primeiramente você tem que tentar aquietar esse coraçãozinho, e colocar o pé no chão. Seus anseios me parecem todos voltados para preocupações futuras. E como diria Buda: todo sofrimento advêm do desejo. E esse seu desejo de mudança,  de novo, tem te causado certo incomodo. Acredito que o primeiro passo é você colocar a cabeça no lugar e pensar: quais são meus problemas HOJE. E o que eu posso fazer para resolvê-los HOJE.

Perceber que suas angustias nem sempre são tão reais e palpáveis quanto você imagina. Mantenha seu trabalho como uma condição possibilitadora de novas oportunidades. Percebo que suas preocupações são, em grande medida, profissionais. Estabeleça suas metas a curto, médio e longo prazo. E lembre-se "a vontade de Deus nunca irá levá-la aonde a graça de Deus não poderá protegê-la".

Algumas "virtudes" que buscamos como paciência , tranquilidade, etc, são meros hábitos, e não dons de Deus ou qualquer outra divindade que você acredite. Todos os dias você terá várias oportunidades deste tipo de exercício. Lembrando que, a conduta comportamental de um não quer dizer, necessariamente, a formula de sucesso para outro. Cada um leva a vida da melhor forma que lhe apetece. Você não precisa ser calma ou menos ansiosa para estar bem, ou para se sentir feliz. Não há uma formula.  Você só deve procurar mudança se sentir que a forma como tem conduzido a vida, lhe incomoda. Se sentir que a sua ansiedade te prejudica, tente mudar. E, obviamente, este tipo de mudança requer tempo e habito.

Você sabe o que quer e onde quer chegar; você já tem meio caminho andado, pequena Alice, basta percorrê-lo. Só você pode caminhar sua jornada. A escolha é sua. As decisões são suas. As opções, caminhos e consequências. "

Will

Metropole Regional, aos dezoito dias do mês de Abril do ano vigente. 

sábado, 5 de setembro de 2015

DE VOLTA À TERRA DO SOL

- volume 2

Nem é 31 de Dezembro e eu tenho tanto a dizer. Acho que já posso olhar pra trás e fazer uma prospecção do futuro. Mas, não o atrás de ontem , ou de 6 meses, mas, sim, o atrás de muitos anos. Somos uma construção crescente  desde que nascemos. Todas as transformações que sofrem nosso corpo, mente e alma ao longo dos anos são pra nos tornar mais fortes. Quando nascemos somos como um ovo semivazio: casca quebradiça e interior molenga e  indefinido. Com o passar dos anos, mesmo que a casca continue quebradiça, desenvolvemos, através das intemperanças da vida, uma consistência voluptuosa, que, ainda que passível de ser partida, é resistente e por que não dizer, inseparável (ainda que não seja).

Ainda que não seja, mas preciso continuar a metáfora. Assim é nosso corpo e espirito: separável quando chegar a hora, mas inseparável enquanto estivermos aqui. Nosso corpo continuará quebradiço, frágil e perecível. Por isso,  é a alma que deve buscar se fortalecer e evoluir em razão do fatos da vida.

Sempre acreditei que estamos aqui por algum proposito. E que todos tem uma missão e estas coisas. Sempre acreditei na evolução da mente e do espírito como algo indivisível. Sempre acreditei que as horas de estudo me levariam além, e sempre soube que minhas horas com as pessoas que eu amo me levariam muito mais. Sempre tive a máxima de fazer com as pessoas a minha volta o que eu gostaria que fizessem comigo; e só me sinto completa quando acho que encontrei o meu caminho.

Eu tinha um diário. Aliás, hoje olhando para a estante vejo 4 diários. Relê-los me faz lembrar todas as metas que tracei e tudo que me conduziu até aqui. Há alguns anos  não tenho mais diário, troquei as canetas com Glitter, por um notebook ilustrado. Reler todos estes posts também me conduz a momentos de glória e fracassos que me trouxeram até aqui. Seria imitação da minha parte, e nem vou pedir licença para parafrasear, pois não sei quem escreveu, mas a verdade é que na vida precisamos passar por todos estes momentos para entendermos aonde chegamos e porque aqui estamos.

Depois de um ano e meio de terapia, hoje eu acordei e vi o Sol. O sol não estava sobre a minha família, nem sobre os meus amigos, nem sobre a minha faculdade ou meu emprego e nem sobre o homem que eu amo. O Sol estava sobre mim. Ele nasceu no meu quarto, quando deveria ter nascido no horizonte. Ele nasceu por de trás dos meus livros, por sobre as minhas fotos, e poderia jurar que ele passou no espaço entre a parede e minha cama pequena. Ele estava ali para mim e ele era meu. Ao sair do meu quarto ele me perseguiu, iluminou meu caminho e me conduziu por onde eu quis. Quem me viu na rua não entendeu o que o Sol fazia ao meu lado, mas eu, depois de tantos anos só sabia olhá-lo e sorrir.

Eu sempre acreditei que seria capaz de conquistar o mundo. Se eu era o Pink ou o Cérebro não importava, mas eu sabia que levantava todos os dias com o mesmo propósito. O tempo passou e as inocências de criança se tornaram urgências de adulto e, então, eu decidi abraçar o mundo. Conquistá-lo ou não, não importava, mas eu o abraçaria com toda a força e dedicação que eu conseguisse até que, exausto, ou ele ou eu, nos renderíamos.

Eu já ia me render, diário. Eu já ia jogar a toalha e dizer que não suportava mais. Mas hoje, quando eu acordei, ele se rendeu a mim.

Não sei o que mudou. Talvez tenha sido o Xadrez de ontem.

Senta aqui, deixa eu te explicar:

Quantas vezes você persegue seus sonhos porque são seus sonhos? Muitas vezes perseguimos coisas porque alguém assim o quer. Seja família, namorado, ou a sociedade alheia, que nada tem a ver com você, mas você acha que deve prestar contas a ela. Você já quis fazer um curso que não tem vaga no mercado de trabalho, ou melhor, ninguém sabe o que é no mercado de trabalho, só porque é a sua cara? Você já quis comprar uma Kombi e fazer todo o litoral só pra ser feliz? Você já quis comprar uma passagem só de ida pra um lugar que você não fala a língua só pra ver o que é que dá? Não? Haha Eu já! Mas aí você percebe que precisa ser um réptil adaptável. Aí você escolhe carreiras e traça objetivos.

No meio desses objetivos, você vê barreiras, furacões, tsunamis, tempestades e terremotos; e você pensa em parar inúmeras vezes, você quer desistir, porque você tem certeza que sua vida chegou em um apocalipse sem volta.

Mas, aí, de repente, você percebe que tudo não passa de drama e que a vida é exatamente isso e que é por isso que alguma coisa faz sentido. Como eu conquistaria algo que já é meu por direito? Aquilo que é seu você vai lá e se apossa, sem esforço; conquistar é um verbo que exige um pouco mais que isso.

Então, pra me encontrar e conquistar o mundo, diário, eu resolvi jogar Xadrez; uma peça de cada vez, uma estratégia de cada vez, uma prova de cada vez, até que, enfim:  Xeque mate! De todas as profissões do mundo, o jogo de inteligências que a minha exige é a mais fascinante. E ontem  me lembrei porque eu a escolhi.


Não vou mais me delongar nas metáforas, querido diário, mas, acontece que estou muito feliz. Acho que conquistei o que queria e já posso traçar o meu próximo passo. Antes, porém, 3 coisas: TCC em 1 mês, faculdade em 3 e 2ª fase da OAB em 4. Me espera, mundo? Te amo! 


Patos de Minas, 04 de Setembro de 2015

- Marina 

domingo, 16 de agosto de 2015

E aí a princesa estraga tudo depois do felizes para sempre!

Talvez esta seja, hoje, a melhor forma de começar o nosso conto de fadas. Mas, vou nos permitir um tempo e esperar um pouco mais... quem sabe eu encontre uma citação do Fernando Pessoa ou algo assim?!

Te amo!

domingo, 3 de maio de 2015

Quando calo as palavras nas pontas dos dedos, você se pergunta se, também, as calei na alma?

sábado, 14 de março de 2015

Da série: texto que eu gostaria de ter escrito

Ah, Ziraldo, eu te entendo!
 Daria o "braço" para ter escrito isso...

"Às vezes me flagro imaginando um homem hipotético que descreva assim a mulher dos seus sonhos:
“Ela tem que trabalhar e estudar muito, ter uma caixa de e-mails sempre lotada. Os pés devem ter calos e bolhas porque ela anda muito com sapatos de salto, pra lá e pra cá.
Ela deve ser independente e fazer o que ela bem entende com o próprio salário: comprar uma bolsa cara, doar para um projeto social, fazer uma viagem sozinha pelo leste europeu. Precisa dirigir bem e entender de imposto de renda.
Cozinhar? Não precisa! Tem um certo charme em errar até no arroz. Não precisa ser sarada, porque não dá tempo de fazer tudo o que ela faz e malhar.
Mas acima de tudo: ela tem que ser segura de si e não querer depender de mim, nem de ninguém.”
Pois é. Ainda não ouvi esse discurso de nenhum homem. Nem mesmo parte dele. Vai ver que é por isso que estou solteira aqui, na luta.
O fato é que eu venho pensando nisso. Na incrível dissonância entre a criação que nós, meninas e jovens mulheres, recebemos e a expectativa da maioria dos meninos, jovens homens, homens e velhos homens.
O que nossos pais esperam de nós? O que nós esperamos de nós? E o que eles esperam de nós?
Somos a geração que foi criada para ganhar o mundo. Incentivadas a estudar, trabalhar, viajar e, acima de tudo, construir a nossa independência. Os poucos bolos que fiz na vida nunca fizeram os olhos da minha mãe brilhar como as provas com notas 10. Os dias em que me arrumei de forma impecável para sair nunca estamparam no rosto do meu pai um sorriso orgulhoso como o que ele deu quando entrei no mestrado. Quando resolvi fazer um breve curso de noções de gastronomia meus pais acharam bacana. Mas quando resolvi fazer um breve curso de língua e civilização francesa na Sorbonne eles inflaram o peito como pombos.
Não tivemos aula de corte e costura. Não aprendemos a rechear um lagarto. Não nos chamaram pra trocar fralda de um priminho. Não nos explicaram a diferença entre alvejante e água sanitária. Exatamente como aconteceu com os meninos da nossa geração.
Mas nos ensinaram esportes. Nos fizeram aprender inglês. Aprender a dirigir. Aprender a construir um bom currículo. A trabalhar sem medo e a investir nosso dinheiro. Exatamente como aconteceu com os meninos da nossa geração.
Mas, escuta, alguém lembrou de avisar os tais meninos que nós seríamos assim? Que nós disputaríamos as vagas de emprego com eles? Que nós iríamos querer jantar fora, ao invés de preparar o jantar? Que nós iríamos gostar de cerveja, whisky, futebol e UFC? Que a gente não ia ter saco pra ficar dando muita satisfação? Que nós seríamos criadas para encontrar a felicidade na liberdade e o pavor na submissão?
Aí, a gente, com nossa camisa social que amassou no fim do dia, nossa bolsa pesada, celular apitando os 26 novos e-mails, amigas nos esperando para jantar, carro sem lavar, 4 reuniões marcadas para amanhã, se pergunta “que raio de cara vai me querer?”.
“Talvez se eu fosse mais delicada… Não falasse palavrão. Não tivesse subordinados. Não dirigisse sozinha à noite sem medo. Talvez se eu aparentasse fragilidade. Talvez se dissesse que não me importo em lavar cuecas. Talvez…”
Mas não. Essas não somos nós. Nós queremos um companheiro, lado a lado, de igual pra igual. Muitas de nós sonham com filhos. Mas não só com eles. Nós queremos fazer um risoto. Mas vamos querer morrer se ganharmos um liquidificador de aniversário. Nós queremos contar como foi nosso dia. Mas não vamos admitir que alguém questione nossa rotina.
O fato é: quem foi educado para nos querer? Quem é seguro o bastante para amar uma mulher que voa? Quem está disposto a nos fazer querer pousar ao seu lado no fim do dia? Quem entende que deitar no seu peito é nossa forma de pedir colo? E que às vezes nós vamos precisar do seu colo e às vezes só vamos querer companhia pra um vinho? Que somos a geração da parceria e não da dependência?
E não estou aqui, num discurso inflamado, culpando os homens. Não. A culpa não é exatamente deles. É da sociedade como um todo. Da criação equivocada. Da imagem que ainda é vendida da mulher. Dos pais que criam filhas para o mundo, mas querem noras que vivam em função da família.
No fim das contas a gente não é nada do que o inconsciente coletivo espera de uma mulher. E o melhor: nem queremos ser. Que fique claro, nós não vamos andar para trás. Então vai ser essa mentalidade que vai ter que andar para frente. Nós já nos abrimos pra ganhar o mundo. Agora é o mundo tem que se virar pra ganhar a gente de volta."

Ruth Manus

sábado, 31 de janeiro de 2015

Nietzsche e a importância desapercebida do sofrimento

Viver, sofrer e sobreviver: O que não nos mata, nos fortalece.


Repostado de Obvious ; Publicado em Recortes por Gisele Gonçalves 

“A todos com quem realmente me importo, desejo sofrimento, desolação, doença, maus-tratos, indignidades, o profundo desprezo por si, a tortura da falta de autoconfiança e a desgraça dos derrotados.”. 
Nietzsche

"Para entender o que Nietzsche queria dizer podemos escalar sua montanha preferida nos Alpes Suíços. Ao chegarmos no topo da montanha a vista é maravilhosa, o ar é puro, a nossa sensação é de total bem-estar e ficamos deslumbrados com tanta beleza. A partir daí entendemos porque Nietzsche gostava tanto de montanhas. Era do ápice que contemplava-se a vista mais bonita. Mas para chegar até lá, existem muitos obstáculos ao longo do caminho. Pedras, solos íngremes, é preciso fazer um grande esforço físico para subir e em certos momentos o desgaste é tão grande que dá até vontade de desistir. Nietzsche metaforicamente falava da existência humana como sendo uma caminhada. Ao escalarmos montanhas tínhamos uma clara compreensão do que é a vida.

Nietzsche, não era do tipo que "atira-se do prédio", aceitando a derrota definitiva. Assim como outros pensadores existencialistas, Nietzsche não acreditava na felicidade eterna ou em uma vida sem sofrimento e nem escrevia para tentar amenizar nossas dores. Pelo contrário, acreditava que sem a angústia e a dor não há realizações humanas. Nossa cultura hoje parece nos ensinar a evitar falar de nossas falhas e dores. Em uma era de tecnologia, consumo exacerbado e busca constante por tudo que oferece prazer, por tudo que é fácil, confortável, rápido e que exige menos esforço, o vazio, o sofrimento e a falta de sentido da vida se tornam aspectos difíceis de serem vividos e aceitos. Nossos ombros suportam o mundo, a solidão, a dor e a angústia porque fazem parte da nossa condição enquanto seres humanos. Quando estamos cansados de sofrer, começamos a lutar contra o sofrimento, procurando formas de aliviá-lo, somos obrigados a esforçarmos para achar um caminho melhor, reconhecemos nossas vulnerabilidades, limites e adquirimos autoconhecimento. A angústia passa a ser vista não como algo depressivo e paralisador, mas sim como um impulso para a vida, para a percepção da nossa existência, do nosso despertar, da nossa possibilidade de nascer e renascer. Saímos do comodismo e procuramos outros modos de pensar e agir. Durante todo nosso caminho, passamos pela dor de renunciar algo que gostamos, mas esquecemos que toda perda nos liga a outros ganhos. É esse sofrimento que nos oferece uma oportunidade de mudança, ainda que seja algo doloroso, não há renovação, crescimento e libertação sem dor. Se nós optarmos pelo prazer do crescimento, podemos nos prepararmos para sofrer. Só assim adquirimos autoconhecimento e nos sentimos mais sábios e seguros, não temendo o encontro com nós mesmos e nos preparando para os inúmeros e inevitáveis momentos de solidão que a vida nos reserva.


Em 8 de março de 1884 Nietzsche revela a seu amigo: " (...) tive que buscar dentro de mim coragem, pois de todos os lados só vinha desânimo: a coragem de carregar meu pensamento. " A filosofia de Nietzsche é consequência de sua própria vida. Perdeu o pai aos 5 anos de idade. Contraiu sífilis e muitas outras doenças durante toda sua vida, por isso mudava de cidade regularmente em busca de ar puro e bem-estar. Foi um filósofo só, não foi compreendido pela maioria de seus colegas e suas obras só foram reconhecidas depois de sua morte. Com o tempo Nietzsche teve um colapso nervoso, pensou ser Napoleão, Deus e Buda. Ficou internado em um sanatório e morreu depois de um tempo, aos 56 anos de idade.
Sua vida foi uma luta longa e heroica consigo mesmo. Assim como o filósofo, não basta a nós sofrermos, é necessário aprendermos a reagirmos diante dos nossos sofrimentos. Eles são desagradáveis mas podemos reinterpretá-los de uma maneira mais construtiva, eles podem nos obrigar a superamos e a recomeçarmos de uma maneira diferente, assim levamos a vida de forma mais leve. Como os alpinistas ao subir uma montanha, somos desafiados a superar nossas dificuldades, afinal, todos nós temos fases ruins na vida. Lutemos fortemente e fiquemos prontos para a vida. O essencial é viver."


segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Queria que você voltasse a ser só meu, diário!


Da série: de mim ou pra mim? 

"Ela é solteira. Não sozinha. Ela pinta as unhas de vermelho quando quer. Mas, também, sabe deixar as unhas em cacos quando dá vontade. Esbanja esquisitices ao falar dos seriados prediletos e se cala quando o assunto é sobre o porquê dela não ter namorado.

Ela usa vestido de tricô, daqueles clichês para tomar chá quando o tempo é frio. E bebe cervejas em canecas como homens pré-históricos. Ela ri de palavrões e de piadas de humor negro. Mas, também, se derrete mais do que picolé em frigideira quando recebe um SMS romântico de madrugada. Mas por que não namora?

Ela acorda, escova os dentes de quem já usou aparelho, toma chocolate quente, se arruma e vai trabalhar. Prefere usar preto. Mas desbanca qualquer havaiana bonita quando inova em alguma vestimenta cheia de flores coloridas, sabe? Ela é linda e desconversa. Fala do tempo, do futebol, da novela, da mãe, da crise do Paraguai e do Joseph Gordon-Levitt. Mas por que cê não namora?

Quando o assunto é sexo, ela fala menos do que escuta. Escuta com os ouvidos, com os olhos, com a boca e com os pelos da coxa. Transa menos do que deseja. E sabe esconder alguma aspirante a Sônia Braga dentro daquele decote comportado. Ela curte os Beatles, os Novos Baianos, Caetano e o Cícero. E fala que eu tenho péssimo tom de voz. Lê Caio, Keroauc, Fante e Gabito. Mas diz que, também, gosta das minhas histórias.

É estranha, também. Assumo. Corta o cabelo de acordo com as fases da lua e gosta de comer macarrão com feijão. Gosta de umas bandas que ninguém conhece e chora com as histórias do Nicholas Sparks. Liga o ar condicionado porque gosta de dormir sentindo frio e acaba repousando feito uma esquimó com meias e edredom. Uma linda esquimó, por sinal. Não sabe usar o celular. Costuma atender as ligações somente após a quarta tentativa de chamada. Não, ela não ignora. Ela perde tempo procurando o celular na bolsa, debaixo da cama ou pia na banheiro. Mas, vez em quando, ela sabe ignorar, também. Não sabe dançar. Recusa os convites, mas adora ser convidada. Odeia batom e gosta de brincos de pena.

Mas por que ninguém conseguiu ultrapassar esse muro de Berlim que você ergueu no teu peito? Ela desconversa. Ri de canto de boca e me pergunta se eu fumo tentando desviar o assunto pra longe. Eu insisto. Falo coisas demodês e jogo no ar o fato de que eu a acho perfeita demais para não andar com algum sortudo lado-a-lado. Ela empina o nariz o fino, me lança teus olhos verdes escuro e ajeita-se sobre a mesa. Muda o tom e me fala: “Porque eu não quero”. E eu rio sem graça da minha maldita ideia de achar que todo mundo quer ter alguém para dividir os brownies." 



Pra descontrair!!! hahahahahahahahaha

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Adeus ano velho. A Deus ano novo!

O dia amanheceu em calmaria, hoje. Mal ouvia os transeuntes passarem pela rua lá em baixo, quando acordei. Devia ser 6 e pouco, como de costume. Tateei o criadinho ao lado da cama e peguei meu smartphone (não Iphone) para verificar o que de novo poderia ter acontecido depois das 4 da manhã, última vez que ele havia feito companhia à minha insônia: celebridades, dicas de makeup e look para o réveillon; praia, festas e fim 2014. A luz da tela, tão próxima aos meus olhos, os deixavam semicerrados, e aos poucos ia levando o restinho de vontade de ficar ali manhosa e aconchegada aos travesseiros, para bem longe. 

O telefone tocou logo cedo. Talvez a minha insônia se preparasse pra isso. No susto, respondi às perguntas da recepcionista da UTI com um nó na garganta: "Filha; Sim; Já vou buscá-lo; Obrigada!" E aquela angustia que se arrastara por duas semanas, cedeu lugar a um sorrisinho maroto de alivio no peito. 

Desci as escadas correndo, peguei meu carro, e dirigi até ao Hospital. Poucos minutos depois, ele já estava comigo, para entrar com o pé direito 2015. 

(...)

Tive que te esperar até agora, 2014. Para te fechar. E confesso que ainda tenho receio de que você me pregue alguma peça, e eu tenha que voltar aqui para fazer remendos de última hora... 

2014 foi meu ano maluquinho (melhor adjetivo, pois não quero ser excêntrica em ter que defini-lo como "o" melhor ou "o" pior. Até mesmo porque seria só uma questão de ponto de vista. Uma vez que, coisas boas e ruins aconteceram em proporções similares ou por consequências uma das outras). Mas, mesmo sem pejorá-lo, nunca ansiei tanto por esta magia toda que o ano novo e seus fogos de artifício trazem.

Diferente do final de 2013, meu 2014 não continuou apenas colhendo bons frutos. Foram necessárias novas plantações. E junto ao trato das novas sementes, vieram novos desafios e muitas provações.

Em 2014, eu aprendi a perdoar. Não, eu não sabia. Passamos por cima de muitas coisas; colocamos panos quentes; esquecemos até alguém tocar no assunto. Mas perdoar? Perdoar é um verbo que exige um pouco mais que isso.

Em 2014 eu aprendi a enxergar o ser humano como um universo particular próprio. Cada um traz em sim uma construção singular para ser o que é. Fatores biológicos, hormonais, históricos e culturais. O certo e o errado. Educação. Espaço familiar; vivencia de mundo. Escolhas. E quem somos nós para julgar?

O que a sociedade exige de nós? Melhor dizendo: o que o pequeno espaço social ao qual pertencemos exige de nós? Você já saiu lá fora? Já viu o quanto o mundo é vasto, lindo e cheio de coisas interessantes? Você já viu que lá fora as pessoas têm opiniões diferentes das suas? Que acreditam em outras verdades e até brigam por elas? Para quê julgar antes de ouvi-las? O que faz de você mais certo o menos certo? Diga! Ouça! Converse.

Sobre conversar, eu descobri que para este verbo podem haver variações e divergências (hoje eu estou toda ligada na gramática), e tenho aversão a elas. O que você faz quando está no Whats App? Você está "whatsapando", teclando, dedilhando, conversando? No ano das selfies e do Whats App, eu descobri que diálogos sinceros pouco existem. A tecnologia barateou e facilitou o contato humano, porém o tornou mórbido e frio. A variação de emoticons e o volume deles tem deixado você cada vez menos verdadeiro. Pense nisso.

Eu sou da época em que se falava “de 3 segundos” para não cobrar a chamada, porque a ligação era cara. E que luxo era ter plano com pacotes de mensagens, ou chip que você escolhia 3 números para falar de graça. Qual foi a última vez que você ligou para alguém? E sentiu o ofegar da respiração antes da pessoa atender? E pensou em desligar e mentir que havia ligado errado? Hoje relacionamentos acabam porque alguém visualizou e não respondeu no mesmo instante. Queria cartas que chegavam em meses. Queria aquele lance de tempo, de espera e de saudade.

Sobre o amor, eu descobri em 2014 que ele vai continuar existindo. Ainda que precisem de 8 meses de terapia para isso. E ele pode vir disfarçado em um garoto loirinho da sua infância ou em um príncipe encantado que você pode conhecer em uma viagem qualquer, do outro lado do mundo.

Sobre viagens?! Ah, viagens! Viaje, viaje e viaje!! Viajar te torna rico, sábio, dono mundo e te transforma em um eterno contador de histórias. Comece por qualquer lugar (cachoeiras, lagoas, cidades, castelos, mares), mas, comece. E não pare mais. Porque para viajar não precisa ter idade especifica, só um coração cigano e aventureiro que sabe que fomos feitos com pés e não raízes.  

O único problema desta utopia acima descrita é que eu ainda não tenho um cartão de crédito ilimitado e é exatamente por isso que estou aqui escrevendo para vocês e não estou em Paris para esperar o ano novo.

Ainda!

Em 2014 eu fui promovida! 3 anos de Banco, segunda promoção. É assustador e ainda estou absorvendo a ideia, mas a satisfação profissional se faz imensurável. Quando comecei, jamais imaginei que estaria aqui, hoje. Gratidão, aprendizado e muita, muita felicidade, seriam 3 boas palavras que definiriam meu ano profissionalmente.

Já academicamente...

Direito é o curso da minha vida. E, indiscutivelmente, não é um curso que se faz na barriga. Porém, que me perdoem os ilustres doutores de notório saber jurídico, em 2014, eu fui medíocre. Não vou me justificar, nem me martirizar. Para “cada escolha, uma renuncia, isto é a vida”, disse, certa vez, um poeta, não é?! Em 2015 já estarei mais habituada ao novo cargo e faço aqui minha única promessa de ano novo: levarei minha vida com mais equilíbrio.

Em 2014 eu continuei perdendo heróis. No entanto, a maturidade tem me ensinado a lidar com a morte com mais fé e menos questionamentos. Não pertence a mim, a vida das pessoas que amo; cabe a Deus, lhes traçar destinos. O agora não pode ser visto como o estritamente finito. Há muito mais, além. E eu creio nisto.

2014 foi um ano de muito amadurecimento.

Se 2013 foi um ano de realizações, 2014 de provações, acredito que 2015 será um ano de espera: OAB, TCC, Formatura. Futuro incerto. Escolhas certas. Será necessário, além da maturidade paulatinamente construída, muito discernimento. Para isso, deixo neste ano todas as minhas angustias, aflições e ansiedades, para colocar meu 2015 nas mãos de Deus. Nem sempre os planos que fazemos são os melhores nós, e Deus nos prova isso nas curvas do caminho. Não só com decepções, mas, nos surpreendendo com o acaso e com novas possibilidades.

Vem logo, 2015!

Um beijo 2014!!! (Se eu pudesse escolher um dia para reviver este ano, indiscutivelmente seria este dia. Obs: nadar no mar do Caribe a meia noite, depois de algumas doses de tequila pode ser libertador.)

 - Marina

domingo, 16 de novembro de 2014



(...) Ela, ainda, se acomodava manhosa em um ombro há pouco conhecido. Ele era firme, mas, macio. Tinha um cheiro gostoso de lar ou de casa de vó em dia de domingo. E isso fazia com que a timidez da primeira vez ficasse de lado, e ela fosse se aconchegando cada vez mais como se fosse morar ali.

Ao fundo, os Guns and Roses tocava Sweet Child O' Mine e ela se perguntava “where do we go now?”. Ah se ela pudesse permanecer ali, ou dar replay toda vez que música ameaçasse acabar!

Ele a beijou docemente, quando ela levantou um pouco o rosto para olhar-lhe nos olhos. Uma tentativa de que ele enxergasse por eles tudo aquilo que lhe passava na alma. Duas borboletas voaram serelepes no seu estomago – que tola – pensou; e o beijou veemente, para esmagar nos lábios aquela sensação ridícula de felicidade.